O Sziget Festival reuniu bandas de mais de 41 países. Recordamos aqui alguns dos melhores concertos dos últimos três dias.

CeeLo Green trouxe essencialmente muita dança e algumas músicas conhecidas de bandas como Seven Nation Army, Pussycat Dolls e Spice Girls e foram Crazy (como Gnarls Barkley, numa dupla com o DJ Mouse) e, claro, o single com maior sucesso F*ck You!. De pouco dinheiro no bolso passamos para a banda que nos fez gritar Your Love Alone Is Not Enough. E os primeiros versos da letra foram o suficiente para compor o recinto. Tocava a banda inglesa do final dos anos 80, Manic Street Preachers. Os britânicos lançaram em julho deste ano o seu novo álbum, Futurology. Trouxeram clássicos como Motorcycle Emptiness, Everything Must Go, You Stole the Sun from My Heart e apresentam duas músicas do novo álbum: Futurology e Walk Me to the Bridge.

Ao mesmo tempo, no A38, a notícia de atraso de meia hora dos concertos não tinha chegado a todos, pelo que quando Kelis entrou num palco com um atraso de 20 minutos, o público já a esperava há quase uma hora, e foi recebida com assobios. Kelis limitou-se ao que sabe, pegou no microfone e cantou. Lá para a terceira música a plateia pareceu perdoar e dançou e cantou ao som de Trick Me. Apesar de ter lançado um álbum em abril deste ano, que traz uma Kelis com traços de R&B, soul e gospel, a cantora interpretou essencialmente músicas do álbum Flesh Tone, de 2010, com temas mais eletrónicos, dance e funk, nem a clássica Milkshake escapou de um remix. O que faz sentido no palco e festival onde o concerto decorria. Mas para os fãs de soul e blues, Food é um álbum definitivamente saboroso e que alimenta a alma. A crítica apontou-o como um dos melhores trabalhos produzidos pela cantora americana e nós desafiamos-te a confirmar.

kelis

Os Crystal Fighters foram uma das bandas mais aguardadas do penúltimo dia e quem mais gente trouxe ao A38. A banda traz uma junção de géneros, instrumentos, emoções e elementos teatrais que nos levam para outro universo. Um mundo paralelo, onde somos submersos em notas de folk com inspiração na música tradicional do País Basco, mas com uma moderna presença de ritmos eletrónicos e technos. Em cada música há uma entrega e paixão que tornam o concerto da banda espanhola e inglesa num dos melhores que passou pelo palco A38. Sebastian Pringle, vocalista, alternou entre temas dos seus dois álbuns, Star of Love (2010) e Cave Rave (2013). Solar System , L.A. Calling , You & I, Bridge of Bones e  Love Natural, foram as músicas mais cantadas pelo público.

Calvin Harris, recentemente nomeado pela revista Forbes como o DJ mais bem pago do mundo, abriu com Feel So Close e moveu uma multidão em direção ao palco onde teve lugar a festa de encerramento do festival.

Infelizmente a programação obrigou-nos a escolher entre Calvin Harris e La Roux, o que significou deixar a festa de encerramento para trás. Mas há coisas positivas nisso. Com a grande maioria dos presentes no palco principal, foi possível respirar e movimentarmo-nos sem problemas no palco secundário, onde La Roux abriu com uma das novas músicas do álbum Trouble In Paradise, Let Me Down Gently.

O novo álbum surge com o anúncio do fim da dupla entre a cantora Elly Jackson e Ben Langmaid, que terá dado início ao projeto musical (terá sido a inspiração do título do álbum?). O fogo de artificio levou alguns dos presentes a saírem da tenda durante Tropical Chancer, mas em nada afetou a performance de Elly Jackson, que encarou isso como um incentivo para provar aos que não arredaram pé que as explosões de música eram melhores que as de cores que se viam lá fora. Os presentes não só sabiam de cor os sucessos In For The Kill, Tigerlily, Colourless Colour, como, como as novas músicas, mais lentas e com toques tropicais de reggae e disco. O concerto fechou com a poderosa Bulletproof, que deu aos presentes um boost de energia para as várias tendas com DJ’s que garantiam música até ao nascer do sol.

laroux

Cerca de 415.000 pessoas passaram pelo Festival. Uma semana com música que passou por todo o espetro de géneros musicais e experiências possíveis numa ilha que por uma semana se tornou numa espécie de República independente.

A organização já marcou datas para o próximo ano. A Ilha da Liberdade volta a abrir portas entre 10 a 17 de agosto e promete ainda mais novidades que irão continuar a surpreender os fãs, que garantem que depois da experiência Sziget, nenhum outro Festival é bom o suficiente.

Reportagem: Liliana Borges, do The Budapest Times, em colaboração especial com o Espalha-Factos.