Ariana Grande não é desconhecida para os fiéis ouvintes de rádio comercial devido à quantidade de vezes em que o single Problem toca ou pela mais recente participação na canção de Jessie J, Bang Bang, ao lado da rapper Nicki Minaj. My Everything, o novo disco da cantora, é lançado pela Universal Music e revela-se uma surpresa positiva em relação ao, de certo modo, monótono antecessor.

Yours Truly, o primeiro disco de Ariana lançado no ano passado, deu a conhecer ao público uma nova e jovem cantora com uma voz miraculosamente boa numa época em que a maioria das artistas pop utilizam tecnologias para modificarem e melhorarem as qualidades vocais. Canções como The Way, Baby I ou Right There acabaram por fazer os críticos compararem a voz da artista à época de Mariah Carey nos anos 90 – bem mais honesta do que a atual, com The Elusive Chanteuse. Mas houve sempre algo a faltar na imagem de Ariana Grande para a tornar num fenómeno mundial.

O momento em que os holofotes começaram a virar-se para cantora aconteceu com o lançamento de Problem, o primeiro single de My Everything, que contou com a participação da rapper Iggy Azalea, também a construir um caminho iluminado no mercado pop apesar de estar um pouco afastada dessa sonoridade. Com o lançamento do segundo single Break Free, produzido pelo agora reconhecido Zedd, e da participação em Bang Bang, ao lado de Jessie J e Nicki Minaj, é agora lançado o seu segundo disco para todas as lojas e plataformas digitais.

Ariana-Grande-My-Everything

My Everything apresenta uma Ariana Grande com uma imagem um pouco sexualizada, processo já iniciado com Problem, e são poucos os momentos em que é sentido honestidade e um sentimento puro nas canções do disco. Essa ausência de pureza no disco, a contrastar com a voz magnífica de Ariana, é sentida maioritariamente pela quantidade de rappers que participam nas canções. One Last Time, uma das melhores canções, Why Try, Just a Little Bit of Your Heart (escrita por Harry Styles dos One Direction) ou a canção-título são os únicos momentos que relembram a cantora na época do seu primeiro disco. Be My Baby, Break Your Heart Right Back ou Love Me Harder são exemplos de momentos para encher espaço e são a falha neste álbum.

Break Free apresenta uma cantora camaleónica, ao apresentar-se tão apta para interpretar uma sonoridade house e preparada para as pistas de dança. Apesar da fraca qualidade lírica é de prezar pela escolha da cantora em sair da zona de conforto. Best Mistake é também uma das melhores surpresas de My Everything e uma das canções, quem sabe, mais sinceras no que diz respeito a amor. Retirava-se unicamente Big Sean, tal como quase todos os rappers das canções.

Apesar da imagem mais sexualizada da cantora – parece, na minha modesta opinião, estar a seguir os passos da fórmula Britney Spears – credibilizada em algumas canções, os momentos mais puros e fortes acabam por se perder. Quem é que vai levar a sério uma rapariga a cantar “you’re my everything”, ao som de um piano, depois de cantar a plenos pulmões “put your hands on me” com uma voz masculina a acompanhar?

Digamos que Ariana Grande está, até agora, a traçar de uma forma correta o caminho no universo pop e com êxitos extraídos de My Everything. Mas até que ponto é que traz algo de novo à música?

Nota final: 7/10

Podes ver, mais abaixo, o teledisco do Break Free: