O MOTELx chega novamente à capital portuguesa e desta vez traz consigo talvez o seu melhor lineup de todas as edições feitas até hoje. O Espalha-Factos está a acompanhar e conta-te como foi o primeiro dia do festival mais assustador do ano.

Num dia preenchido por sangue, mortes e gritos, o primeiro dia estreia com dois filmes que não podiam ser mais opostos um do outro. De um lado temos uma grande produção repleta de coreografadas lutas com The Rai2, do outro temos a simplicidade de um filme mais indie que se concentra na dimensão humana e psicológica de um assassino em série.

 The Raid 2 – 6.5/10The-raid-2-final-fight

Gareth Evans depois de ver o seu filme The Raid: Redemption ser projetado na 6ª edição do MOTELx, em 2012, volta a fazer parte do certame oficial do festival, agora com a sequela The Raid 2.

Este é um filme que se centra, essencialmente, nas suas capacidades técnicas. Ora temos um plano meticulosamente enquadrado, uma luta perfeitamente coreografada, uma fotografia extremamente bem elaborada. Os cuidados e atenções para com a generalidade das componentes técnicas deste filme são extremas e fazem com que o mesmo seja irrepreensível nesse campo. Mas se por um lado temos uma parte técnica imaculado, por outro temos um role de más decisões tanto da equipa de argumentação como de realização.

Antes de tudo o filme peca imenso pela sua excessiva duração, com mais de 150 minutos – aproximadamente duas horas e meia – a película começa a perder a força que tem nos seus primeiros minutos, começa a ficar repetitiva e de tal modo desinteressante que a batalha final em vez de se tornar na cereja no topo do bolo é antes motivo para que o espectador revire os olhos e se certifique no relógio que o filme está a acabar.

Em suma, quando as luzes acendem e o público sai da sala, o espectador apenas pensa sobre há quanto tempo não via a luz do sol, fazendo com que toda a storyline e as perfeições técnicas fossem renegadas para segundo plano graças ao excessivo estender da longa-mentragem que se revela num autêntico show-off de lutas coreografadas, essas que nos primeiros momentos impressionam o espectador, mas que no final apenas lhes arranca um bocejo.

Der Samurai – 7/10

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O segundo filme do dia a que o Espalha-Factos assistiu foi Der Samurai, uma peculiar obra do alemão Till Kleinert que se encontrava em sala para apresentar o mesmo. Desde logo o discurso de apresentação da película, por parte do realizador, foi interessantíssimo. Kleinert comparou este filme a música, não uma música em específico, mas antes aquele tipo de música que se apresenta aos amigos numa qualquer festa quando se está a tentar construir o ambiente para outra canção que apenas o dj gosta.

Com isto quer Till Kleinert dizer que este seria um filme construído num, digamos, crescendo. Um filme que começa bastante tímido, numa história que parecia já tanto vista no cinema de terror (uma criatura que atormentava uma aldeia e um polícia que investigava o caso), mas que rapidamente se foi desenvolvendo em algo muito mais intimista e totalmente criado pela cabeça do próprio realizador. Der Samurai transforma-se de um filme banal, como aquelas músicas de criar ambiente numa festa, para algo que roça o nonsense cheio de referências filosóficas à alma e aos tabus da sociedade.

Der Samurai é um filme corajoso, um filme de um realizador muito jovem que não tem medo de arriscar e, se por um lado o argumento se perde no meio de tanta estranheza e invulgaridade, também é lá que ele encontra os seus pontos mais fortes. Um filme que promete não deixar ninguém indiferente, ao contrário de The Raid 2. Uma película que promete apaixonar alguns, como também franzir o nariz a outros.