Os Los Romeros são um grupo musical de estilo variado constituído por Paula Carapeta (vocalista), Alberto Pereira (guitarrista) e Jorge Piedade (percursionista). Numa conversa com a vocalista de Los RomerosPaula Carapeta, o Espalha-Factos abordou a participação do grupo no programa  Rising Star da TVI e os projetos da banda, e a solo.

Espalha-Factos (EF):Quando começaste a cantar?

Paula Carapeta (PC): Comecei a cantar com 5 ou 6 anos de idade num bar de karaoke, que na altura era do meu avô. Ainda nem sabia ler. Ouvia as pessoas a cantar e depois treinava em casa. Aos fins de semana pedia sempre para cantar nas noites de karaoke e com o passar do tempo foram as pessoas que começaram a pedir-me, mas eu cantava sempre em troca de alguma coisa. Nunca ia cantar sem pedir algo em troca.

EF: Quer dizer então que começaste a solo. Então quando surgiram os Los Romeros?

PC: Surgiram há mais ou menos um ano e meio. Eu e o Alberto, o guitarrista, sempre fomos muito amigos. Na altura em que a banda começou, ele propôs-me começar a cantar música espanhola porque os bares onde íamos tocar e as pessoas que nos contratavam preferiam esse género musical. Tive de começar a ouvir música espanhola porque, sinceramente, conhecia pouco, mas aceitei logo o convite. Na altura a banda começou com outro percursionista e depois conhecemos o Jorge e convidá-mo-lo para a nossa banda. E até agora tem estado a correr muito bem.

Los romeros

EF: Já pensaram em experimentar outros géneros musicais?

PC: Nós também tocávamos outros géneros de música. No início os convites surgiam maioritariamente pelo nosso estilo (rumba e flamenquito), mas também tocávamos música brasileira, kizomba… Quando entrámos para o programa é que nos pediram outras coisas. E agora cada vez que fazemos concertos pedem-nos músicas que tocámos nas galas. Ou seja, estilos musicais completamente diferentes do nosso.

«a crítica do Carlão, que foi das mais duras, abriu-nos os olhos para experimentar estilos diferentes e sair da nossa zona de conforto»

EF: Quer dizer que as opiniões dos jurados do Rising Star vos influenciaram?

PC: Influenciaram e muito. Só conseguimos descobrir que éramos capazes de fazer estilos de música diferentes no Rising Star, porque até aí estávamos muito preocupados em fazer o nosso estilo bem feito. Nunca pensámos que podíamos ter metade do nosso reportório num estilo e a outro noutro completamente diferente. Agora percebemos que conseguimos agradar a um público mais variado. Conseguimos tocar música espanhola, brasileira, flamenquito, rock, pop e r&b. As críticas ajudaram muito. Como a crítica do Carlão, que foi das mais duras, abriu-nos os olhos para experimentar estilos diferentes e sair da nossa zona de conforto. Nos concertos pedem-nos as músicas que tocámos nos programas. Pedem sempre a Bandoleiro dos Ciganos D’Ouro e o Desfado da Ana Moura.

EF: Já têm músicas originais?

PC: Ultimamente, não temos tempo nenhum. Estamos a ficar sem tempo sequer para descansar. Estamos a pensar em fazer originais, só que por agora ainda não. Queremos fazer os nossos originais, mas bem feitos. O que nós decidimos enquanto banda é que tem que ser uma coisa pensada e com tempo, porque nos vai marcar para sempre. Estamos à espera de ter tempo para podermos pensar bem.Paula Carapeta

EF: Já pensaste em avançar em alguns projetos a solo?

PC: Sim, já pensei. Eu era para participar sozinha no programa mas o meu pai não queria que eu fosse ao casting. Eu já tinha participado n’Uma Canção para Ti em 2009, e ele achava que era muito cedo para participar novamente num programa de televisão. A única forma que eu arranjei para vir para Lisboa foi convidá-los porque o Jorge tinha carta, e assim conseguíamos vir para Lisboa sem que o meu pai soubesse. Mas a minha preferência continua a ser cantar a solo. Há quatro anos atrás, descobri o fado, uma grande paixão na minha vida. Os Los Romeros é uma banda de amigos, mas em primeiro está a minha carreira a solo. É por isso que lutei desde criança e é por isso que vou continuar a lutar. Pelo meu nome a solo.

