Quando pensamos no verão, lembramo-nos daqueles programas que surgem nesta época e rapidamente se vão embora. De facto, são aqueles programas que só podiam mesmo ter existido no verão. O Espalha-Factos olhou para os verões passados e selecionou seis desses programas. Depois dos primeiros três, apresentamos-te agora mais três programas para completar as nossas escolhas.

1.TGV: Todos Gostam do Verão 

O nome assemelha-se a uma versão da música Eu gosto é do Verão, menos egocêntrica do que o tema original dos Fúria do Açúcar, mas é um programa de televisão.

Este programa foi a aposta da SIC para os domingos à noite durante o verão de 2009, e revelou-se um verdadeiro sucesso de audiências, levou a SIC à liderança, chegando aos 40% de share, sendo o mais visto do dia, na época contra o formato Nasci P’ra Cantar da TVI, apresentado por Herman José.

TGV constitui uma adaptação de El Grand Prix del Verano, um formato emitido na televisão espanhola desde 1995. Foi gravado nos estúdios da Europroducciones, em Madrid, com a mesma equipa que continua a produzir a versão espanhola, num fenómeno que Nuno Santos, à data diretor de programas da estação de Carnaxide, apelidou de “globalização dos mercados televisivos”.

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Apresentado por uma dupla jovem e fresca, juntou Carolina Patrocínio e João Manzarra, numa das primeiras aparições dos dois no horário nobre do canal generalista. Ele “o grande maluco” que vinha da SIC Radical, ela a “menina bonita” que apresentava o programa de crianças ao sábado de manhã. Formaram uma dupla dinâmica, divertida e bem-disposta, onde sobressaiu o à vontade natural do Manzarra, que de resto continua a marcar as suas prestações.

Todos Gostam do Verão foi lançado como o “programa mais louco da televisão portuguesa” e revelou-se uma verdadeira odisseia do disparate. Todas as semanas, duas equipas, oriundas de diferentes regiões do país, se enfrentavam, num formato que poderia designar-se Jogos sem Fronteiras do séc. XXI.

Todos os desafios se revelaram praticamente impossíveis. Houve pessoas vestidas de macacos, galinhas e moscas, qual fungagá da bicharada. Houve bowling humano, houve adultos mascarados de bebés a (tentar) acertar com uma bola num cesto. Também houve jogos para superar obstáculos como passar por cima de troncos que rodam, sem cair dentro de uma piscina, ou derrubar adversários com uma bola gigante, estando vendado. Houve passadeiras em movimento, bolas insufláveis, paredes de velcro.

E claro, houve quedas, muitas quedas, escorregadelas, desequilíbrios, empurrões involuntários, concorrentes empilhados no chão, num moche despropositado.

O balanço foi positivo. O programa atingiu bons resultados, e conduziu a SIC a todo a velocidade para a liderança, ou não se chamasse TGV. Beneficiou de uma boa estratégia de programação que não desgastou o formato, optando por uma única emissão semanal. Juntou famílias e amigos em frente à televisão na ânsia de ver a próxima queda. Fez rir o público e os próprios protagonistas das mais insólitas figuras.

Parece óbvio que este é mais um dos programas que só podiam ter existido no verão. Primeiro porque envolve o risco de cair à água, e a malta só vai a banhos no verão, depois porque só mesmo com o tempo quente e o corpo bronzeado é que o mais comum dos mortais dedica o seu tempo, entre o fim de um jantar animado e a saída para a festa mais próxima, a um formato como este.

2.À Sombra da Bananeira 

O ano de 2003 deu a conhecer um programa que levou à letra aquilo que vai na cabeça de muitos portugueses nesta época do ano: ‘’chega de trabalho, chega de patrão. Eu quero é alegria! Viva o verão! Trabalhar só para o bronze: eu vou curtir o sol, ganhar uma nova cor e mudar de visual. Eu vou viver à sombra da bananeira’’. A letra da música que servia de genérico deste programa já dizia tudo.

Quando se ligava a televisão – o cenário: um palco, muita areia, uma piscina, uma maca para fazer massagens e, claro, muitas bananeiras – insufláveis. Transmitido em direto, o À Sombra da Bananeira levava a festa às praias de norte a sul do país. Uma equipa ‘’de mais de cem profissionais e seis camiões’’, preparadíssimos para montar o cenário onde, durantes duas horas, se estava, literalmente, à sombra da bananeira.

