Chega aos cinemas o blockbuster mais estúpido e hilariante do verão. Lucy, a mais recente obra de ficção científica de Luc Besson, que conta com Scarlett Johansson como protagonista, promete levar o público ao rubro enquanto se questiona: “mas que raios acabei de ver?”.

Esta é a história de Lucy (Scarlett Johansson) que se vê no meio de uma rede de tráfico de drogas. Depois de ser usada como forma de transporte de droga entre países, esta mulher rapidamente se transforma numa guerreira sem piedade que luta pela sua própria sobrevivência e que evolui para algo mais do que a própria lógica humana pode conceber.

Lucy de Besson é um filme curioso. É um blockbuster, de isso não temos dúvidas, mas ele não vive para agradar à generalidade do público, ele vive para agradar o próprio realizador. O argumento, também ele da autoria de Besson, é escravo da visão do realizador e com ele entramos numa dimensão completamente absurda neste que é quase um trash sci-fi, se é que isso existe. Por mais simples e aborrecida que seja a linha de orientação da narrativa (o desgastado tema da capacidade cerebral e de como os humanos apenas usam 10% da mesma), Luc Besson dá-lhe um fantasioso twist que faz com que este filme seja uma excelente obra de entretenimento quando comparada com outras num verão medíocre cheio de romances distópicos, heróis gregos em esteróides, macacos que falam e dinossauros radioactivos prontos a destruir Nova Iorque.

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Mas não criemos ilusões. Apesar de ser uma formidável obra de entretenimento, Lucy não é, nem será, uma grande obra do género de ficção-científica. O modo como a narrativa é construída e como a mesma se torna, facilmente, numa paródia de si mesma faz com que este filme não possa ser levado a sério, afirmando-se primeiramente como uma comédia do que como um sci-fi. Desta vez nem a respeitável presença e voz de Morgan Freeman consegue fazer com que este filme seja levado a sério pelo público que o assiste.

Em termos de prestações, este é um filme que é levado às costas pela sua protagonista que entra em quase todas as cenas do mesmo. Scarlett Johansson começa meio perdida, como se tivesse caído de pára-quedas no meio do set, e insegura da sua forma de representar aquela disfarçada heroína, no entanto, à medida que o cérebro da personagem se vai desenvolvendo, a prestação da mesma vai melhorando e cativando mais o público, gerando uma maior empatia com o mesmo. De barata tonta irritante a uma super-heroína cheia de carisma, Scarlett podia não ter sido a escolha óbvia para este papel, mas como tudo o resto neste filme ela cai ali por acaso e, sabe-se lá bem porquê, acaba por resultar.

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Já em termos técnicos não há nada que mereça grande ressalva, a banda-sonora é pouco memorável, a fotografia desleixada e a direcção de arte é mais do mesmo, com a maioria dos sets a serem inspirados num estilo oriental contemporâneo que vemos em centenas de filmes de acção. Os efeitos, digamos, especiais são no entanto arrojados, ajudando em muito a mergulhar na órbita absurda em que o filme entra nos seus minutos finais.

Em suma, Lucy é um absurdo e hilariante presente de Luc Besson para um público que está cansado de blockbusters repletos de clichés, histórias de amor melodramáticas ou comédias toscas num verão meio apagado. É uma lufada de ar fresco no mundo do entretenimento e um sacrilégio no mundo da ficção científica.

7/10

Ficha Técnica:

Título: Lucy

Realizador: Luc Besson

Argumento: Luc Besson

Elenco: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-Sik Choi

Género: Ficção Científica, Acção

Duração: 89 minutos

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.