Chegado o segundo dia do festival, saltava imediatamente à vista a diversidade da música que se iria tocar. Entre o fado, indie, popular, hip-hop e eletrónica, o cartaz do dia 15 era um autêntico rodízio de estilos musicais.

Se o Bons Sons se intitula um festival de música portuguesa, o que seria dele sem fado? A organização acertou em cheio, com Gisela João a encantar toda a plateia com a sua doce voz. É impressionante a forma sem esforço como passa de um emotivo e intimista fado triste, para um celebrativo e otimista fado feliz. Isto claro, sempre partilhando com o público as suas emoções, seja a dor do primeiro ou a dança do segundo. De sorriso nervoso mas honesto, admite que fica feliz por ver tanta gente jovem a ouvir fado. E não é para menos; mesmo transferida para o maior palco Eira, devido ao cancelamento de Long Way to Alaska, a quantidade de pessoas que para ali convergiu era impressionante, coroando assim um magnífico concerto que acompanhou todo o pôr-do-sol.

giselajoao

Já com a noite cerrada, Samuel Úria subia ao palco Giacometti, acompanhado apenas pelas suas três guitarras. Este artista anda de mãos dadas com a música, e é notável como ele consegue criar canções tão simples, e no entanto tão bonitas. Letrista exímio, a justificar as inúmeras colaborações que tem realizado com outras bandas mais famosas, junta às suas palavras apenas uma melodia simples, mas que consegue encher facilmente o recinto. Prova de que a música não tem de ser complexa para ter qualidade. Destaque negativo para os grupos de pessoas que, não se interessando tanto pelo concerto, utilizavam o espaço como sala de chat, provocando um borburinho desagradável nas partes mais silenciosas das músicas.

samueluria

Nova procissão para a outra ponta da aldeia para ouvir Capicua. Palco Eira completamente lotado, o público estava bastante curioso para ouvir Ana Fernandes. No entanto, o seu hip-hop interventivo prova-se o estilo de música mais deslocado deste festival, e passados alguns minutos já começavam a sair pessoas do local. Apesar disso, não se pode negar a capacidade que esta artista tem para representar o seu nicho musical, que decerto não poderia faltar num festival representativo da música portuguesa como é o Bons Sons.

As bandas que ficaram encarregues pelo palco Lopes-Graça / Aguardela no fim do dia foram os Gaiteiros de Lisboa e, mais tarde, Moullinex. Os primeiros trouxeram sons mais tradicionais e dançáveis, à semelhança de Galandum Galundaina no dia anterior. Têm no entanto a diferença de apresentarem uma música mais estruturada, com instrumentos que não estamos habituados a ouvir. Aproveitando o mote da anterior Capicua, lançam a sua crítica aos poderes governamentais, e mostram assim que a mesma mensagem política pode ser apresentada com diferentes ambientes musicais.

gaiteirosdelisboa

No fim veio Moullinex, ou Luís Clara Gomes, com música electrónica que meteu todos os que ainda tinham forças nas pernas a dançar. E que agradável ouvir música eletrónica sem serem as “brasileiradas” ou os hits da moda! Com remixes pertinentes e apelativos, mostrou a razão de ser um nome em altas por outras bandas. Segurar toda a multidão na praça central até perto do amanhecer num festival é um feito que poucos conseguiriam alcançar.

moullinex

Já passaram dois dias de Bons Sons ’14, mas ainda só vai a meio. Estás à espera de quê para fazer as malas e vir viver a aldeia?