Frankenstein, de Mary Shelley, foi escrito em 1818 com o título Frankenstein; or, The Modern Prometheus, tinha a sua autora vinte anos. É uma história brilhante, que mostra o que acontece quando um homem decide elevar as suas ambições ao ponto em que quer fazer de Deus e, com isso, acaba por criar uma abominação que o lança num imenso desespero que se torna cada vez pior a cada dia que passa.

A história está dividida em três volumes, começando com uma série de cartas que um indivíduo de nome Robert Walton envia à sua irmã Margaret, relatando uma expedição que faz ao norte, até que encontra e resgata um desconhecido perdido. É-nos então apresentada a história de Victor Frankenstein, um homem muito entusiasmado com a ciência. Na faculdade, ele aprende bastante com os seus professores, acabando por desenvolver uma capacidade para reanimar tecidos mortos, o que o vai levar àquela que seria a sua mais terrível criação.

A forma como o famoso Monstro foi criado não é muito detalhada, mas o facto de a história ser escrita na primeira pessoa leva a que percebamos os dilemas pelos quais Frankenstein está a passar e os receios que sente à medida que a sua criação se aproxima da completação. Assim que o Monstro ganha vida, abre os seus olhos e começa a respirar, Frankenstein foge, sentindo-se repugnado pelo que vê. O Monstro desaparece então, acabando por viver durante uns tempos longe do seu criador. Passado algum tempo, Frankenstein regressa a sua casa, descobrindo que o seu irmão mais novo havia sido assassinado. Desconfiado que tal ato foi obra da abominação que criara, o cientista foge para as montanhas, onde acaba por ser encontrado pelo Monstro, que lhe conta o que lhe aconteceu depois de ter desaparecido e lhe pede para criar uma companheira, para não se sentir sozinho, uma vez que não é aceite pela sociedade devido ao seu aspeto.

Frankenstein é uma história trágica sobre um homem que tentou fazer de Deus e teve a sua vida arruinada pela sua própria criação. À medida que vamos acompanhando o relato do jovem cientista podemos vê-lo a entrar numa espiral de desespero à medida que as pessoas mais importantes à sua volta começam a desaparecer. A narração é sublime e dramática, com um vocabulário típico de uma obra do século XIX. Não há uma grande predominância de diálogo ao longo da história, preferindo seguir o formato de um relato da vida do protagonista, desde o seu auge até à sua queda. Contudo, quase todo o segundo volume foca-se na história que o Monstro conta ao seu criador, levando-nos a sentir alguma empatia pelo mesmo, devido a todas as provações que sofreu, na sua ânsia de ser aceite.

Esta é uma excelente história, bastante aclamada ao longo dos anos, levando a inúmeras adaptações que envolvem cinema, teatro, séries de televisão e até mesmo videojogos. Contudo, foi no cinema que a história do Monstro mais foi explorada, sendo a versão de 1931, com Boris Karloff no papel do icónico Monstro, uma das mais conhecidas.

Esta é uma história sem um final feliz, sobre a loucura humana e da ânsia do homem em querer elevar-se acima do que lhe é permitido, acabando por criar um horror com que não consegue lidar. Para quem sempre teve curiosidade de saber como foi a história que deu origem a um dos mais famosos monstros de todos os tempos, Frankenstein é uma excelente leitura.

Nota final: 10/10