O Verão está no seu pico. Com o calor a subir, o Espalha-Factos organizou uma arrojada escolha de filmes para ocupar as tuas horas de descanso. Já os terás visto a todos?

 

Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot) – Billy Wilder [1959]

E que tal aproveitar aquela tarde em família, em que o tempo não está o melhor para uma ida à praia, e ver esta hilariante comédia? Contagiante e genial, Quanto Mais Quente Melhor parte de uma premissa simples para criar algumas das mais memoráveis sequências da História da comédia, graças ao formidável argumento e à exuberante química entre os dois protagonistas – Jack Lemmon e Tony Curtis – e pela presença da sempre deslumbrante Marylin Monroe. Uma obra revolucionária, inteligente e muito divertida, muito mais engraçada que muitas ditas comédias contemporâneas.

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Os Fugitivos de Alcatraz (Escape from Alcatraz) – Don Siegel [1979]

Uma das fugas da prisão mais misteriosas deu origem a um dos filmes mais interessantes do género: cheio de estilo e elegância na preparação da grandiosa estratégia de escape da fortaleza de Alcatraz, o filme de Don Siegel, protagonizado pelo lendário Clint Eastwood, tem uma história completamente americana, mas com valores humanos que alcançam patamares universais. Uma grande dose de glorioso entretenimento bem pensado e construído, e uma boa maneira de tentar encontrar um divertimento diferente, daqueles que “hoje em dia já não se fazem”.

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Juventude Inquieta (Rumble Fish) – Francis Ford Coppola [1983]

Um título que passa despercebido na filmografia de Francis Ford Coppola, Juventude Inquieta apresenta-nos Rusty James (um ainda adolescente Matt Dillon), um rufia de rua que vive na sombra da reputação do seu irmão mais velho, The Motorcycle Boy (Mickey Rourke em puro charme), e que procura algum sentido para a sua vida vazia. Assim acompanhamos o crescimento espiritual de um jovem sem rumo e do irmão que o tenta guiar e salvar de um futuro que o tempo parece deixar perdido interminavelmente. Incontornável para qualquer jovem.

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Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America) – Sergio Leone [1984]

Em férias, tempo é uma coisa que não falta – e por isso, não será má ideia (re)descobrir este magnífico épico do realizador de O Bom, o Mau e o Vilão. Obra prima que homenageia os filmes de gangsters americanos, Era Uma Vez na América é uma história de crime e de amor, mas sobretudo de amizade e traições. A longa duração não deve assustar os mais pessimistas, pois o filme passa mais depressa do que muitos outros com menos de hora e meia. Exemplo máximo de perfeição artística e cinematográfica, Era Uma Vez na América é daqueles raros filmes que, a cada visionamento, se tornam cada vez melhores. Porque é uma obra que pode mudar a vida de alguns espectadores.

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Adeus, Rapazes (Au Revoir Les Enfants) – Louis Malle [1987]

Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, e nomeado para dois Oscars da Academia, Adeus, Rapazes é um emocionante drama passado na II Guerra Mundial, num colégio francês que começa a ser confrontado com a opressão e o domínio dos nazis no país. É um filma brilhante, sobre coragem e inocência em tempo de conflito, com as emoções bem construídas entre as personagens (tão bem interpretadas pelos miúdos e pelos graúdos), e que faz rir e chorar nas mesmas quantidades.

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Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite) – Woody Allen [1991]

É um dos filmes mais originais de Woody Allen e uma das suas histórias mais engraçadas e comoventes. Poderosa Afrodite é contada em jeito de tragédia grega, expondo o ridículo das relações humanas e da estranha relação entre um homem e a desconhecida mãe do seu adorado filho. Uma ótima oportunidade para descobrir uma das muitas razões que justificam ser Allen um dos grandes comediantes americanos de sempre, e um dos mais talentosos e prolíferos realizadores em atividade.

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Volume no Máximo (Pump Up the Volume) – Allan Moyle [1992]

Um jovem introvertido chega a uma nova cidade, onde causa o caos com o seu programa de rádio pirata. Irando os mais velhos com conteúdo sexual e escarnecimentos públicos, a sua vida nunca mais será a mesma. Divertido, mas também agressivamente dramático, este clássico de culto é muitas vezes esquecido pelos críticos. Com Christian Slater no principal papel, Volume no Máximo é assumidamente um hino à revolta juvenil, onde todas as regras são quebradas em prol de um bem maior.  

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A Estação (The Station Agent) – Thomas McCarthy [2004]

Peter Dinklage (Tyrion Lannister de Guerra de Tronos) é um anão que se muda para uma antiga estação de comboios abandonada, procurando o isolamento. Não obstante, acaba por aprender o que nunca quis admitir: que existem pessoas “como ele”. Num trabalho tremendo por parte dos atores principais, este filme, quase desconhecido na atualidade, adquiriu um estatuto lendário no circuito indie americano. Com um argumento forte, que se equilibra tangencialmente entre o drama e a comédia, A Estação é uma poderosa história que dificilmente sairá da memória de quem a vê.  

