André Tentugal, 30 anos, natural da cidade Invicta. Foi com pronúncia nortenha que a entrevista se foi desenrolando pelas ruas movimentadas do Porto, nas quais o fundador de WE TRUST admite sentir falta do silêncio. Por isso é que a noite o fascina tanto. Em vésperas de lançar o novo álbum Tentugal revela que nunca dá demasiada importância às opiniões e o estado atual da cultura inquieta-o. Acredita na coletividade e vê a arte como “uma forma de comunicação” e de partilha, por isso é que adora dar concertos “é quando se sente uma comunicação”. 

Este verão os WE TRUST têm a agenda cheia: depois do NOS Alive e do MEO Marés Vivas, tocaram na Expofacic e na próxima semana estarão por Tomar no Festival Bons Sons e no fim do mês dão um salto ao Festival do Crato. Cinema e música ocupam a vida de André, mas isso não é trabalho – é curtir e divertir-se. “Se der para pagar as contas da casa, melhor”.

Dizes que WE TRUST é o teu alter ego. Qual o seu significado realmente?

WE TRUST está a mudar um bocadinho. Embora no início do projeto fosse só eu com as minhas canções, na verdade nunca pensei que este projeto fosse chegar tão longe. Tive uma oportunidade de gravar umas músicas, era mais um disco que eu ia guardar para a posterioridade, um registo. Depois o primeiro single rebentou e as pessoas começaram a associar WE TRUST ao André Tentúgal então começou-se a criar essa personagem e identidade associada a mim. Na realidade eu vejo os WE TRUST como um projeto que um dia pode ultrapassar a música. Pode ser um coletivo de artistas que façam uma exposição, sempre associada a outras formas de arte, à escrita, à escultura, pintura. Sou defensor de que as pessoas e o coletivo são frequentemente mais fortes que o individual.

Música, composição, cinema, fotografia, há quem te chame “o homem do renascimento”. Aceitas esse título ou preferes dizer que és o verdadeiro faz tudo?

Não tem bem a ver com isso. É viver o carpe diem. O que me apetecer fazer hoje eu tento fazer, se der para me pagar as contas da casa melhor. Eu penso demasiado na morte e isso dá-me vontade de viver e de aproveitar ao máximo todos os dias. Se hoje me sento ao piano e me está a apetecer fazer uma música eu vou tentar fazê-la o melhor possível e entregar-me a 100%.

“Quando estás a fazer algo que gostas ou que genuinamente te apetece há uma entrega muito grande, logo o resultado provavelmente vai ser bom ou pelo menos verdadeiro e as pessoas vão sentir isso. Eu acho que foi isso que aconteceu com a minha música”

‘Time (Better Not Stop)’ foi um êxito que rebentou de um momento para outro. Na tua opinião, qual o motivo para o êxito?

O vídeo ajudou muito. Eu acredito que há coisas que têm um empurrão da sorte. Quando o Time saiu tinha estado para aí um mês de chuva e quando a música rebentou veio bom tempo. E isso ajudou as pessoas a partilharem a música, como quase uma forma de inspiração e que as motivava. Foi um início espetacular. É uma canção que eu não mudava nada, foi uma cena que aconteceu. Aliás isto não foi nada planeado, tanto não foi que a canção esteve para não entrar no disco.

‘These New Countries’ manteve-se nas rádios durante algum tempo e muitas das músicas tornaram-se singles. Concordas?

Eu assumo que WE TRUST é uma banda pop. E, se olhares para grandes bandas pop, são bandas cujas canções são muito radio-friendly que permitem que as pessoas se conectem facilmente às melodias e às letras. Eu sinto que as melodias que faço ficam no ouvido, mas isso não quer dizer que as canções sejam melhores ou mais complexas. É o que eu sei fazer.

“Eu queria que este disco fosse uma espécie de homenagem às pessoas, queria ir para o palco e pedir às pessoas para que cantassem comigo e ser uma experiência ainda mais partilhada. Nos concertos percebi que não éramos só uma banda, mas sim um todo.”

