É do senso comum assumir que nenhum espectador se dispõe a ver um filme que não capte o seu interesse. Excepções à parte, é uma ideia, em princípio, inconcebível. A longa-metragem que pretende ser bem-sucedida deve levar consigo pelo menos uma característica que atraia a atenção do público – é para isso, afinal, que servem os trailers promocionais, entrevistas ao elenco e publicidade. É sempre eminente o perigo, no entanto, de sermos seduzidos pela tão assídua ocorrência da propaganda enganosa.

Esta aparentemente escusada divagação introdutória serve apenas para dizer que a campanha promocional em torno de Sex Tape, o novo filme de Jake Kasdan, incitava à expectativa. Não que fosse, à partida, candidato a melhor filme do ano, ou nada que a isso se assemelhe: a sua tão reciclada sinopse e a marca do realizador de Professora Baldas certamente não o permitiriam. O seu encanto viria, na teoria, de um elenco principal de peso, com os reencontrados Jason Segel e Cameron Diaz, e de um argumento assinado por Nicholas Stoller, autor de Forgetting Sarah Marshall, e pelo próprio Segel. Características estas que, apesar de não ganharem Oscars, prometiam bastantes risos e uma hora e meia bastante bem passada. Infelizmente, estas compõem um produto absolutamente lastimável – ora tolerável, ora excruciante, mas decidida e incontornavelmente enfadonho.

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Coincidentalmente ou não, Sex Tape assemelha-se, na maior parte de sua duração, a uma verdadeira sex tape. Desde os seus primeiros minutos, o filme bombardeia-nos com infindáveis cenas do acto sexual, que se prolongam e repercutem fastidiosamente por todo o filme, sem nada de valioso ou sequer significativo acrescentarem à narrativa. E nem é das cenas de sexo em si que se reclama (apesar destas não serem nem um pouco convincentes, dada a desmedida falta de química entre Diaz e Segel), mas do facto de Kasdan parecer não perceber, como se diz na sua língua nativa, “how much is too much”. Após algumas incidências destas repetições desnecessárias, chega-se à conclusão que o melhor seria mesmo abandonar a sala de cinema.

Sejamos justos, não obstante: há, de facto, momentos de maior inspiração no filme que, embora nunca cativem, proporcionam instâncias de algum entretenimento. Destaque para as intervenções de Rob Lowe, deslumbrante na pele do excêntrico empresário Hank, e de Jack Black, que surge encantador no pequeno papel que interpreta de um magnata da indústria pornográfica. Participações estas que se revelam, infelizmente, insuficientes para prender o público ao desenvolvimento da narrativa. De facto, se há algo que se deve notar, é que Sex Tape falha em proporcionar qualquer tipo de preocupação ou excitação em relação ao restante da história: por mais que antecipemos um desfecho para os acontecimentos, a verdade é que nunca se sabe ao certo se vale a pena esperar pelo fim do filme para o conhecer.

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Tal desinteresse é ainda amplificado pela já referida insossa interpretação de Jason Segel e Cameron Diaz, que aqui não fazem mas que nas dezenas de outros trabalhos que protagonizam. Mérito, no entanto, para o argumento de Stoller, Segel e Kate Angelo que, apesar de na sua globalidade acompanhar a mediocridade das atuações do filme, é bem sucedido na sua fuga ao estereótipo da comédia romântica. Mantendo-se longe da estrutura-base da maioria das longas metragens deste tipo de filme, a evolução da história de Sex Tape acaba por se revelar uma brisa de ar fresco em meio a tantas outras réplicas de obras anteriores, ainda que as piadas aqui presentes se posicionem mais perto do esperado.

Findas as notas positivas, escreva-se que Sex Tape é um absoluto e inegável desperdício de tempo. Um notável compêndio de momentos mal conseguidos e muitas vezes algo embaraçosos, o filme decerto deixará uma nódoa nas carreiras tão bem-sucedidas dos seus intervenientes. Numa comédia em que rir é uma raridade, o melhor é nem sequer entrar na sala de cinema, para poupar o trabalho de ter de sair a meio.

3/10

Ficha Técnica:

Nome: Sex Tape

Realizador: Jake Kasdan

Argumento: Kate Angelo, Jason Segel, Nicholas Stoller

Elenco: Cameron Diaz, Jason Segel, Rob Corddry, Ellie Kemper, Rob Lowe, Jack Black

Género: Comédia Romântica

Duração: 94 min.