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O meu irmão é filho único (Mio fratello è figlio unico) – Daniele Luchetti [2007]

Nos anos 60, dois irmãos crescem numa cidade a sul de Roma, mas por caminhos opostos: Manrico, pela esquerda comunista, e Accio, pela direita fascista. Ao longo de 10 anos acompanhamo-los à medida que vivem o amor, a guerra, a família e a política e como a sua relação vive com e sobrevive a isso. Ao estilo de A Melhor Juventude, O Meu Irmão é Filho Único cumpre aquilo que promete: uma visão tocante da relação entre dois irmãos e da resiliência dos laços que os unem.  

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Mary and Max – Adam Elliot [2009]

Uma pérola do stop-motion, Mary and Max conta a história verídica da amizade improvável entre Mary, uma menina australiana de oito anos, e Max, um nova-iorquino obeso de 44 anos. Uma relação que começou por correspondência, e de uma forma completamente aleatória, e que se estendeu ao longo de 20 anos, revela-se uma salvação para duas almas perdidas e sozinhas, que acima de tudo procuram amor e alguma compreensão. É garantido muito humor negro, piadas sarcásticas e uma enorme sensibilidade que não deixará ninguém indiferente.  

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Lixo Extraordinário (Waste Land) – Vários [2010]

Um documentário que explora o poder transformador da arte e a riqueza do espírito humano na maior lixeira do planeta: Jardim Gramacho, no Brasil. O artista plástico contemporâneo Vik Muniz eleva os “catadores” – apanhadores de materiais recicláveis— ao estatuto de artistas, encenando grandes obras de arte e mudando as suas vidas a partir daquilo com que lidam todos os dias. Cada pessoa tem uma história para contar e cada uma se revela mais surpreendente que a outra, acabando por se descobrir talentos escondidos e uma força anímica que se julgava adormecida. Um retrato genuíno de pessoas que resgataram a sua vida, literalmente, a partir do lixo.

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Submarino (Submarine)Richard Ayoade [2011]

Este pequeno êxito britânico conta a história de como um rapazito se tornou num homem. Os amores, desamores e parvoíces da puberdade, acompanhados pela magnifica banda sonora original do vocalista dos Arctic Monkeys, Alex Turner, tornam Submarino num manjar para o público juvenil. No entanto, o seu humor inteligente, cinematografia ao estilo de Wes Anderson e temas intemporais, fazem-no ascender a um grau superior de excelência na 7ª arte.  

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Medianeras – Gustavo Taretto [2011]

Uma história que parte de uma abordagem, no mínimo, curiosa: compara a arquitetura com a vida – a culpa de todos os nossos males está nas nossas cidades, nas suas casas. O filme explora o paradoxo dos nossos dias: a tecnologia, que nos liga todos em qualquer lugar, é aquilo nos isola e afasta uns dos outros. Martín e Mariana são dois solitários que procuram o amor, mas com pouca sorte. Vivem na mesma rua; ele procura alguém como ela, ela procura alguém como ele, mas os seus caminhos ainda não se cruzaram. Com um argumento impecável, Medianeras revela uma sensibilidade surpreendente e um tom poético que encanta até ao fim.

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Balas & Bolinhos: O Último Capítulo – Luís Ismael [2012]

Não interessam os primeiros títulos desta trilogia: aliás, nem interessa o enredo! Este filme de Luís Ismael não tenta ser mais do que aquilo que é, ou seja, um poço de comédia grosseira, com alguma ação. Ora, a única maneira de Balas & Bolinhos constar nesta lista é inserindo-o num contexto. Naquela festa/jantar em que os convidados estão todos a beber e a divertir-se, este é o filme perfeito para de 10 em 10 minutos todos olharem para a televisão e rirem das caricatas desventuras de Toni, Rato e Culatra. Se é um dos melhores filmes de sempre? Nunca, mas não é preciso sê-lo para ter algum valor. Mais que não seja em parvoíce.

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Lixo (Filth) – Jon S. Baird [2014]

Uma das grandes surpresas do cinema britânico atual, Lixo tem sido aclamado como A Laranja Mecânica desta década”. A comparação é legitima, uma vez que o uso e abuso de drogas, sexo, violência e, neste caso, profanidades constantes, são uma recorrentes em ambos. James McAvoy é um policia alucinado e corrupto que tenta a todo o custo subir de posto, de forma a conquistar a mulher e a filha de volta. Gráfico, fascinante, passível de estudo e com uma grande banda-sonora, Lixo não é, contudo, um filme para todos. Mas aqueles que o tentarem consumir serão presenteados com uma obra com um forte aroma a comédia negra, mas que no seu cerne, é um drama humano muito original. Indispensável!  

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Artigo redigido por:

Diogo Simão, Rosalinda Ova e Rui Alves de Sousa.