Foi com três sessões totalmente dedicadas aos vencedores das diferentes competições que terminou o MUVI Lisboa’14, um festival cuja primeira edição correu muito bem no Cinema São Jorge. Desde os bons filmes passados nas várias salas até aos grandes concertos do Showcase, sem esquecer as interessantes sessões especiais e o constante excelente ambiente que por lá se viveu, este é um evento ao qual muitos querem voltar para o ano.

A primeira sessão do dia foi Mudar de Vida: José Mário Branco, vida e obra, documentário sobre o músico português, que ganhou o prémio do público (ler crítica do Espalha-Factos). Logo a seguir o público viu e reviu os melhores trabalhos nacionais exibidos no MUVI. O videoclip vencedor da competição Canções Com Gente Dentro, This is maybe the place where trains are going to sleep at night de Noiserv, abriu a sessão, seguido da maravilhosa curta metragem Oblivion de Paulo Segadães, que o júri do festival (e também o EF) considerou o melhor de todos os Sonetos Cantados. A Sétima Vida de Gualdino (ler crítica do EF), de Filipe Araújo, que havia conquistado a maior distinção do certame, voltou a convencer as pessoas que quiseram conhecer a grande figura que Gualdino Barros é.

A noite fechou com os galardoados do Palco Internacional. Foram eles:

Moving On dos James e Singing Man dos Magnus feat. Thomas Smith

Dentro da competição Canções Com Gente Dentro, os grandes vencedores foram os James, na categoria da animação, e os Magnus, na ficção.

Moving On, realizado por Ainslie Henderson não é apenas um videoclip. É uma pequena mas comovente história contada através de bonecos feitos de corda, como se fosse uma curta metragem. A soberba música dos James ajuda a que as emoções provocadas pelo vídeo sejam mais fortes, o que culmina num momento tocante. Singing Man é outro vídeo musical muito bem elaborado, embora num registo totalmente diferente do dos James. Realizado por Sander van de Pavert, o videoclip reúne imagens de concertos de artistas como The Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, etc. e Pavert tem o grande mérito de coordenar os movimentos da boca de cada músico com o tema dos Magnus feat. Thomas Smith. O resultado é, sem margem para dúvidas, um vídeo excecional.

12 Years of DFA: Too Old To Be New, Too New To Be Classic – Max Joseph (2013)

Este mini documentário de apenas 14 minutos é talvez o mais divertido de todo o MUVI Lisboa’14 e por isso venceu a competição internacional dos Sonetos Cantados. Foca-se na curta história da DFA Records, a icónica editora discográfica de Nova Iorque, que lançou álbuns de LCD SoundsystemThe Rapture e Holy Ghost!, entre muitos outros. Com um visual bastante apelativo e energético e entrevistas divertidíssimas, Max Joseph conseguiu transmitir a ideia de que em apenas 12 anos a DFA criou um estilo muito típico e um ambiente muito agradável entre os músicos e trabalhadores que frequentam as suas instalações.

Nota – 9/10

Too Old To Be New, Too New To Be Classic: 12 Years of DFA

Que Caramba es la Vida (Das schöne Scheißleben) – Doris Dörrie (2014)

O júri do MUVI Lisboa’14 e o público foram unânimes na escolha da melhor das Odisseias Musicais internacionais. Que Caramba es la Vida é realizado por uma alemã e foca-se (pelo menos durante a primeira metade do filme) nas mulheres mexicanas que conseguem entrar no mundo machista Mariachi.

Mergulhamos de cabeça no México onde conhecemos várias mulheres que à primeira vista parecem ser normais. Mas a verdade é que Estrallas de Jalisco, Guadalupe Aguilar Parra, Magdalena Berrones, María del Carmen e muitas outras são verdadeiros testemunhos de coragem e determinação, já que conseguiram ingressar no mundo Mariachi que ainda não aceita totalmente pessoas do sexo feminino. A primeira parte do documentário é cativante, recheada de episódios e vivências de indivíduos que ainda se deparam com muitas dificuldades em ingressar totalmente num universo musical dominado pelos homens, mas quando a realizadora Doris Dörrie entra no lar das várias artistas, começa a desviar as suas câmaras do assunto principal, e vê-mo-nos perante um documentário totalmente diferente. Partindo das preocupações de algumas mães com o futuro das filhas, Que Caramba es la Vida mostra também a crua realidade que se vive no México, desde as drogas à prostituição infantil. Somos depois absorvidos para dentro da cultura mexicana, marcada pelo macabro, já que uma das principais santas do país é… Santa Muerte, um esqueleto com vestes semelhantes a tantas outras figuras divinas. Mas por muito interessante e ao mesmo tempo chocante que tudo isto seja, a ideia final com que ficamos do filme é que se afastou em demasia do tema que quis tratar desde início.

Nota – 7/10

que caramba es la vida