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Bons Sons ’14: Um festival com gente dentro

Não seria justo falar do Bons Sons sem dedicar um capítulo às pessoas que o organizam e que o vivem. Elas são, afinal de contas, um dos pontos mais fortes deste festival.

Ao quarto dia já conhecemos os velhotes da aldeia, que todos os dias se sentam em frente à sua tasca habitual. Já conhecemos a menina de cabelo verde que nos borrifava com água nas tardes de calor escaldante. Já conhecemos o rapaz atrás do balcão, o segurança em frente da entrada.

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É acima de tudo um evento amigável e integrador. Sem a imensidão dos outros festivais citadinos, as pessoas com quem nos cruzamos tornam-se familiares, e quebram-se as barreiras entre desconhecidos. O artista que há 30 minutos atrás recebia aplausos do público desce do palco para ser ele a aplaudir os que para lá subiram. Caminham no meio de nós, tiram fotografias.

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Este ambiente conciliador, aliado ao cartaz com diversos estilos musicais, resulta num público extremamente variado. Veem-se dois idosos casados há 50 anos sentados num banco de mãos dadas. Passa à sua frente uma jovem mãe, a empurrar um carrinho com o seu bebé, seguida por um grupo de jovens a aproveitar o verão. Tão facilmente encontras aquele colega de faculdade que já não vias há uns quantos anos, como passas pelo bancário que era teu treinador de futebol quando eras criança.

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Com Sérgio Godinho vemos essa diversidade levada ao expoente. Junto às grades não há possibilidade de encontrar uma linha que descreva igualmente todos os presentes. No entanto, todos cantam as letras sem hesitação. Após a sua queda, foi em grande parte o público que acordou o espírito de guerreiro de Sérgio Godinho. Sem arredar pé, a entoar em uníssono e a todos os pulmões “Sérgio, Sérgio, Sérgio!” durante 15 minutos, eis que regressa um dos pais da música portuguesa. Com novas marcas de guerra na cabeça ainda a sarar, não desilude os seus seguidores. Um bonito momento de partilha, com a experiência dos mais velhos e a irreverência dos mais novos.

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Enquanto que em Sérgio Godinho foi a geração mais velha a mostrar serviço aos mais novos, com First Breath After Coma os papéis invertem-se. Todos se juntaram para ouvir esta formação de Leiria, que com uma atuação profunda não desiludiu. Era o fim do Bons Sons ’14, e a despedida fez-se lentamente pela noite dentro.

O facto de serem os habitantes da aldeia de Cem Soldos a organizar o festival faz toda a diferença, pois sentimos um enorme empenho para garantirem que tudo corra da melhor maneira possível. Fomos acarinhados por eles durante estes 5 dias, e só isso é um grande motivo para nos fazer querer voltar daqui a 2 anos.

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