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“Hollywood, tens cá disto?”: A Gaiola Dourada (2013)

Hollywood, tens cá disto? promete trazer, mensalmente, até nós aquilo que só Portugal nos dá: o Cinema Português. Não que de Hollywood não cheguem muitos títulos de qualidade, mas de Portugal, ao longo das décadas, têm sido muitos os grandes filmes de que pouco se fala. Esta é a rubrica certa para se falar deles. 

Portugal é um país encantador. A gastronomia, as pessoas, as paisagens, a cultura são os principais factores que deliciam os portugueses e que deixam os estrangeiros de queixo caído. Infelizmente, nem tudo são rosas. O nosso país tem cada vez mais problemas internos que acabam por “destruir” o encanto inicial. A Gaiola Dourada retrata todos aqueles que tiveram de emigrar mas que nunca perderam o carinho pelo nosso país.

Na década de 60, a fraca incapacidade dos principais sectores económicos conseguirem absorver a população que abandonava os campos e a fuga à Guerra Colonial fizeram com que muitos Portugueses emigrassem em busca de melhores condições de vida. A França acabava por ser o destino ideal, devido a uma fase de prosperidade económica e por garantir à população uma qualidade de vida muito melhor.

Podemos dizer que a família Ribeiro é um destes casos.  José e Maria Ribeiro (Joaquim de Almeida e Rita Blanco) residem em Paris há 30 anos sem nunca esquecer a ternura de Portugal. Estão tão integrados na sociedade que, no dia em que surge a possibilidade de concretizarem o sonho das suas vidas – regressar a Portugal, ninguém os quer deixar partir. Até onde serão capazes de ir a sua família, os seus amigos e vizinhos e, até mesmo, os patrões, para não os deixarem partir?

gaiola dourada

A Gaiola Dourada, para além de ser uma fita acolhedora, traduz-se numa comédia que aproveita, da melhor forma possível, os melhores detalhes da nossa cultura. O Futebol, o célebre bacalhau, os palavrões em excesso, os estereótipos mais conhecidos e o fado aliados ao enredo principal, criam peripécias hilariantes e um ambiente familiar para o espectador. Existem ainda vários trocadilhos para apimentar o diálogo bem como alguns erros históricos propositados.

O filme foi financiado através de uma produção francesa mas contém muitos nomes portugueses – que ocupam lugares importantes no argumento, realização e dão vida às personagens. A escolha do elenco procurou um balanço entre actores portugueses e franceses e acabou por se revelar numa aposta ideal. Tanto Rita como Joaquim de Almeida, que têm um papel emotivo, estão muito competentes e respondem da melhor forma ao desafio. Existem algumas pequenas surpresas, como por exemplo, a prestação de  Chantal Lauby, na interpretação de Solange Caillaux, uma personagem cheia de vida, requinte e sem papas na língua. Destaque ainda para a fabulosa Maria Vieira, que proporciona alguns dos momentos mais hilariantes do filme.

Não é complicado perceber porque é a que a Gaiola Dourada apaixonou tanta gente dentro e fora do país. A fotografia agradável, a banda sonora (brindada com toques de Rodrigo Leão e clássicos da música portuguesa) e os personagens apresentados pelo jovem realizador Ruben Alves, não deixam ninguém indiferente a este fenómeno.

Ficha Técnica:

Título Original: La Cage Dorée

Realizador: Ruben Alves

Argumento: Ruben AlvesHugo GélinJean-André Yerles

Elenco: Rita BlancoJoaquim de AlmeidaMaria VieiraRoland GiraudChantal Lauby

Nota: 7,5/10

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

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