A palavra ‘viagem’ nesta época do ano é uma palavra recorrente. A pensar na mesma, o Espalha-Factos resolveu compor para ti uma lista de variadas sugestões literárias que começam, precisamente, com uma viagem. Seja o relato de uma jornada, seja uma aventura ou um mistério que comece durante uma viagem, ou até mesmo um percurso de descoberta pessoal, as nossas sugestões permitir-te-ão viajares por vários mundos literários, descobrires vários lugares e viver novas emoções. Afinal, um bom livro também pode ser um companheiro de viagem.

A Volta ao Mundo em 80 Dias (Le tour du monde en quatre-vingts jours, 1873) de Júlio Verne

1A abrir a nossa lista está um dos clássicos mais conhecidos do célebre autor francês Júlio Verne. Esta obra conta a aventura de Phileas Fogg e do seu servo francês Jean Passepartout em redor do mundo, tentando tudo por tudo para provar que era possível circum-navegar o globo em 80 dias. Ambos os homens partem então numa viagem onde visitam lugares exóticos e culturas completamente diferentes enquanto são perseguidos pelo Detetive Fix, que acredita que Fogg é o principal suspeito de um assalto ao Banco de Inglaterra.

A viagem de Phileas e Passepartout leva-os a conhecer um pouco do mundo enquanto percorrem locais como Bombaim, Hong Kong ou mesmo Nova Iorque.

A Viagem (The Voyage Out, 1915) de Virginia Woolf

10527962_913039512056001_829238584_nEste foi o primeiro livro publicado de Virginia Woolf, bem antes do reconhecido Mrs. Dalloway. Descrito como “uma moderna mítica passagem para a maioridade” e um reflexo da mudança da escritora para uma vida urbana em Londres, mais especificamente para o Grupo de Bloomsbury. E talvez estas afirmações que apresentam a história dest’A Viagem sejam verdadeiras.

É dada a conhecer a protagonista Rachel, uma personagem frágil, cheia de questões que dizem respeito aos bens morais e sobre o sentido da vida, num cenário cheio de personagens no mínimo curiosas e que despertam todas as questões. Ao longo do enredo, Virginia Woolf transporta as personagens para uma viagem de barco, para um hotel, para um passeio pelas montanhas e pelo rio. Existe, desta forma, um constante movimento das personagens à medida que se avança na história e nos pensamentos de Rachel. Mas para além deste cenário de viagem, os pensamentos da protagonista são o destaque da obra (como em quase todos os livros de Woolf): sobre a importância do amor, a insegurança de o encontrar ou não, a necessidade de mostrar afeto.

Existem também outras duas relíquias ao longo das páginas: uma crítica ao machismo presente na sociedade e outra relacionada com a banalidade e futilidades com que a maioria das pessoas se preocupa. Questões que se enquadram tão bem na atualidade.

O Mistério do Comboio Azul (The Mystery of the Blue Train, 1928) de Agatha Christie

500_9789724137650_misterio_comboio_azul_254dpiNuma viagem no Comboio Azul, Ruth Kettering é assassinada e o seu precioso rubi – o famoso “Coração de Fogo”, uma das mais valiosas jóias do mundo – é roubado. Aqui Hercule Poirot toma protagonismo e aceita desvendar o caso.

Ao investigar o passado, os relacionamentos e a família de Ruth, as suspeitas começam a cair sobre o ex-marido da vítima. No entanto, quando o nome d’O Marquês surge em cena – um famoso ladrão de jóias, cuja identidade se desconhece –, Poirot acredita que o assassínio e o roubo do rubi não tenham sido cometidos pela mesma pessoa.

Num autêntico jogo de identidades, Agatha Christie presenteia-nos de novo com um final verdadeiramente alucinante e genial.

 

Um Crime no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express, 1934) de Agatha Christie

capa-crimeDurante uma viagem no Expresso do Oriente, mais uma vez protagonizada pelo famoso Hercule Poirot, o detective belga conhece Mr. Ratchett, um americano detestável. Após Ratchett ser assassinado, cabe a Poirot conduzir a investigação no interior do comboio, num espaço e num tempo completamente limitados.

O desenrolar da trama revela que Ratchett é, na verdade, Cassetti, um criminoso que, anos antes, nos Estados Unidos, raptara e assassinara uma jovem da família Armstrong. Mas as revelações não se ficam por aqui: ao entrevistar os treze passageiros, o detective descobre que todos eles tinham uma ligação à família Armstrong e, consequentemente, poderiam ter um motivo para ver Ratchett – ou Cassetti – morto.

Num ritmo altamente viciante, Um Crime no Expresso do Oriente põe à prova todas as personagens e apresenta um desfecho altamente original, como só Agatha Christie consegue.

O Japão é um lugar Estranho (Wrong About Japan, 2004) de Peter Carey

9789728955915Este livro acompanha o próprio autor (Peter Carey) que leva o seu filho Charley, um rapaz de doze anos, familiarizado com o universo dos mangas e animes, numa viagem pelo Japão contemporâneo. Peter vê-se assim no meio de uma jornada que o ajudará a descobrir mais sobre o “verdadeiro Japão” com o qual muitos jovens ocidentais estão cada vez mais familiarizados.

Este livro além de relatar uma jornada pessoal, bem como apresentando-nos um universo considerado “estranho” por muitos ocidentais, apresenta-nos também a solidificação de uma relação entre pai e filho. Os curiosos pela cultura japonesa ou ou fãs de mangaanime certamente deliciar-se-ão com esta obra que refere clássicos tais como Astroboy, O Verão de Kijuro, Blood: The Last Vampire, entre outros. Na história é inclusive referenciada uma confraternização que os dois protagonistas têm com o famoso realizador oriental Hayao Miyazaki.

