Maria Alyokhina Nadezhda Tolokonnikova pretendem levar o governo russo ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pela detenção das Pussy Riot em 2012, no contexto de um protesto. A notícia foi adiantada pelo The Guardian.

As duas mulheres exigem indemnizações no valor de 120.000€ e 10.000€ em custos judiciais. Ambas alegam que a investigação e a acusação violaram os seus direitos, atingindo o nível de tortura. Com o recurso ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), Alyokhina Tolokonnikova esperam ter um processo justo, e ainda demonstrar que o povo russo pode falar acerca de questões políticas sensíveis, mesmo que estas não tenham o suporte da maioria. “Este é um caso sobre a liberdade de expressão e de julgamento justo, acima de tudo”, afirma Pavel Chikov, representante de Maria Nadezhda.

A detenção das Pussy Riot ocorreu no dia 21 de fevereiro de 2012, após o grupo ter cantado a música Mother of God, Drive Putin Out na Catedral de Cristo Salvador, perto do Kremlin.

http://youtu.be/GCasuaAczKY

Três membros da banda foram acusados de vandalismo e condenados a dois anos numa colónia de prisão. Em outubro do mesmo ano, Yekaterina Samutsevich viu a sua pena suspensa, enquanto Alyokhina e Tolokonnikova protestavam em greve de fome contra a falta de condições com que deparavam. Em dezembro, as duas integrantes do grupo foram libertadas. Este ato foi visto como uma ação de boa vontade do governo russo antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi.

O TEDH salienta as condições desumanas às quais os réus foram expostos, nomeadamente a agenda rigorosa de audiências de julgamento, a jaula de vidro em que as mulheres foram mantidas e as medidas de segurança reforçadas. Chicov conta que “as pessoas viam-nas numa jaula de vidro, sempre próximas de cães da polícia, tudo de forma a fazê-las culpadas mesmo antes do tribunal as determinar efetivamente culpadas”.

Numa resposta de 35 páginas, o governo russo afirma que a acusação de que é alvo é “infundada“. Alega ainda que “um comportamento deliberadamente provocativo num lugar que é dedicado às necessidades espirituais dos crentes e é um símbolo da comunidade ortodoxa russa prejudica claramente a tolerância e não pode ser visto como um exercício normal, sincero dos direitos da convenção”.