E agora vem aí algo novo. Há um certo receio de falhar ou de desiludir por terem conquistado tanto com o álbum anterior?

Não! Esse é o maior erro que um artista pode ter. É começar a preocupar-se com a expetativa. Eu já sei que vai haver sempre quem goste e quem não goste, é como tudo. Tens é de fazer algo que tu gostes, porque se algo correr mal tu vais saber que fizeste o melhor que podias e foste verdadeiro. Este disco é um bocado diferente do anterior, por isso não há sequer essa noção de responsabilidade de ter de fazer uma coisa no seguimento do outro.

Houve alguma influência maior para este novo álbum?

As pessoas. Aquilo que eu vivi nestes dois anos. Eu gosto muito de trabalhar o acaso. E tento trabalhar esses acasos ao máximo porque são verdadeiros. Não sou compositor de me sentar ao piano e pensar “hoje vou compor”, eu não trabalho assim. As melodias surgem-me nos episódios mais esquisitos e tento tirar proveito disso.

O teu novo single afasta-se um pouco do primeiro álbum. Quiseste dar uma nova roupagem aos WE TRUST?

Este álbum novo é um bocado mais virado para aquela ideia do que poderia ser WE TRUST, mais virado para o coletivo. Nestes dois ou três anos que tive de concertos gostei muito de conhecer o público que nos ia ver. Essa interação é o que faz a música ganhar um sentido maior, através da partilha desse momento em que dou e recebo. Para mim isso é a música, a partilha e a relação que estabeleço com os outros.

http://youtu.be/1xW9UkJfmZw

‘We are the ones’ pode tornar-se um hino de libertação e de conquista. Quando o escreveste apercebeste-te disso?

Eu espero bem que sim! Acho mesmo fixe que as pessoas se apropriem da minha música clandestinamente e a recriem e usem como quiserem. Um músico não pode ser muito possessivo com a sua arte, a partir do momento em que crias, com a internet e outros veículos tão liberais de comunicação, tens é de acreditar. É pôr a mensagem na garrafa e lançá-la ao mar e logo se verá. Mas eu não criei a música a pensar que seria um hino, é mais uma homenagem. Por isso é que foi o primeiro single, eu queria que fosse espelho daquilo que eu acho que é WE TRUST.

Desvendando um pouco do que aí vem. O que podemos esperar do próximo álbum?

Este disco tem a particularidade de ter sido gravado com a orquestra Art’ave. É um disco bastante orquestral com uma produção muito cheia, oposta à tendência atual de fazer discos mais minimais. É um disco com massa sonora. Foi um privilegio gravar com estes miúdos que são extremamente talentosos e fizeram um trabalho fenomenal. O som está incrível e são canções que falam para o coletivo e despertam uma consciência social, reflexo desta fase. Mas lá esta sem falar nos problemas, empurrando mais para uma força do coletivo.

Os WE TRUST já passaram por vários festivais de grande dimensão, mas também deram concertos mais intimistas. Consegues escolher um concerto em especial?

Há concertos que me marcaram muito. O Mi Casa Es Tu Casa [Guimarães Capital Europeia da Cultura] marcou-me, embora seja um concerto para pouca gente. Foi muito engraçado. Tivemos de dar três concertos porque as pessoas começaram a saber que estávamos lá e fizeram fila. O Alivenum registo absolutamente oposto, teve uma grande importância para mim. Nós abrimos o palco principal e estava lá uma grande massa de pessoas para nos ver. Quando cantamos o Better Not Stop fiquei totalmente rendido. Foi a primeira vez que desci do palco e fui para o meio das pessoas cantar, e lembro-me de me agarrarem. Senti o poder da música, a força da canção. As pessoas estavam a vibrar a cantar aquilo.

Há alguém com quem sonhes colaborar um dia?

