O quarto dia do motel mais aterrador de Lisboa trouxe uma enchente ao São Jorge e Tivoli. Em dia de jogo de futebol a cultura triunfa com salas cheias, filmes assustadores e muitos gritos dentro e fora da tela.

Antes de iniciarmos a típica análise aos filmes visionados pelo Espalha-Factos, temos de congratular toda a organização do MOTELx. É impressionante e dá bastante gosto, nos tempos que correm, ver uma sala de cinema cheia para assistir a um festival, as pessoas a falarem nos corredores e a trocarem impressões sobre os filmes que acabaram de ver, a troca de expectativas sobre esta e aquela sessão que estão ainda para vir. Concluindo, é um triunfo para a 7ª arte e o género de terror, um triunfo para a cultura e a dinamização da mesma na cidade de Lisboa.

Passando agora aos filmes, o dia foi preenchido por The Storm Within e Honeymoon. O primeiro é um filme de época que se afirma nos primeiros minutos como um drama, que vai depois crescendo para algo mais terrorífico. O segundo é a reposição de um filme que teve a sua primeira projecção no primeiro dia do festival. Ambos prometem criar suspense e medo no seio do público e até arrancar alguns gritos de pessoas mais sensíveis.

The Storm Within – 6/10642104-isabelle-guerard-campe-avec-aplomb

Este é um filme de época de terror. Algo que ainda faz imensa falta ao género é esta realidade, a existência de mais filmes de época que sejam também assustadores. Sendo, então, um subgénero bastante subdesenvolvido, The Storm Within teria aqui potencial de se tornar num futuro clássico neste nível, já que nenhum filme até hoje tem esse trofeu – talvez o mais próximo que temos é o The Village.

Mas de facto este filme está longe de se tornar num clássico de coisa alguma. O filme não é mau, de todo, é antes razoável, mas isso simplesmente não chega num subgénero que se deveria afirmar no panorama do terror e consolidar-se. O problema de The Storm Within é que é demasiado fraco, um argumento sem grande fôlego e uma acção e desenrolar dos desenvolvimentos muito desinteressante, sendo que apenas o twist dos últimos segundos é que consegue elevar o filme, acabando em grande.

A coragem que o argumento adquiriu nos últimos segundos do filme era o que gostaria de ver durante a restante duração do filme, queria mais, mais sangue, mais gore, queria sentir-me aterrado e com medo, algo que passou um pouco ao lado.

Honeymoon – 7/10

Harry-Treadaway-and-Rose-Leslie-in-Honeymoon

 Depois de ser projectado no primeiro dia do festival, numa sessão que esgotou, Honeymoon volta ao MOTELx para fazer a delícia dos espectadores. Este é um filme simples, da estreante Leigh Janiak, que entra de pé direito no mundo do terror.

Apesar de estar mergulhado em vários clichés do género, Honeymoon consegue criar o suspense e o medo no público, arranca também alguns sustos e introduz até um pouco de gore na película. Para estreante Janiak entregou um trabalho consistente que poderá muito bem consolidar-se com o tempo e se se mantiver no género, que pelos vistos tem jeito.

O filme tem também pernas graças à entrega de Rose Leslie e Harry Treadaway que resultam num casal cheio de química no grande ecrã e entregam boas performances num filme que, no entanto, poderia ter melhor explorado as personagens, individualmente falando.