Esta segunda-feira o Festival de San Sebastian recebeu o mais recente filme do realizador austríaco Michael Sturminger, Variações de Casanova, que procura retratar, misturando cinema e ópera, os últimos anos de vida do sedutor veneziano. Produzido por Paulo Branco e filmado inteiramente em Portugal, o filme terá a sua ante-estreia no âmbito do Lisbon and Estoril Film Festival, em novembro, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian.

Após ter trabalhado com o realizador numa ópera, John Malkovich afirma que, a partir daí, ambos resolveram desenvolver um projeto juntos que, inicialmente, seria uma peça de teatro. O filme trata-se, de certa forma, de uma evolução da peça The Giacomo Variations, internacionalmente apresentada pela dupla, que recria os últimos anos do famoso sedutor que se questiona sobre o sentido da vida.

Com este novo projeto, o realizador procura unir o cinema, o teatro e a ópera com a representação de uma obra teatral e de ópera na atualidade, contrapondo-o com um relato de época paralelo com saltos entre o passado e o presente. Sturminger afirma que tentou seguir a história de Casanova a diferentes níveis, sendo que o filme permite uma maior complexidade que a peça e, desta forma, é possível abordar diferentes camadas que se sobrepõem.

Para a interpretação do personagem, o ator revela que não se inspirou em Marcello Mastroianni ou Donald Sutherland. “Acredito que quando interpreto um papel, interpreto o que tenho diante de mim. Se o personagem é alguém sedutor é o que faço.” Na sua opinião, Casanova não pode ser considerado um grande sedutor por ser uma personagem trágica, tal como Valmont e Lorde Rochester, que também interpretou.

Apesar de o filme ter sido bem recebido, Malkovich garante não se preocupar com a crítica “(…)porque não me preocupo com as coisas que não posso controlar.