Eu agora estou a tentar fazer uma cena com uma miúda, isto dentro do possível, dos London Grammar. A voz dela é espetacular e estou a tentar puxá-la, vamos ver. No impossível e que não tem nada a ver, adorava fazer alguma cena com o Neil Young, Philip Glass, sei lá tantas cenas.

Esperas que algum dos teus álbuns seja uma referência para outro autor que aí venha ou nem sequer pensas nisso?

Eu às vezes sinto que a exigência que tive a fazer o primeiro disco, com sonoridades próprias e cuidado estético, houve talvez uma ou outra banda que acho que talvez possa ter influenciado. Tudo nos influencia, quando se consome muita cultura é inevitável que aquilo que tu gostas se reflita naquilo que fazes. Eu gosto de imaginar que inspiro alguém com aquilo que faço.

Mas tens esse objetivo ou simplesmente logo se verá?

Não é um objetivo, mas uma consequência feliz. Já houve miúdos que me vieram dizer que WE TRUST é incrível e inspirador. Mas tu não podes dar grande importância a isso senão começas a dar demasiada importância a ti próprio e afastas-te do teu trabalho. É uma opinião. E as opiniões têm de ser muito bem geridas, não podes dar muita importância quando te dizem coisas incríveis nem quando dizem coisas muito más, tens de saber equilibrar. Toda a gente tem opiniões e não nos podemos esquecer que quando uma pessoa ouve um disco depende muito do estado do espírito, se estiveres triste o disco vai ser o pior mas se estiveres contente o mesmo álbum pode levar-te ao céu. Não nos podemos esquecer que as opiniões são sempre subsistidas em experiências muito íntimas e pessoais, mas não são uma verdade absoluta mas sim o resultado de um momento.

E quanto ao cinema? Há videoclips, há curtas e para quando uma longa metragem?

É engraçado que perguntes isso, porque nos últimos tempos é aquilo em que tenho andado a pensar mais. Se calhar parar de fazer tantos videoclips e de me dedicar tanto tempo a projetos mais pontuais e tentar fazer algo um bocadinho maior. Ando a pensar fazer uma longa metragem, em conjunto com um amigo meu que também faz vídeos, o Vasco Mendes. Estamos a pensar juntar-nos e fazer um projeto de cinema mais a sério. Cinema é aquilo que eu sempre quis fazer, é a minha paixão.

É evidente nos teus vídeos que não há nada como a cidade natal. Sentes que o Porto te dá muito material para trabalhares?

Eu gosto de dar valor ao que tenho e esta cidade é a minha cidade, não é que seja nacionalista ou patriota mas acho que as ruas do Porto, os prédios, as pessoas que me rodeiam são as minhas ferramentas. Dantes tinha muito o hábito de pegar no carro à noite, meter uma música ou um CD e andar às voltas a ver coisas, parava num sitio com um enquadramento fixe, uma boa luz, que era bonito. Eu gosto muito de usar aquilo que me está à mão e de encontrar coisas novas e diferentes.

“Às vezes as pessoas têm coisas tão fixes à sua frente e passam anos sem reparar nelas. O mesmo se aplica às pessoas. Às vezes há pessoas que estão perto de nos, são ultra valiosas, mas estão tão próximas que nós nem lhes damos o devido valor. As pessoas não dão valor ao que têm e eu tento contrariar isso e é por isso que filmo muito no Porto, para aproveitar aquilo que esta cidade tem.”

A noite fascina-te?

Sim, já quando era pequenino dizia aos meus pais que quando fosse grande queria ser notívago. O meu horário biológico deve ser ao contrário, porque sempre quis estar acordado à noite. Eu gosto muito do escuro, do vazio da cidade, de imaginar que às vezes sou Deus. Estás a olhar para a cidade e começas a pensar que o mundo é como se estivesse parado e só tu é que estás vivo, tens um lugar, é uma espécie de vigilância. É como se o mundo estivesse a acabar e pudesses estar lá para ver. Mas eu tenho essa curiosidade de assistir a tudo quando o mundo acabar. Eu gosto muito de observar é daí que vem o meu gosto pela realização, é uma observação registada. É algo que nasceu comigo, vinha com o meu pacote.

