and so it goes

Nunca Digas Nunca: poucos risos para uma hora e meia

O novo filme do realizador de Conta Comigo, Um Amor Inevitável e Misery – O Capítulo Final regressa com uma comédia ligeira que não consegue alcançar, sequer, o pouco que este género de filmes deveria proporcionar. Vale pelos dois grandes atores que o protagonizam, mas nada mais. Estreia esta semana.

É uma típica história de amor e de desilusões face ao envelhecimento, como Hollywood sempre gostou de utilizar para fazer reaparecer algumas das suas maiores estrelas (recorde-se o exemplo, muito mais interessante, de A Casa do Lago, com Katharine Hepburn e Henry Fonda). E lembremo-nos que não é o cliché de uma narrativa que a pode tornar desinteressante – poderíamos trazer a discussão algumas boas dezenas de trabalhos de realizadores conceituados, que pegam em velhos chavões das histórias do cinema e que fazem, com elas, filmes que se tornaram mais originais do que poderiam aparentar.

Mas o objetivo de Nunca Digas Nunca não é esse, desde o princípio. E não há mal nenhum nisso. Se virmos o trailer com atenção, esta parece ser uma comédia totalmente light, sem qualquer tipo de propósitos intelectuais ou criativos, e que não sendo das melhores desse categoria, poderia até trazer um bom tempo de entretenimento razoável, onde os atores se divertem à grande, elaborado de forma eficaz e com alguma pinta e carisma. Se assim fosse, se esta comédia seguisse esse caminho, algo banal, mas não muito desprezível, não teria razões de queixa.

O problema é que tudo isso é uma fachada, porque nem como entretenimento ligeiro este Nunca Digas Nunca consegue funcionar bem. Entre as piadas patéticas (onde só uma em cada trinta e sete nos consegue criar uma espécie de sorriso) e as figuras embaraçosas das personagens e das situações “cómicas” em que são envolvidas (quantas vezes é preciso aturar as cenas tão “familiares” que envolvem fezes e sexualidade canina?), parece que encontramos mesmo o constrangimento nos próprios atores. Faz pena ter de ver Michael Douglas a interpretar o homenzinho estereotipado com ar de poucos amigos, numa versão menor do protagonista rezingão e teimoso de Melhor é Impossível (não há que enganar, o argumentista é o mesmo), que de um momento para o outro acorda para a vida.

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Para isso, prefiro Nunca É Tarde Demais – sim, confesso que gosto desse filme, porque ainda aproveitou, mesmo que tivesse uma história cliché, as potencialidades de uma dupla de irrepreensíveis e geniais artistas de Hollywood (eram eles Jack Nicholson e Morgan Freeman). E pior: Nunca Digas Nunca é ainda mais preguiçosa do que é permitido a uma comédia light, ou seja, passa da barreira do entretenimento para a do puro tédio. Não há dúvida que Douglas e Diane Keaton preenchem o ecrã, apesar do fraquíssimo argumento (que, mais do que completamente previsível, é incongruente e demasiado longo), mas da razoavelmente interessante construção das personagens. Mas infelizmente, a química entre ambos não convence assim tanto, para conseguir elevar esta fita a um patamar mais digno do que a seca que nos proporciona.

Rob Reiner assinou grandes obras e outras dispensáveis (quem viu o desastre que foi North – O Puto Maravilha?), e aqui volta a não surpreender pela positiva. Porque o problema deste filme, enquadrado no género “da treta”, (categoria de filmes que possuem algo de especial que consegue, em parte, compensar a falta de competência e imaginação de todos os outros elementos que compõem uma obra cinematográfica – como a realização desinteressada, a montagem rápida que não permite planos com mais de 5 segundos, a história insípida, etc) é que nem consegue valer como tal.

Ou seja, Nunca Digas Nunca não é sequer uma boa “treta”, que visionamos alegremente e esquecemos logo que saímos da sala de cinema. É uma “treta” que preferíamos não ter visto sequer. Isto porque não há, em grande destaque, essa coisa qualquer que nos cativa a ver a história, com agrado, do princípio ao fim. E aqui seriam os atores a salvar a situação. E eles bem tentam (Keaton é a melhor intérprete da narrativa), mas tudo o resto (à exceção também de umas pequenas coisas que fazem o filme passar felizmente depressa, e que o seu visionamento não seja constantemente um sofrimento atroz) é incompetente demais para impedir que o barco não se afunde. E por isso, esta é só uma treta normal, que não passa de uma grande estopada disfarçada de comédia.

3.5/10

Ficha Técnica:

Título: And So It Goes

Realizador: Rob Reiner

Argumento: Mark Andrus

Elenco: Diane Keaton, Michael Douglas, Sterling Jerins

Género: Comédia, Drama, Romance

Duração: 94 minutos

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