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Vaticano reabilita “O Evangelho Segundo S. Mateus” de Pasolini

No ano em que se celebra o 50º aniversário da estreia de O Evangelho Segundo S. Mateus de Pasolini, o diretor do jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, faz-lhe uma análise bastante positiva considerando-o “o melhor filme já feito sobre a vida de Jesus”.

É de relembrar que o vencedor do Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza em 1964 foi alvo de censura por ser considerado “pouco sagrado” ao representar um Jesus demasiado humano. Na altura, a obra foi considerada tanto chocante como inesperada, por vir de um realizador ateu, homossexual e marxista e que chegou a afirmar que “nenhuma palavra poderá alcançar a altura poética do relato bíblico”.

Meio século passado e o filme é resgatado e reabilitado por comentários elogiosos de um representante da mesma identidade que o censurou, Giovanni Maria Vian: “A humanidade febril e primitiva que o realizador mostra no ecrã termina por conceder um novo vigor ao verbo cristão, que aparece neste contexto mais atual, concreto e revolucionário.” Graças a esta nova posição por parte da Igreja Católica, o filme foi digitalizado pela filmoteca do Vaticano.

O Evangelho Segundo S. Mateus destacou-se não só pelo seu lado polémico, mas também por ter assumido um estilo de semi-documentário e ter recorrido a atores não profissionais.  O filme que conta a história de Jesus desde o seu nascimento até à sua ressureição conta com a própria mãe do realizador, Susanna Pasolini, como Virgem Maria, e o protagonista de 19 anos, Enrique Izaroqui, tratava-se de um agnóstico, anarquista e espanhol antifranquista que acabou por ter o seu passaporte apreendido pela polícia por ter participado num “filme marxista“.

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