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O Assassinato de Roger Ackroyd: Cada suspeito guarda um segredo

Já há muito me aconselhavam a experimentar as histórias policiais da aclamada autora Agatha Christie. Finalmente resolvi experimentar neste verão, começando com O Assassinato de Roger Ackroyd (título em inglês: The Murder of Roger Ackroyd). Não só li uma história que me deixou intrigada com cada uma das personagens que a compões, como ainda teve um twist final que deixa definitivamente no leitor a vontade de reler esta obra uma segunda vez com olhos mais atentos.

O Assassinato de Roger Ackroyd, é narrado na primeira pessoa, permitindo-nos seguir a perspetiva do Doutor James Sheppard, médico numa pequena aldeia (King’s Abbott) em que que todos se conhecem e na qual os mexericos são coisas habituais. A história começa quando a viúva Mrs. Ferrars é encontrada morta, aparentemente por suicídio. Este acontecimento perturba Mr. Roger Ackroyd, que nutria sentimentos românticos pela vítima. Numa conversa confidencial com o Dr. Sheppard, Ackroyd revela segredos deveras perigosos ao médico. Mas quando na mesma noite em que decorre essa mesma conversa Roger Ackroyd é encontrado morto na sua própria casa, a ajuda para resolver o mistério chegará através do prestigiado detetive Hercule Poirot, que se vê a braços com um dos casos mais complicados da sua vida.

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A escrita de Agatha é de leitura bastante fácil, contudo esta requer alguma atenção da parte do leitor. Quando Poirot começa a entrar em ação é necessária alguma atenção da parte do leitor, visto que o detetive belga começa a juntar as várias peças do puzzle em torno deste assassinato. A própria personagem é um dos pontos altos da história: Poirot dá uma atenção minuciosa a todos os detalhes que o rodeiam. Quem diria que a posição de um sofá, seria uma das peças que compunham a resposta a este e a outros mistérios. Perto do final da história, durante o seu veredicto relativamente à anatomia do crime, essa minuciosidade de Poirot deixará o leitor impressionado e um tanto chocado.

Algo que me atraiu bastante ao longo desta história foram as várias personagens/suspeitos, mais o facto de todas terem um segredo pessoal ao longo da história: temos Flora Ackroyd, sobrinha de Roger; a sua mãe e cunhada da vítima Mrs. Cecil Ackroyd; o enteado de Mr. Ackroyd, Ralph Paton, recentemente noivo de Flora, e desaparecido desde a noite do assassinato; Ursula Bourne, empregada que se tinha demitido pouco antes do assassinato; o Major Hector Blunt, amigo de Ackroyd; Geoffrey Raymond, o secretário de Mr.AckroydJohn Parker o mordomo e Elizabeth Russell, a governanta. Todos têm, aparentemente, um motivo para terem morto Ackroyd. Posso ainda acrescentar que nem todos são aquilo que aparentam à medida que os vamos conhecendo melhor, cada um com a sua backstory ou segredo obscuro.

Mas, claro, não podia deixar de parte a personagem cuja perspetiva na primeira pessoa nos vai contado a história: O Dr. Sheppard. O Doutor, dotado de uma boa inteligência e de uma grande estima para com a sua irmã, ajuda Poirot ao longo do caso. O doutor tem ainda uma compreensão astuta da natureza humana (embora nesse aspeto a sua irmã seja mais notável). Contudo, quando referi no parágrafo anterior que  nem todas as personagens são aquilo que aparentam, o mesmo poder-se-à aplicar ao nosso narrador, cujo segredo pessoal também é descoberto pelo detetive belga.

Outra personagem que devo mencionar e reconhecer pela sua perspicácia é a irmã de Sheppard, Caroline. Caroline também seria uma excelente escolha como assistente para Poirot, visto que ela consegue ver quem tem algo a esconder, apoiando as suas opiniões em mais do que meros mexericos (algo que, por coincidência a entretém). A sua lealdade e devoção para com o seu irmão mais velho, assim como a sua simpatia, também são características notáveis nesta personagem, que infelizmente não participa mais diretamente no processo de investigação. Apesar de Caroline ser por vezes uma personagem chata e irritante para o leitor à medida que a história se vai desenvolvendo, é ao longo da narrativa fica evidenciado o seu bom coração, apesar de tudo. Contudo, apesar do seu carácter curioso, cuscuvilheiro e perspicaz, não é ela que no final consegue descobrir quem é o assassino.

Há quem diga que o melhor fica sempre para o final. No caso deste livro faço dessa ideia uma das razões fulcrais pela qual recomendo este livro. O leitor pode desconfiar de cada uma das personagens mencionadas anteriormente. Pode até dar por si a mudar de suspeito principal com bastante frequência. Contudo, acredito que muitos dos autores não estejam à espera do twist final que junta todas as peças que compõem esta história policial. É uma reviravolta que definitivamente demonstra que as aparências iludem, bem como me deixou a vontade de, um dia, regressar a este livro com olhos mais abertos.

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A autora Agatha Christie

Esta foi a minha primeira experiência a ler Agatha Christie, e devo dizer que me deixou com uma grande vontade de experimentar mais obras da escritora. Gostei bastante do detetive Poirot, bem como das restantes personagens que têm, cada um, o seu papel a desempenhar. Será, sem dúvida, um prazer voltar a reler uma das histórias em que o simpático detetive belga entre (novamente) em ação. Recomendo este livro, quer a quem adore romances policiais, quer aqueles que gostem de uma história com um bom twist ending. Definitivamente um “must-read” para quem é fã de Agatha Christie.

Nota final: 10/10