Neste segundo dia de festival o MOTELx trouxe-nos algum do terror feito na Austrália, país que se tem cada vez mais afirmado no panorama da indústria terrorífica. Trouxe-nos também um dos filmes mais cómicos de todo o certame, Life After Beth, que acabou por se revelar numa óptima surpresa. O Espalha-Factos esteve a acompanhar e conta agora como foi o segundo dia do festival mais assustador de Lisboa.

  Recheado de horror australiano, o segundo dia do festival contou com a 2ª projecção do The Babadook, filme que terá estreia nacional nas salas de cinema no próximo mês e que se revelou numa das maiores atracções desta edição do MOTELx. Contou também com a sequela ao Wolf Creek, nove anos depois de o primeiro ter estreado nos cinemas. Já na última sessão, apresentado num Tivoli bem composto, chegou um pouco de humor americano através de Life After Beth, um filme que se afirma quase como uma paródia zombie.

The Babadook – 6.5/10BAB3865-Edit-640x356

The Babadook é um filme com pontos interessantes, mas de nada mais significativo. Apesar de ser eficaz na criação de suspense raramente tinha sucesso a concretizá-la em grandes sustos na plateia e apesar de ter como ponto central um demónio com toques de expressionismo alemão que se invocava através de um distorcido livro de histórias para crianças, a história caía facilmente na abundante maré de clichés que mergulha todo o género de terror como este subgénero.

E o grande problema de The Babadook é mesmo o facto de não ser criativo. É mais do mesmo, um filme que quando acabamos de o ver nos faz indagar se já não tinhamos assistido a algo muito parecido, um filme que daqui a um ano ninguém lembrará simplesmente pelo facto de não trazer nada de novo ao panorama e à indústria do horror, um filme que não conseguiu aproveitar as potencialidades do seu próprio vilão roubando-lhe o possível carisma que poderia ter com decisões erradas de realização ao mostrar demais ou simplesmente não controlar os timings do suspense.

Mas como obra de entretenimento o filme está longe de ser mau, é razoável, tem uma actriz principal, Essie Davis, que suporta o filme nas suas costas e entrega um performance bastante sólida e arriscando-se a ficar conhecida como uma verdadeira scream queen australiana. É também um filme com um excelente elenco infantil, esse encabeçado por Noah Wiseman, primeiro filme da carreira do jovem actor.

Wolf Creek 2 – 4/10Wolf-Creek-3

Passados nove anos finalmente chega uma sequela de Wolf Creek aos cinemas, uma sequela que poderia nunca ter visto a luz do dia. O filme é mau, não há quase mais nada a dizer. Apesar de se tentar justificar a si mesmo ao revelar ao público que alguns factos se baseiam em histórias verídicas o aviso não cola e o espectador não sente medo durante os medonhos 106 minutos de duração.

Mergulhado num argumento fraquíssimo, um vilão irritante e sem carisma e um herói que ninguém quer saber, Wolf Creek 2 arrasta-se durante o que parece uma eternidade para o espectador mas que na realidade não passam mais do que uma hora e 40 minutos. Sendo também uma sequela é natural que este fosse buscar algo do filme anterior, mas o que aconteceu aqui apenas revela a falta de criatividade da parte de Greg Mclena, tanto como realizador como argumentista, já que Wolf Creek 2 tem basicamente a mesma história, o mesmo desenvolvimento da acção e a mesma conclusão, apenas com actores diferentes.

Em suma, uma sequela que chegou quase uma década depois do original ter estreado, uma sequela que deveria ter ficado pelo menos mais uma década na gaveta para ver se as ideias e criatividade surgissem.

Life After Beth – 8/10

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A estreia de Jeff Baena na cadeira de realização, ele já tinha trabalhado como argumentista ao lado de David O. Russel em I Heart Huckabees, foi bastante sólida. Num filme repleto de humor, roçando por vezes até o humor negro, Life After Beth promete meter todo o público às gargalhadas e a sala, quase cheia, do Tivoli ontem não foi excepção e acabou por ser contagiada pelo riso com um filme que de terror tem pouco e que se afirma mais como uma paródia.

Com um fenomenal trabalho de elenco, ele bastante sólido e repleto de caras conhecidas do grande ecrã, o filme sobreviveu muito da prestação de Dane DeHaan que se vem confirmando cada vez mais como um dos grandes talentos da sua geração, a sua performance foi eficaz e houve uma entrega total por parte do actor. Já nas suas especificidades mais técnicas temos uma fotografia interessante, uma banda-sonora que acompanha perfeitamente a acção e um argumento peculiar que consegue fazer uma conjugação entre o género de terror e o de comédia.

Em suma, uma boa surpresa no meio da programação do festival, não que se afirme como o melhor filme de terror do MOTELx’14, já que de terror ele tem pouco, mas é um filme que contínua a fazer todo o sentido num tipo de festival como este e que serve perfeitamente como o comic relief de toda esta oitava edição.