África Acima (2007) de Gonçalo Cadilhe

africaacimaUm livro de crónicas sobre uma longa e imprevisível travessia do continente africano, desde o cabo da Boa Esperança, no extremo Sul, até ao Estreito de Gibraltar, no extremo Norte. Gonçalo Cadilhe, jornalista e cronista português, recusa o transporte aéreo, porque “voar não é viajar”.

Nesta obra o autor leva-nos a descobrir como é pôr a mochila às costas e partir sem ter um destino, contando-nos muitas das suas peripécias com histórias caricatas. Para leres uma crítica que o  Espalha-Factos fez a esta obra clica aqui.

 A Viagem do Elefante (2008) de José Saramago

A_viagem_do_elefanteCom esta lista apresentamos-te uma sugestão da autoria do conceituado autor português. A Viagem do Elefante trata-se de um romance ficionado, baseado em factos históricos. Relata a jornada épica do elefante Salomão e do seu cornaca Subhro, numa viagem extraordinária de Lisboa até Viena, de inutilidade para o Rei de Portugal, D. João III, a presente inesquecível para o Arquiduque de Áustria, Maximiliano II. A amizade entre Salomão e Subhro, a belissíma reflexão sobre a condição humana, o confronto entre culturas e estratos sociais distintos, assim como as disputas religiosas, são alguns dos elementos que farão parte desta jornada.

Para leres uma crítica que o  Espalha-Factos fez a esta obra clica aqui.

Nos Passos de Magalhães (2008) de Gonçalo Cadilhe

Uimagem livro de viagens que segue o percurso de Fernão de Magalhães, de Lisboa às Filipinas, da Micronésia à Patagónia, de África a Insulíndia. A reconstrução do itinerário do primeiro português a chegar ao pacífico, há 500 anos atrás, impele-nos a conhecer um pouco mais da História de Portugal. Este livro tem como fio condutor a vida de Fernão de Magalhães, primeiro português a atravessar o Oceano Pacífico. São referidos destinos tais como: Lisboa, Filipinas, Micronésia, Patagónia, África e Insulíndia.

A história deste livro reconstrói a viagem realizada há 500 anos, bem como nos apresenta uma biografia de uma das figuras náuticas mais célebres de Portugal. “E provoca no leitor o desejo de partir”, de acordo com a sinopse apresentada no site Wook.

No teu deserto (2009) de Miguel Sousa Tavares

image (1)No teu deserto é uma obra de Miguel Sousa Tavares de 2009. Um livro que relata uma viagem pelo deserto que acaba por se revelar uma viagem pelo passado, por memórias, por um amor perdido. Um livro pequeno de fácil leitura que se devora num ápice, mas cheio de saudade e nostalgia que toca qualquer um. Afinal rumar ao desconhecido é sempre uma surpresa, principalmente quando se descobre que um estranho é aquele pedaço que nos fazia tanta falta. Esta obra, escrita na primeira pessoa, dá a impressão de ser uma conversa com o leitor, uma justificação de um amor, a necessidade de escrever sobre algo passado para garantir a sua existência. O narrador conta a  viagem que fez no deserto do Sahara em 1987 onde conheceu Cláudia, uma rapariga jovem, feliz e descontraída que fez mudar a sua ideia de amor, o pensamento e o encheu de dúvidas. O livro começa desde logo com um aviso: “No fim tu morres. (…) Assim mesmo, como se morre nos romances: sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar.”

No teu deserto foi a forma que Miguel Sousa Tavares encontrou para se despedir de Cláudia, passados 20 anos da sua primeira ida ao deserto os detalhes todos ainda lá estão, nem o tempo conseguiu apagar os pormenores de uma viagem surpreendente. Citando o próprio: “Consumia-me uma febre insana de caminhar sempre em frente, ao mesmo tempo que tentava preservar, como coisa preciosa a memória de todos os dias felizes que tinham ficado para trás – e onde estavam, como as folhas secas de uma rosa deixadas entre as páginas de um livro já lido, os nossos quarenta dias de deserto.”

Comer, Orar, Amar (Eat, Pray, Love  2010) de Elizabeth Gilbert

10524110_913039792055973_2021451016_nA nível mundial, esta obra é amada por uma parte da população e odiada por outra tal como acontece à maioria dos livros que atinge um reconhecimento e sucesso extremos. Não há como deixar de lado o Comer, Orar, Amar de Elizabeth Gilbert quando se deseja enumerar livros sobre viagens. Com toda a crise económica e, consequentemente, de valores será que a maioria das pessoas era capaz de tomar a decisão que a escritora tomou? Abandonar e divorciar-se do marido, a casa de campo, a carreira de sucesso (no jornalismo) e decidir viajar para Itália, Índia e Indonésia para se encontrar novamente?

Comer, Orar, Amar, livro de memórias publicado nos Estados Unidos em 2006, relata a viagem da escritora pelos três países enumerados. Ao sentir o vazio da vida que construiu – provavelmente igual à dos nossos amigos ou vizinhos, tão comum e monótona – toma a decisão de aproveitar os prazeres da gula em Itália, encontrar a espiritualidade na Índia e o balanço na Indonésia. Toda a obra é uma viagem pelos recantos destes três países, pelas questões de Elizabeth, pela felicidade que encontra no final da obra – e a levou a publicar o livro seguinte, por mais curioso que possa ser – pelo balanço interior que é elaborado e pela fuga da rotina, de forma a encontrar o verdadeiro sentido da vida – o objetivo da maioria das pessoas.

Texto escrito por Beatriz Vasconcelos, David Pimenta, João Safara, Raquel Dias da Silva, Sara Sampaio e Tiago Costa