É um dos grandes nomes do panorama musical nacional atual. David Santos, mais conhecido por Noiserv, teve um dos melhores concertos do MUVI Lisboa’14, onde revelou não só um enorme talento mas também um grande à vontade com o público. Foi igualmente um dos primeiros galardoados da primeira edição do festival, com o videoclip de This is maybe the place where trains are going to sleep at night a sair vencedor da competição Canções Com Gente Dentro.

No final da sua atuação no Showcase do MUVI e depois de dar autógrafos e vender alguns álbuns ao público presente, o músico teve ainda tempo para uma breve mas interessante conversa com o Espalha-Factos, onde falou do panorama musical em Portugal e confessou ter em mente um projeto em língua portuguesa para o futuro.

Espalha Factos (EF) – Olá David. Tens um som muito típico, muito original, e sendo assim uma pessoa ouve uma música tua e diz logo: “Este é o Noiserv”. O que nos leva a perguntar quais as bandas ou artistas nos quais te baseaste para a tua música, ou seja, quais são as tuas referências.

David Santos (DS) – A questão das referências e influências é sempre uma coisa meio complicada, pelo menos para mim. Há aquele pessoal que pensa “bem, vamos fazer uma banda parecida com aqueles”, eu nunca tive essa atitude. Portanto, poderão ser referências ou influências aquilo que eu ouvi mais vezes. Serão Pearl Jam, Radiohead, Sigur Rós, Explosions in the Sky… Não sei se são referências ou não, mas é aquilo que eu mais ouvi desde sempre, por isso isso tem que lá estar [no meu som], se é que está.

EF – Achas que o panorama musical em Portugal é propício a um estilo de música como o teu, muito fora do usual, ou para outros jovens músicos que queiram singrar neste mundo?

DS – Acho que se vive, pelo menos desde que comecei a fazer música há quase 10 anos atrás, numa altura em que o público está mais interessado por aquilo que é feito pelas pessoas portuguesas, independentemente do estilo. E isso pode levar ou incentivar qualquer pessoa a fazer uma coisa em qualquer estilo que seja. No meu estilo em particular… Eu nunca penso muito nisso, porque não ia mudar de estilo se sentisse que ao mudar as coisas iriam resultar melhor. Portanto eu acho, claro, que há vários géneros e várias escalas, e há pessoas que vendem 100.000 discos, outros que vendeu 2.000 e outros que vendem 200. Acho que são todos válidos e cada vez mais há público para essas pessoas todas. Desde que se saiba a dimensão que se tem, deve-se sempre arriscar.

EF – Tens projetos no futuro para cantar em português, visto que a tua carreira é praticamente feita exclusivamente em inglês?

DS – É assim… não tenho nada de futuro, tenho ideia de um dia, não sei quando, fazer um disco em português. Não sei se será o próximo se será o outro a seguir.

EF – O que podemos esperar de ti no futuro para além de um trabalho em português? Um projeto mais inovador? Queres alargar-te a um outro género musical?

DS – É sempre complicado dizer como vai ser o próximo disco porque eu tento ser sempre o mais sincero possível com aquilo que são as minhas emoções. Portanto, nunca consigo dizer “agora o próximo disco vai ser completamente diferente”, porque se eu for uma pessoa mais ou menos parecida com a pessoa anterior, é normal que o género seja parecido. Não prevejo uma mudança drástica de estilo. Prevejo uma mudança qualquer, porque há sempre mudanças, porque entretanto descubro um instrumento novo que não tinha no disco anterior e esse instrumento novo faz, por exemplo, uma ou duas canções, logo essas uma ou duas canções serão diferentes das anteriores. Mas acho que o que se pode esperar não é nada de totalmente inovador, será sempre uma continuidade, porque ao ser uma pessoa só e tentando ser sempre o mais sincero possível com aquilo que estou a fazer… Eu na minha vida também sou uma pessoa contínua com aqueles que estão à minha volta, por isso a minha música também tem que ser assim.

EF – Ainda bem que referes o assunto dos novos instrumentos, porque a próxima pergunta é: tens mais algum instrumento ou mais algum som que gostasses de acrescentar ao teu reportório?

DS – Eu sou quase como que um bocado viciado nisso, estou sempre a comprar instrumentos. Desde que sejam pequeninos e não sejam muito caros e tiverem um som engraçado, acabo sempre por comprar. Portanto, entre discos acabo sempre por ter mais vinte ou trinta instrumentos que não tinha antes, e isso acaba por ser muitas vezes aquilo que eu uso no disco a seguir. Não consigo dizer em particular que instrumentos é que tenho, mas tenho já alguns sons que não usei neste último disco [Almost Visible Orchestra], que poderão vir nos próximos. E por isso a novidade também poderá vir sempre por aí.

EF – Há ainda uma pergunta que gostaria de fazer por mera curiosidade e que é a de muitas pessoas que te vêem pela primeira vez a tocar. Se te enganares numa nota, aquele erro fica sempre gravado. Se isso acontece num concerto ao vivo, como é que dás a volta à situação?

DS – Num concerto ao vivo tenho que, naqueles pequenos segundos antes da nota repetir, perceber se o que toquei é assim tão mau que vá estragar a música toda, nesse caso tenho que parar e começar a música toda do princípio, ou se não for assim tão mau e estiver dentro da escala, a música fica ligeiramente diferente, mas fica, entre aspas, uma versão diferente da canção. Mas esse risco do erro acontecer e ficar gravado é uma coisa que pode sempre ocorrer e se calhar em vinte concertos acontece uma vez. Eu já estou habituado em tentar gerir isso num concerto.

EF – E pronto, é só. Obrigado.

DS – Obrigado eu.

Fotos retiradas do Facebook do MUVI Lisboa’14