A estreia da sequela de Jardins Proibidos aconteceu ontem. A novela que há 14 anos apaixonou um país inteiro teve uma estreia de sucesso com uma audiência impressionante. Teresa e Vasco estão de volta as noites da televisão nacional, mas a história apaixonante perdeu-se pelo caminho.

Foi a primeira vez em Portugal que se fez uma sequela de uma novela e foi também a primeira vez que a estreia aconteceu “dentro” de outra novela. O Beijo do Escorpião teve início a seguir ao Jornal das 8 e as personagens pararam para se sentarem a ver Jardins Proibidos: uma publicidade disfarçada ao longo dos episódios que antecederam o da noite de segunda-feira e um aumento de interesse crescente para quem tinha o hábito de seguir a novela da TVI.

Se os Jardins Proibidos como os conhecemos terminaram com um amor – supostamente – inquestionável entre Vasco e Teresa, a sequela começa precisamente com a notícia da separação dos dois. Com cada um para seu lado e uma filha pelo meio, a história vai voltar a insistir em triângulos amorosos e nas questões de amores interclassistas, o que era desnecessário. Isto porque passados 14 anos de um casamento, já deveríamos ter uma família, no mínimo, conformada e não em constante revolta e negação.

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Como tudo tem defeitos e qualidades, Jardins Proibidos não podia ser exceção. Se há pormenores que enfraquecem a novela, há outros que lhe conferem uma beleza e um potencial inquestionáveis. Como o constante (re)apaixonar por Lisboa. A criação que fez da ficção nacional aquilo que ela é hoje, não esquece as origens e faz questão de mostrar aquilo que tem de melhor: o lugar onde é feita. As paisagens da cidade foram imagens recorrentes e, só por isso, já nos deslumbramos outra vez.

Mas não pela história, que infelizmente não soube aproveitar o potencial que tinha. De sucesso há 14 anos e com um país inteiro expectante pela continuação, Jardins Proibidos tinha ainda outro trunfo na manga: os temas atuais que foram incluídos na história. Adolescentes viciados em smartphones e redes sociais, manifestações de um país descontente e pais no desemprego foram aspetos não esquecidos e que se espera que sejam desenvolvidos com o desenrolar da história.

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Pena mesmo é que estas qualidades e ideias com potencial se percam num argumento pouco cativante e num elenco pouco apaixonante. Se nomes como Vera Kolodzig, Pedro Granger ou Lurdes Norberto são capazes de manter o que deles era esperado, o mesmo não se pode dizer das várias novas aquisições para a sequela.

Personagens e história à parte, a estreia revelou-se um sucesso. Segundo dados da Marktest, com 16,8% de audiência média e 34,3% de quota de mercado, Jardins Proibidos foram acompanhados por um milhão e 620 mil pessoas. Mesmo assim, a concorrência não se deixou apagar e Sol de Inverno foi o segundo programa mais visto com um milhão e 402 mil espectadores.

Jardins Proibidos são escritos por Manuel Arouca e marcam o regresso de José Eduardo Moniz como consultor de ficção da TVI, após o seu trabalho a meio de O Beijo de Escorpião.