Ela surge nos momentos que menos desejaríamos: no intervalo de um filme, durante o carregamento de um vídeo, ou até antes da nossa música favorita tocar na rádio. Mas o que seria do universo das marcas que vendem produtos e serviços sem essa ferramenta poderosa que é a publicidade? E sendo esta a forma mais determinante de se estabelecer uma ponte entre um produto e o consumidor, como é que a publicidade assume esse papel hoje em dia tão bem como há 50 anos atrás?

Uma resposta capaz de justificar honradamente estas questões pode muito bem estar na música. Um determinado tema pode explicar por si só como é que nos recordamos de campanhas publicitárias de há cinco, 15 ou mesmo 20 anos atrás. O Espalha-Factos elaborou uma lista de dez canções que fizeram parte de campanhas publicitárias e que também a ti não serão de todo desconhecidas.

Vivaldi – Quattro Stagioni – BPI

Por vezes, a aposta numa determinada sinfonia revela-se tão acertada, que depressa se torna prata da casa. O BPI levou à risca a velha máxima de que “em música de anúncio que ganha não se mexe” e fez do Inverno das Quatro Estações o seu hino publicitário. Estivessem no cenário Jorge Corrula, José Mourinho ou uma Fernanda Serrano com um penteado “diferente”, a estrela maior dos anúncios era sempre a obra-prima de Vivaldi (clica aqui para a música original).

Ponchielli – Dance of the Hours – MEO

Continuando pelas gôndolas mágicas da música clássica, há, atualmente, um anúncio que salta à vista, não tanto pela sua qualidade, mas por repescar um compositor tão underrated como Amilcare Ponchielli. No anúncio, os Gato Fedorentos tocam Dance of the Hours repescando a infame vuvuzela do Mundial da África do Sul, em 2010, que supostamente não soa irritante em modo clássico. A montagem é péssima, a originalidade é relativa, mas o génio do compositor italiano permanece intacto. (clica aqui para a música original)

DIIV – Doused – ZON

A predileção por bandas de Indie Rock pelas operadoras de telecomunicações no nosso país parece não ter limites. Na sua última campanha antes de mudar de nome, a ZON escolheu Doused, uma canção que rapidamente fica no ouvido e que, aliado à figura da sempre bonita atriz Sónia Balacó, rapidamente chamou a atenção dos portugueses. O tema pertence aos norte americanos DIIV e faz parte do álbum Oshin, o primeiro trabalho de originais da banda (clica aqui para a música original).

Peter Bjorn and John – Young Folks – Optimus

Uma coisa é certa: a música faz muitas vezes o anúncio e é graças às sonoridades que rapidamente o mesmo fica gravado na memória das pessoas. É o caso dos anúncios da Optimus “apadrinhados” com os assobios da canção Young Folks, dos Peter Bjorn and John. À época da campanha multiplataforma, era mesmo a canção mais trauteada por esse país fora. A banda aproveitou e bem o sucesso do seu tema por terras lusas e foram vários os festivais em que atuaram. (clica aqui para a música original)

The Dandy Warhols – Bohemian Like You – Vodafone

São muitos os temas que certamente não teriam o mesmo êxito se não tivessem sido repescados pelas marcas para as suas estratégias publicitárias. Apesar de ter sido usada para uma campanha global, Bohemian Like You acabou por se tornar um marco em Portugal, já que marcou o período de transição entre o fim da Telecel e a chegada da Vodafone. Com esta canção dos The Dandy Warhols surgiram também no país os primeiros anúncios com jovens sempre sorridentes a fazer atividades como ir a concertos, praias ou simplesmente laurear a pevide, anúncios esses ainda hoje preferidos pelas operadoras. (clica aqui para a música original)

Luciano Pavarotti – La Donna è Mobile – Dr. Oetker

Um dos trunfos da publicidade é a criação de ambiências, construídas à volta de um produto. A Dr. Oetker criou o cenário quase-perfeito ao misturar um casal italiano de namorados num ristorante muito italiano, com uma paisagem artística ao fundo, que claramente é italiana (podia jurar que aquela escultura é do período renascentista), uma mesa cheia de pizzas com bom aspecto e repletas de italianidade e uma canção de Luciano Pavarotti, que era transalpino e cantava em italiano. O cenário só não é perfeito, porque as pizzas da Dr.Oetker são “Made in Germany”… Ups! (clica aqui para a música original)

Ella Fitzgerald – Cheek to Cheek – Adágio

Nunca entendi o que é que iogurtes e sensualidade têm em comum, mas é uma daquelas coisas que num anúncio de 30 segundos faz todo o sentido. Decotes? Lábios vermelhos? Corpos definidos? Sim, é muito giro, mas os iogurtes cremosos são o pináculo da sensualidade. Neste anúncio, entre poses e corpos sensuais, a figura central é mesmo o iogurte e o ambiente angelical, trauteado pela música Cheek to Cheek. Com esta sensualidade e lacticínios deste gabarito é fácil perceber porque toda gente quer ir para o céu… (clica aqui para a música original)

The Human League – Don’t You Want Me – Chips Ahoy

É na década de 80 que encontramos muitas canções cujos títulos se adequam ao mais variado leque de situações. Estados de espírito, momentos do dia-a-dia, anúncios publicitários, é à vontade do freguês. A Chips Ahoy apostou num clássico dos The Human League para fazer uma paródia ao facto de não sobrar uma única bolacha do pacote, isto ao som de Don’t You Want Me (Baby). A marca conseguiu fazer o dupleto com esta abordagem: despertar o desejo de consumir bolachas e suscitar interesse na música que os nossos pais ouviam. (clica aqui para a música original)

Wolfmother – Joker and the Thief – Peugeot

Apesar do hiato relâmpago em 2013, os Wolfmother são aos olhos de muitos uma das principais esperanças para o futuro do rock. Os australianos destacam-se pela energia, pelas baladas (Caroline?) e pelo espantoso alcance vocal de Andrew Stockdale. O alcance vocal é tal que os Wolfmother acabaram por chegar à alta-roda da publicidade, pela mão da Peugeot. O anúncio tem uma segunda versão com a canção Winds of Change de Erwann Kermorvant, mas nós preferimos a que conta com Joker and the Thief. (clica aqui para a música original)

Brandi Carlile – The Story – Super Bock

Por norma, os anúncios que funcionam como um espelho que reflete o nosso modo de vida possuem a magia de se entranharem mais facilmente nas pessoas. A Super Bock está longe de ser uma novata neste tipo de apresentações ao público, mas na campanha “Momentos” foram mais longe, ao buscar uma canção que tinha acabado de sair e que assentava na perfeição no objetivo da marca. O resultado? Uma das campanhas mais marcantes da cervejeira e a prova de que a publicidade não precisa de ser enfadonha. (clica aqui para a música original)

Artigo escrito por Pedro Afonso Afflalo e Pedro Bento.