O festival dos gritos continua bem vivo no Cinema São Jorge em Lisboa, o Espalha-Factos continua a acompanhar o MOTELx’14 e conta-te como foi este 3º dia em que tivemos oportunidade de ver quatro longas-metragens.

Um dia dedicado ao terror que se faz em Espanha e nos EUA, um representado por Cannibal e Open Windows, filme que é na verdade uma co-produção espanhola e norte americana, e outro representado por The Guest e All Cheerleaders Die. Se o número de filmes ontem foi muito, acaba por contrastar com a dose de qualidade que se acabou de ver. Ao fim do dia apenas dois dos filmes enumerados é que valiam realmente a pena.

Cannibal – 7,5/10

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Cannibal é um verdadeiro filme que divide a opinião. Uns gostam, outros odeiam, uns saem da sala a aprovar, outros sentem-se defraudados. Este drama, sim porque de terror o filme tem pouco, centra-se na personagem de Carlos, Antonio de la Torre, e constrói depois toda uma história, um suspense e um mistério meio sedutor e aterrador que baralha o espectador, esse que fica à deriva num filme em que não sabe se deve ou não gostar de Carlos.

Carlos é uma personagem enigmática, tanto o vilão como o herói da história, a profundidade que La Torre conseguiu dar neste desempenho é irrepreensível. Jogando com poucas palavras, são os olhares, os gestos e os trejeitos no seu rosto que comunicam com o público do outro lado do ecrã.

Também com uma fotografia belíssima e uma direcção de arte bem polida, Cannibal apenas falha redondamente no excessivo tempo que demora a que aconteça alguma coisa na acção do filme. É talvez o mais parado dos filmes desta edição do MOTELx e era visível as caras enfadadas de alguns elementos do público, isto apenas revela o grande problema de controlo de tempo que Cannibal tem.

The Guest – 8/1013890-1

Adam Wingard volta ao certame do MOTELx, depois de no ano passado ter projecto o sangrento You’re Next na cerimónia de encerramento da 7ª edição do festival, desta feita com The Guest que, novamente, não é um filme de terror mas antes um thriller com alguns elementos sim, mais macabros.

Esta é uma sólida surpresa na programação deste ano do festival, elogiado pela crítica e fazendo a delícia do público em geral, The Guest é um filme que se aproveita imenso em sala. Uma obra de entretenimento bastante bem executada que consegue conciliar na perfeição o humor com a acção num argumento bastante bem executado.

Desde os jogos de cores aos actores escolhidos, The Guest é eficaz, um filme bem executado, realizado e concretizado. Sem dúvida uma longa que não vais querer perder nesta 8ª edição do festival de terror.

Open Windows – 4/10

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Por onde começar… Uma vez mais não é filme de terror, é antes um pseudo sci-fi que tenta ser algo tão maior do que aquilo que realmente é. O argumento esforça-se ao máximo para parecer inteligente, lógico e criativo ao mesmo tempo, mas nada disto é transmitido ao público que se debate durante os 100 minutos de duração porque começa a ficar saturado de tanta estupidez junta.

Primeiro de tudo os actores. O caso é tão grave que nem sabemos quem está pior, Sasha Grey na sua tentativa de agora ser actriz mainstream ou Elijah Wood que continua a afundar a sua carreira em papeis e filmes mediocres. Depois o argumento, carregado de plot holes (inconsistências argumentativas) e falhados plot twists, e finalmente, talvez a parte mais aterradora de todo o filme, uma nova interpretação ao género found footage.

Found footage é um género que tem estado a reinar cada vez mais no cinema de terror, basta ter como exemplo o Paranormal Activity, ou até o clássico de culto, Blair Witch Project. O problema aqui é que houve uma reinterpretação deste género, desta feita com janelas de computador e umas dezenas de webcams. Se é criativo, é. Mas talvez tivesse havido uma razão para nunca antes termos visto algo do género, porque simplesmente não resulta numa longa-metragem.

All Cheerlearders Die – 5/10living-cheerleaders-in-ALL-CHEERLEADERS-DIE-e1399531018654

Este é, antes de tudo, um filme de um realizador que se está a divertir. Um filme que não se leva minimamente a sério, e por isso mesmo é um filme que serve apenas para entretenimento. Um filme que conseguiu divertir a sala cheia do São Jorge e apesar de ser ridiculamente mau, o filme acaba por se tornar bom.

Este é o clássico “é tão mau que se torna bom”, uma longa-metragem de terror que se transforma rapidamente numa cómica caricatura do que é a vida de secundário nas escolas norte-americanas.

Ou seja, apesar de os actores serem maus, a fotografia desinteressante, os efeitos especiais horrendos e a banda-sonora demasiado ruidosa, All Cheerleaders Die promete muitas risadas por ser tão estúpido e acaba-se por tornar numa boa surpresa de entretenimento ao fim de um dia repleto de sessões já assistidas.