Se tivesses de escolher entre o cinema e a música, qual era a tua opção?

Não sei, se calhar o cinema. Mas o cinema também tem musicalidade e eu noto que a música que eu faço também tem a ver com o meu lado cinematográfico mais imagético que me leva a fazer música com um componente visual forte. A música foi algo que eu descobri recentemente. Eu nunca aprendi a tocar música, não andei na escola. Enquanto cinema aprendi. Mas quando era pequenino tinha a mania de roubar as maquinas aos meus pais e de ir tirar fotos, de capturar imagens.

“O cinema tem a capacidade de materializares sonhos, e isso é um poder. Toda gente tem sonhos e através da arte, neste caso do cinema tu consegues recriar esses sonhos.” 

O ideal era criares um filme e a banda sonora dele?

Eu vou tentar ao máximo que isso não aconteça e que consiga ter muitas pessoas diferentes. Acredito que um objeto artístico, com quantas mais pessoas envolvidas, mais rico vai ficar. Por isso acho que fica fixe ter outras pessoas a acrescentar algo àquilo que eu vou fazer. Mas gostava muito de fazer bandas sonoras para filmes que não fossem meus.

Qual a música ou o álbum que tens sempre no carro e que não te cansas nunca de ouvir?

Air é uma referência para mim, o álbum Moon Safari vai estar sempre presente na minha vida. Gosto muito do TNT dos Tortoiseque marcou muito a minha adolescência. Há também uma banda que agora noto que me influenciaram em pequenas coisas, que são os Laika. Há também uma hipótese da vocalista deles tocar connosco. Um outro disco que me marcou que é o Beyond Skin do Nitin Sawhney. E os Beatles claro, os Beatles são a melhor banda do mundo.

E qual o realizador que mais vês?

Gans van Sant de O Bom Rebelde, que já vi milhares de vezes. Apesar de simples é uma simplicidade que me agrada, um tom que eu gosto muito. E depois tem a banda sonora do Elliott Smith, que para mim é um dos meus maiores gurus musicais. O lado onírico e estético do cinema do Terrence Malick também me agrada. Gosto muito de cineastas atuais como o Gaspar Noé, acho que é um cinema muito fresco, com muito bom gosto e alguma densidade narrativa que chega a muita gente. Para acabar, uma grande referência para mim é o Lars von Trier, apesar de achar que facilitou no Ninfomaníaca, há filmes antigos dele absolutamente incríveis, como Melancolia ou o Anti Cristo, o Ondas de Paixão ou Os Idiotas.

Não tens medo que o cinema acabe com tudo a ser pirateado?

Isso é algo que ninguém fala. Falam da música pirateada, mas o cinema está bem pior que a música. Na música tens os concertos que são insubstituíveis mas a experiência do cinema é uma sala ou pouco mais. Ok, continua a haver cinema na televisão, que paga a distribuidoras pela transmissão, mas os canais também têm tendência para desaparecer. O canal atual das pessoas é o youtube, as pessoas já não querem estar presas a uma grelha que lhes dita o que ver. As salas de cinema estão praticamente vazias e constantemente a fechar. Não sei como é que o cinema vai aguentar.

Mas também há pouca gente que ainda compre discos…

Sim, mas pior que isso é que já não há quem ouça discos. As pessoas mais novas ouvem músicas que estão a dar na rádio ou que lhes aparece no Facebook. Eu comecei-me a aperceber disso não com a minha banda mas com as Rihannas da vida, que dizem por exemplo gostar da Stay mas que não sabem a que disco pertence, simplesmente gostam da música. E pronto estamos a voltar à cena dos anos 60 em que as bandas lançavam singles e depois iam dar concertos porque tinham uma música extremamente conhecida e que ia chamar muita gente. Eu sinto isso nos meus concertos, as pessoas vão para ouvir a Better Not Stop e gostam muito de algumas outras coisas e da banda, mas sinto que poucas conhecem o resto. Por mim o que faria agora era ir lançando músicas, uma agora, em julho mais duas, em setembro mais um single e as pessoas chegam ao fim e já conhecem tudo. E aí lanças um disco que inclui as canções todas, como se fosse um best-of.

