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Aviões: Equipa de Resgate. O motor da Disney está a meio-gás

A aposta da Disney no mundo dos aviões, depois do sucesso de Carros – onde já havia aviões, mas estes não eram os protagonistas – , continua. Aviões: Equipa de Resgate, que estreia hoje, dia 17 de julho, dá continuidade a esta aposta na ação em altitude. A imaginação dos criadores transportou a narrativa dos pilotos de corrida para o mundo dos aviões-bombeiros. Para ajudar à festa da animação, a sequela vem em três dimensões: um 3D bem aproveitado, o que revela que os estúdios americanos já começam a perceber melhor as potencialidades e a justificar o uso deste modelo. 

Enquanto que o primeiro filme era um filme de corridas, o segundo revela-se para além da velocidade e das corridas. Tornando-se mais sentimental e emocional, Aviões: Equipa de Resgate aproxima-se de uma película trágica com os heróis e anti-heróis necessários para o sucesso e eficácia deste 83 minutos de fita. Aviões apresenta-nos a história de um mero pulverizador que se transforma, de forma apoteótica, num campeão mundial de aviação.

À velocidade da luz, Dusty – o jato supersónico – revela-se um excelente corredor, emancipação esta que traduz de forma rápida o filme. A ascensão meteórica (sem recurso ao livro Air Racing for Dummies) tem obstáculos: o preconceito perante o ‘farmer boy‘ e o seu medo pelas alturas. No entanto, Dusty agarra no lema “volo pro veritas” (voar pela verdade) e ultrapassas os medos, tendo até direito a uma caneca ‘pulverizador Dusty‘ que reflete a fama e o sucesso que conquistou.

A transição para o segundo filme é em queda. O sucesso de Dusty nas corridas está comprometido porque o seu motor está danificado e, segundo os seus amigos, não poderá nunca mais correr. Depois de ter sido o catalisador de um incêndio – e de o ter presenciado da pior forma – Dusty decide apostar no mundo do combate aéreo aos incêndios. Com a ajuda do veterano Blade Ranger, Dusty aprende a ser um verdadeiro bombeiro aéreo e a contornar o problema no motor que é o fantasma da sua vida.

Ao lado da equipa constituída pelo helicóptero de carga pesada Windlifter, a ex-avião de transporte militar Cabbie e um conjunto animado de veículos todo-o-terreno, Os Bombeiros Paraquedistas. Todos eles vão ter de enfrentar um dos maiores incêndios de que há memória no histórico Parque Nacional Pico Pistão… será que Dusty se revelará um avião especial? É a esta pergunta que o primeiro filme respondeu, e que Aviões: Equipa de Resgate volta a responder.

PLANES FIRE & RESCUE

O abandono das pistas e o ingresso nos bombeiros não foi pacífico. Aliás, a maior parte da história desenrola-se perante os conflitos desta transição. A fórmula da Disney, porém, não muda: uma ação empolgante, é verdade, junta-se ao humor para crianças aliado à típica emoção que só a Disney sabe dar. A cereja em cima do bolo é a habitual moral final.

Mas será que a fórmula se pode repetir continuamente? As crianças continuarão a gostar, presume-se, mas os pais que as acompanham dirão que este Aviões da Disney está longe de conseguir a adesão cega dos espectadores. E há ainda mais um ingrediente irritante em Aviões: aquele entusiasmo com que as personagens falam, bastante característico dos filmes de animação, acaba por cansar neste Aviões: Equipa de Resgate, deixando-nos tudo menos entusiasmados.

Contudo, há um grande ponto positivo neste que parece ser mais um filme da Disney. O 3D é bem aproveitado ao longo de toda a película, e é justificado pelas várias cenas de perigo no monte protegido pelos bombeiros. O fogo, os movimentos rápidos, a ponte a cair – tudo ajudou para que realmente fosse difícil tirar os olhos do ecrã. Daí que possa dizer que os óculos para ver em 3D não foram um mero acessório. Na verdade, o que mais cativa em Aviões: Equipa de Resgate é a adrenalina transmitida ao espectador através do 3D nas cenas de maior tensão dramática e de maior ação, seja com árvores a cair, seja com um caminho bloqueado pelas chamas.

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Dusty revela-se como o típico herói que perante as dificuldades ultrapassa-as. Depois do auge da narrativa, onde o mesmo revela-se como herói supremo, dizem-lhe: “aquilo que tu fizeste revela que és um avião especial“. E, de facto, os dois filmes confirmam isso mesmo: no primeiro Dusty não pára de subir na sua carreira como corredor – tanto que parece que tudo se passou em segundos -, e no segundo filme, ele enfrenta uma queda no seu percurso com uma subida aos ataques aéreos a fogos de forma eficaz.

De referir, por fim, a banda sonora. Aliada ao 3D, a sonorização deste Aviões deixa-nos de pêlos eriçados. Thunderstruck, dos AC/DC, ou Still I Fly, de Spencer Lee, trazem-nos simultaneamente a emoção e a ação necessárias para nos prendermos ao grande ecrã. Há ainda Brad Paisley com All In e Runway Romance ou Muskrat Love de Captain & Tennille  – e até o tema-genérico CHiPs nos diverte.  É esta banda sonora que nos leva ao ar, já que a imaginação da Disney não nos leva às nuvens. Será certamente uma boa ideia levar o teu primo/a para ver Aviões, mas dificilmente sairás de lá e recordarás os 83 minutos de aviões a… voar.

Para saberes mais sobre o mundo dos Aviões da Disney, clica aqui.

6/10

Título: Aviões: Equipa de Resgate

Realização: Roberts Gannaw

Argumento: Jeffrey M. Howard

Interpretação: Dane Cook, Ed Harris, Jerry Stiller, Julie Bowen, Regina King e Stacy Keach

Género: Animação; Aventura

Duração: 83 minutos

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