The Coffee Shop Series chega à RTP2. A primeira temporada foi exibida na SIC Radical e esta 2ª é emitida de 2ª a 6ª feira, às 23h30, na RTP2. São várias histórias insólitas de três minutos, em redor da protagonista Carol (interpretada por Luísa Fidalgo) com várias surpresas e convidados incríveis. Conversámos com Luísa Fidalgo, criadora da série, para descobrir mais pormenores sobre esta nova temporada, conhecer outros projetos em que está envolvida e descobrir o que a levou ao The Coffee Shop Series.

Espalha-Factos (EF): Conhecemos o The Coffee Shop Series que está agora a passar na RTP2. O primeiro episódio foi uma criação espontânea num café em Madrid enquanto esperavas por uma amiga, e os restantes? Também foste tu que os escreveste? Com alguma colaboração?

Luísa Fidalgo (LF): Sim, esta segunda série fui eu que escrevi também. O ‘Bolacha’ escrevi com o Vasco, o realizador, e o episódio 12 também surgiu de uma conversa que estávamos a ter e que eu decidi transformar para um episódio. Mas de resto fui sempre eu. Na primeira temporada foi tudo completamente imaginado. Nesta segunda série algumas aconteceram ou são inspiradas na vida real, mas muito poucas. Como ‘o email‘ e um episódio com a Inês Aires Pereira. Uns três, mas continua a ganhar a imaginação.

The Coffee Shop Series

EF: Quem é a Carol? E que semelhanças tens com ela?

LF: A Carol é uma artista que está um bocado perdida. Estudou Belas-Artes e correu muito bem. Teve uma bolsa para estudar no estrangeiro, mas quando volta está numa situação que eu acho que muita gente se encontra neste momento. Entre os 25 e os 26, que tem um curso e até um mestrado mas não há muito trabalho. Podem ser pessoas muito boas e com uma arte incrível mas o país está um bocado complicado. É isso que ela anda a fazer: anda por cafés a escrever, a pensar, às vezes está quieta e acontecem-lhe coisas. Penso que é uma imagem de uma rapariga do nosso tempo. Sim, tenho semelhanças, mas ela é mais atrevida que eu.

«Tenho que ter sempre metas»

EF: Quem é a Luísa Fidalgo?

LF: Em Lisboa fiz um workshop com o John Frey e antes disso tinha estado em Itália a fazer Erasmus, em Roma. Estudei Jornalismo e Ciências da Comunicação no Porto, e penso que é daí que vem a minha parte de escrita criativa. Em Roma, estudei teatro durante um ano, e foi aí que eu descobri que esta era a minha paixão. As aulas eram durante os fins de semana enquanto os meus colegas se divertiam em festas. Quando cheguei a Portugal acabei o curso, ainda trabalhei como criativa numa agência de eventos, mas sempre a fazer teatro no Porto. Passados três anos optei pelo teatro e fui para NY tirar este curso de dois anos. Estudei representação numa escola chamada William Esper Studio em Nova Iorque. No dia em que estreou a segunda série fez dois anos que estou cá. E a primeira série estreou logo no primeiro ano que cheguei. Eu tenho que ter sempre metas e estas não me parecem más.

The Coffee Shop Series

EF: A aceitação da série no Curto Circuito foi quase imediata, como conseguiste? 

LF: Decidimos fazer isso, falei do projeto a um elemento da SIC Radical e ele gostou imenso. Combinámos uma reunião, eu levei logo três episódios, ele aprovou e a série começou logo a passar em janeiro do ano passado.

EF: O que podemos esperar da segunda série?

LF: Episódios um pouco mais soltos. A outra série tinha um fio condutor de romance, este queremos que seja mais random. Os próximos convidados são muito bons. Tivemos muita ajuda por gostarem do projeto e estamos muito contentes com os músicos que participaram. Acho inacreditável termos juntado artistas tão bons como a Dalila Carmo, Filomena Cautela, Rui Porto Nunes, os Best Youth, os White House e muitos mais…

“Quero fazer as pessoas sorrir”

EF: Achas que este formato teria um sucesso mais imediato se fosse lançado fora de Portugal?

LF: Eu tenho recebido reações muito boas pelo Facebook e da RTP2. Eu quero é entreter os portugueses, com esta nova série portuguesa. Quero fazer as pessoas sorrir. Há dois anos em NY este formato era ‘o que estava a dar’. Todos os atores e realizadores que saíam das faculdades e das escolas optavam por fazer o seu próprio trabalho, em conteúdos pequenos porque era o que os meios permitiam e expô-lo na internet. Se não estavam habituados, vão ficando. Mas ainda é um bocado novo, não há assim tantas webseries como nos Estados Unidos da América.

EF: Em que outros projetos estás envolvida?

LF: Eu fiz uma curta-metragem chamada Maria no Festival Internacional de Madrid. Estamos muito orgulhosos, eu fui nomeada para Melhor Atriz, a realizadora para Melhor Realizadora e a atriz secundária para Melhor Atriz Secundária. Este é um grande projeto que fizemos que está a ser reconhecido; é pena que seja lá fora, mas pode ser que seja cá reconhecido também mais tarde. Para além disso, tenho a segunda série do Webseries Psychodrama que vai ser muito gira. São três raparigas, eu e mais duas amigas, e 1 psiquiatra. O psiquiatra é o mesmo para as três amigas. Inspirámo-nos na nossa experiência porque quando estudávamos na William Esper, o nosso professor aconselhou todos os atores dele a consultar um terapeuta porque é muito difícil lidar com as emoções de cada personagem. Há personagens mais simples e menos violenta como a Carol, que não é tão violenta como a Maria. No final do curso baseamo-nos nisto para criarmos uma série. Eu comecei, fiz o The Coffee Shop Series e elas quiseram também experimentar. Fui lá há três meses para gravar a segunda série.

“Eu quero é ser atriz e criadora de projetos”

EF: Em que projetos te pretendes envolver num futuro próximo?

LF: Eu trabalho numa agência de publicidade como copywriter, mas eu quero é ser atriz e criadora de projetos. Já pensei em alguns conceitos e quero escrever um filme. Sei que é ambicioso mas nada é impossível. Tenho algumas ideias, mas acho que agora quero fazer uma pausa e experimentar projetos de outras pessoas para experimentar um pouco mais. Mas tenho sempre muitas ideias.

The Coffee Shop Series

EF: Consideras uma 3ª série?

LF: Acho que sim, mas se isso acontecer gostava de internacionalizar. Não é numa de ‘ah e tal vamos lá para fora porque aqui não está a dar’, e até podia ser, mas esta série já teve os atores que para nós são os mais marcantes: a Adelaide João no 3º episódio, a Dalila Carmo e a Filomena Cautela. Tivemos dos melhores atores e músicos de Portugal. No entanto, se for para fazer outra acho que vamos para fora.