Casado à Força

Casado À Força: o renascer de Thalia, a deusa e musa da comédia

Desde 14 de agosto que a Yellow Stay Company ressuscita de quinta a domingo a deusa e musa da comédia, Thalia. Em pleno Teatro Thalia, junto ao Jardim Zoológico de Lisboa, os atores Vítor Norte, Patrícia Tavares, João Lagarto, Tiago Costa, José Neto e Eduardo Molina dão vida a Casado À Força, ‘uma comédia desconcertante‘ de Moliére. A encenação e a adaptação ficou a cargo de Paulo Sousa Costa. O Espalha-Factos foi à sessão especial adaptada para invisuais de Casado À Força e faz-te agora a crítica não só da peça como de todo o ambiente criado no Teatro Thalia, 150 anos depois.

À entrada do Thalia somos brindados pela seguinte frase: “Hic Mores Hominum Castigantur” (aqui serão castigados os costumes dos homens)O regresso da comédia ao Teatro Thalia fez-se com uma peça de teatro curta, mas eficaz, sobre os costumes da humanidade. Com um argumento simples mas com potencialidades várias, Casado À Força aborda a vida tal e qual como ela é: “a vida mundana, as dúvidas da existência e a procura da felicidade“, como nos diz Paulo Sousa Costa, encenador e responsável pela adaptação. Este é um espetáculo que diverte o espetador, sendo ele próprio alvo de um diálogo com as personagens, ao mesmo tempo que o faz refletir sobre a sua própria vida ‘mundana’.

O enredo é simples: um homem decide casar. Depois decide que talvez seja melhor não casar. De seguida, pensa que o melhor mesmo é perguntar a dois filósofos qual a opinião deles. No fim, é obrigado a casar. Pelo meio, luta com tudo o que mexe, filosofa parvoíces, fala do dinheiro e do amor, da desilusão e do sucesso. Tenta acasalar a noiva, mas só consegue um valente ‘corno’, como o próprio reconhece. Assim se faz um Casado À Força.

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Um texto irónico de Moliére, em si um clássico, que é aqui adaptado subtilmente aos tempos de hoje (não precisava de uma adaptação profunda, tal é a atualidade) com novas expressões, novos momentos de comédia física, novos embaraços e novos tempos. O ritmo, esse é ditado pelo violoncelista que está sentado no canto direito do palco, e que ele próprio se torna um figurante capaz de ditar a história, qual maestro de guiões.

Em palco estão nove portas e um banco de pedra. Agora, ao invés das ruínas, a pedra bem vistosa dá cenário a Casado À Força. Somos imediatamente transportados para um tempo que não é este. Um tempo de deuses e deusas, tal como Thalia. A sala é pequena, mas da mesma forma que nos apercebemos disso, também reconhecemos a grandiosidade do edifício tal é a sua imponência. Esse efeito deve-se à altura e àquilo de que o Thalia é feito. Um pequeno monumento que serve de base a uma peça também ela clássica. Uma coisa é certa: esta é uma experiência que só este teatro pode oferecer, principalmente numa cidade cosmopolita como Lisboa.

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A sala cheia de público recebe Vítor Norte e logo se percebe que estamos perante personagens de séculos passados, com discursos que se misturam entre a filosofia antiga e o atual pensamento moderno. A luz recatada eleva-nos aos mais altos pensamentos filosóficos. Estamos prontos para pensar… e para soltar as mais eloquentes gargalhadas. Casado À Força começa com pancadas na madeira, como manda a tradição teatral, mas as pancadas continuam (“Você não sabe que é proibido bater num filosófo?”, pergunta a certa altura a personagem de João Lagarto) durante a peça quando as várias personagens usam o físico para fazer rir a plateia, sem cair – no entanto – no ridículo.

A improvisação também esteve ao mais alto nível. Vítor Norte e João Lagarto, principalmente, deram ‘show de bola‘ ao guião e conseguiram fazer das suas personagens uns belos entertainers para o público, dirigindo-se a este como parte integrante de Casado À Força. Patrícia Tavares também passou pelas brasas da improvisação, mas foi a encarnar a 100% a sua personagem que mostrou ser uma atriz não só versátil como rigorosa na sua representação sempre no ponto. Tiago Costa mostrou a sua versatilidade, primeiro encarnando uma das ciganas, e depois como galã numa prestação diferente do seu habitual, levando uma boa prestação no humor para o currículo.

Patrícia e Tiago

Casado À Força vai da filosofia brava à filosofia mansa, dos momentos mais calmos aos momentos mais picantes, dos momentos sem expressão até aos momentos em que as expressões, os passos, as mãos e todo o corpo humano é protagonista. O fim, então, é o assumir da nossa dimensão animalesca: quase como cavalos à volta de uma arena, consome-se a premissa inicial num ritual que aproxima esta peça de uma tourada. Olé!

A peça vai estar em cena até dia 6 de setembro, sábado, de quinta a domingo, às 21h30, na Estrada das Laranjeiras, nº 205.

Fotografias cedidas pela Yellow Star Company

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