«Nós sentimo-nos vencedores»

EF: Como te sentes relativamente à vossa participação no Rising Star?

PC: Ao contrário do que algumas pessoas pensavam, não estamos nada tristes. Nem podemos! Quando chegámos aos castings nem sabíamos o que havíamos de cantar, fizemos imensas amizades, demo-nos a conhecer, ganhámos uma experiência fantástica. A participação no programa não é só o prémio final. Nós sentimo-nos vencedores. Temos de ficar muito felizes, ficámos em terceiro lugar de milhares de pessoas que concorreram de norte a sul do país. Muitas vezes tentaram desvalorizar a nossa participação por sermos a única banda no programa. Sim, é verdade, mas houveram muitas outras bandas a concorrer que não passaram e nós conseguimos.

EF: Como foi interpretar a Balada Astral com o Miguel Araújo?

PC: Na nossa opinião, foi dos melhores momentos do programa. O Miguel Araújo sempre foi o ídolo do Alberto. Para mim, é um compositor espetacular. Nos ensaios estava sempre a tentar ajudar-nos. Muito simpático. Acho que estava mais nervoso que nós no dia da gala, sempre a dizer que se o ecrã não subisse a culpa era dele e não nossa.

http://youtu.be/H2zY8bAb678

EF: Como geriste os nervos e ansiedade?

PC: Desde que comecei a cantar, houve muitas pessoas a ajudarem-me mas houve muito mais a deitarem-me abaixo. A dizer “és só uma miúda, achas que vais conseguir alguma coisa?”. Acho que eu, ao contrário de muitas pessoas, consegui não ligar a quem me tentou deitar abaixo e seguir o meu sonho. A verdade é que cheguei onde cheguei. Recebi comentários inacreditáveis do júri, tive pessoas profissionais no campo da música a confirmar o meu talento e isso só serviu para me deixar mais confiante. Ter nervos é normal por estarmos em televisão, mas o importante é chegar ali e pensar “hoje a noite vai ser minha”.

«Desde que comecei a cantar, houve muitas pessoas a ajudarem-me mas houve muito mais a deitarem-me abaixo»

EF: Porque é que começaste a chorar tanto na música Ó gente da minha terra?

PC: Eu nunca pensei ganhar o duela contra a Irina. Depois contra o Joaquim e a Carina também não achei que fossemos ganhar. Muito menos contra o Martim, que tem uma experiência e talento fantásticos. Ele improvisa, ele toca, ele canta. Eu pensava que o ecrã não ia subir. A minha preferência sempre foi o fado. Há pessoas que vêm ter comigo e me perguntam “como é que uma rapariga de 17 anos consegue cantar o fado dessa maneira?”. Eu não sei, quando canto fecho os olhos e quando volto parece que estive noutro mundo. Naquele momento, estava com a cabeça a zero, até já tinha pedido desculpa aos meus colegas porque acreditava que íamos ficar por ali. Estava a cantar mesmo a sentir a canção, estava muito emocionada e quando o ecrã levantou foi uma explosão de sentimentos. Tanto que, no direto de 10 minutos no final do programa nem consegui estar presente. Estava muito feliz, mas triste pelo Martim. Estava bastante confusa.

EF: Achavam que podiam ganhar?

PC: Não. Nós não esperávamos sequer passar no primeiro casting, nem ao programa e muito menos à final. Mas a partir do momento em que conseguimos eliminar a Irina, que era das melhores vozes do programa, já estávamos à espera de tudo. Mas chegar à final não.

EF: Qual é o feedback que têm recebido?

PC: Tem sido muito bom. Na internet há de tudo. Há pessoas que dizem que nem merecíamos estar no programa e outras que queriam que fossemos nós a ganhar. Na rua toda a gente gosta de nós, são muito simpáticos, pedem para tirar fotografias. É muito bom ter o reconhecimento das pessoas. É que durante o programa não tínhamos tempo para nada, agora é que temos um pouco mais.

EF: Têm projetos para o futuro?

PC: Agora temos concertos até 2015 de norte a sul do país. Mais para o Alentejo e Algarve. Vamos tentar ir a Espanha também. Um artista conhecido convidou-nos para gravar uma música mas ainda não podemos revelar. E acho que para o próximo mês vamos estar em Cascais. No sábado (2 de agosto) vamos estar na Festa de Verão da TVI no MEO Spot, em Portimão.