Uma festa não se faz sem música e, precisamente por isso, este programa nunca esqueceu esse campo: as 37 emissões não se fizeram sem o DJ Bola, que levava os espectadores à loucura com a sua música, que invadia o areal.

O apresentador escolhido foi João Gamboa, até então praticamente desconhecido do grande público e estreante na arte da apresentação. Prometia-se um estilo irreverente e atrevido, que só poderia ter sido alcançado através da ajuda das suas acompanhantes: todas elas bem divertidas e vestidas de acordo com a ocasião: 10 bailarinas completamente versáteis. Ora dançavam, ora davam massagens a alguns dos participantes, ora descansavam no jacuzzi.

Os veraneantes eram, assim, convidados a participar no programa, não só para desfrutar da companhia das partners, mas também para disputar, depois de formarem equipas, divertidos jogos de praia.

Um programa que enchia os locais por onde passava – pois os beijinhos para o estrangeiro eram muitos -, mas que não satisfazia, nem de perto, quem estava do outro lado do ecrã.

Mais um programa que ficou na sombra… da silly season, pois claro.

3. Splash! Celebridades

Splash! Celebridades. O nome diz tudo. E encaixa-se na perfeição na época em que foi transmitido. Verão, o calor começa a fazer-se sentir e nada melhor do que ver os famosos do nosso país a saltarem de pranchas de 10 metros para dentro de uma piscina. Só de ver já dá para ficarmos mais frescos. E se podermos acrescentar uns quantos fatos de banho reduzidos – ainda melhor.splash

Neste programa viam-se corpos esculturais, ou não fossem os concorrentes adeptos do bom exercício físico. Foram muitas as personalidades que fizeram furor – não só nas televisões que há por todo este nosso Portugal, mas também nas redes socias. Foi o caso de Carolina Torres, a menina rebelde que subiu para as luzes da ribalta depois de ter participado no Ídolos e de ter dado um pezinho no programa Curto Circuito, da SIC Radical. Ainda não tinha subido as escadas que davam acesso às pranchas e já todos estavam de queixo caído.

Rita Andrade (que desistiu logo na primeira gala), Dora, Filipa Gonçalves, Liliana Aguiar, Merche Romero, Cláudia Jacques, passando por Raquel Strada, apavorada com o seu primeiro e único salto – de uma assustadora plataforma com 1 metro de altura -, foram muitos os nomes que fizeram as delícias dos telespectadores, que todos os domingos se colavam ao ecrã para ver as habilidades aquáticas destes candidatos VIP.

Mas não foi só a montra feminina que encantou os portugueses. Também no plano masculino se viram maravilhas. Maravilhas para todos os gostos. Toy, João Cajuda, o ex-Casa dos Segredos João Mota, o modelo Rúben Rua, o irreverente José Castelo Branco, não esquecendo o mano Ricardo Guedes, o grande vencedor da primeira edição.

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Distraído com tanta sensualidade ao ponto de já não se lembrar do objetivo do programa? Nós ajudamos: converter as estrelas do nosso star system em autênticos acrobatas do mergulho, não sem antes passarem pela exímia avaliação de Marco Horácio, Ricardo Guedes, Sílvia Rita, treinadora de nataçao sincronizada e Simão Morgado, nadador português e recordista nacional dos 50 e 100 m do estilo de mariposa.

Durante 9 galas, Júlia Pinheiro conduziu o programa, acompanhada pelo divertido Rui Unas. Uma dupla que ganhava pelo bom humor do mais acarinhado filho da Margem Sul.

Claro que este é um programa que só poderia ter existido na silly season. Durante dois meses, os famosos deixaram as passadeiras vermelhas das festas de verão em Vilamoura e passaram semanas a treinar saltos e acrobacias nas Piscinas do Centro Desportivo Nacional do Jamor. Todos em busca dos 10 000€ guardados para o vencedor. Nós agradecemos o esforço.

Mais: duas edições, duas quedas à piscina da estação de Carnaxide. Splash! Celebridades foi incapaz de ultrapassar as audiências do programa da concorrência Big Brother VIP. No seu pico, Splash! obteve um milhão e 140 mil telespectadores; BB VIP, um milhão e 748 mil. Mais uma prova de que os reality shows saem sempre vencedores.

Artigo redigido: Rita Fernandes e Matilde Ferreira