Achas que as redes sociais são fundamentais para que a música ganhe importância?

Sim, o Facebook é fundamental para tudo. Todo o mundo tem um universo paralelo no Facebook. É onde as pessoas vão mostrar gostos e o que fazem, e a verdade é que a maioria das pessoas está lá. É o maior canal de comunicação. Eu não sou grande fã de Facebook, aliás só tenho há três anos que foi quando saiu o disco, porque senti necessidade de ter um espaço para partilhar a minha música e me ligar com as pessoas. Mesmo o meu Facebook pessoal é quase só para promoção seja do meu trabalho de vídeo ou de música.

“Tu vais sentindo que aquilo que as pessoas gostam e partilham não quer dizer que seja bom ou mau, mas é aquilo que lhes aparece. São as pessoas que mandam e que dão um lugar à música.”

O cinema português está em pior estado que a música atualmente. Achas que é uma arte esquecida no nosso país?

O cinema é uma grande desilusão para mim, de facto. É um mundo muito lobista, para muito poucos. Não há investimento nenhum. Há dois pólos: há o cinema de autor que é absolutamente inacessível a um público menos cultural ou menos aberto, o que eu acho injusto porque são essas pessoas que financiam. Depois há outro cinema que é altamente comercial, vazio, sem qualquer tipo de conteúdo, sustentado por ferramentas muito fáceis como o sexo ou os dramas muito simplistas, muito pouco exigente. Também não sei até que ponto é que as massas reagem. Ou seja, falta o cinema de meio termo. e é esse que gostava de fazer: pode ser autoral, mas que comunique para vários tipos de pessoas. Este é o cinema que eu gosto de ver e que gostava de fazer, com uma carga estética forte, apurado, com várias camadas, mas que seja fácil ter várias leituras.

“Eu acho que o cinema é feito para comunicar, e para que haja comunicação as pessoas têm de conseguir receber a mensagem, mas o certo é que o cinema português é uma cena de elites.”

Atualmente o Porto tem apostado imenso na música. É um alívio veres que ainda se acredita na música portuguesa e no lançamento de novas bandas locais?

O que eu noto é que há muita gente a querer fazer coisas e muito atenta ao que se faz lá fora: às tendências, às sonoridades, às ferramentas. Noto que, pelo menos no Porto, o trabalho é dedicado e genuíno. Há uma vontade grande de empurrar o pais para a frente nesse sentido. E é um orgulho poder fazer parte. Acho e sei que muita gente concorda comigo quando digo que Portugal está a viver a melhor fase musical de sempre. Nunca foi feita tão boa música em Portugal como neste momento. Houve fases boas, com os cantautores do 25 de abril, mas hoje há projetos absolutamente atuais e que estão a par do que se faz lá fora, senão mesmo vanguardistas.

http://youtu.be/loXCk_VHA-o

Pensas que ainda falta muito para que a mentalidade mude e se comece a perceber quão importante a cultura é?

Acho que há uma parte ingrata que é: em épocas de crise a cultura é a primeira a ser posta de lado. As pessoas não investem na cultura porque não há dinheiro. As pessoas perdem capacidade de investimento. Os portugueses não são educados com o pensamento de que é preciso apostar na cultura, nem têm vontade. Há tanta oferta e a procura não corresponde. Tu sais à noite e vês as ruas como a do Plano B cheias, mas lá dentro está vazio. As pessoas não têm essa consciência de apoio à cultura, há muito desinteresse.

Fotografia: Vera Marmelo