Por ter sido a primeira escritora portuguesa a entrar no top 100 da Amazon e com todo o sucesso à volta do livro Os 30 – Nada é como sonhámos, decidimos colocar algumas questões a Filipa Fonseca Silva que se prepara para lançar o segundo romance pela Bertrand Editora no próximo dia 15 de julho. Quisemos saber um pouco mais sobre o Estranho Ano de Vanessa M. – o seu processo de publicação, feedback por parte dos leitores -, alguns conselhos da escritora para os que desejam publicar um livro e muito mais.

Espalha-Factos: Filipa podes contar-me, com palavras tuas, a história do teu novo livro?

Filipa Fonseca Silva: Este segundo livro é sobre uma mulher que tem um pequeno esgotamento nervoso, fruto do acumular de frustrações com vários aspectos da sua vida: um casamento prematuro, um emprego pouco gratificante, uma carreira que acabou por abraçar, mais por pressões externas do que por vocação, uma vida social quase inexistente. Durante um ano, Vanessa é empurrada para uma série de episódios que a levam a questionar todas essas escolhas e a fazer mudanças drásticas, em busca de um final feliz.

EF: Sei que decidiste publicar este livro como edição de autor em primeiro lugar. Porquê essa decisão na altura, tendo em conta que já tinhas publicado o teu primeiro livro pela Oficina?

Filipa Fonseca Silva: Esta decisão surgiu quando a Oficina do Livro não se mostrou interessada na publicação. Como sabia que os meus leitores iam gostar desta história e, pelas mensagens que me iam deixando, estavam interessados em ler outros livros meus, acabei por me aventurar na autopublicação, em formato digital, através da plataforma da Amazon, onde já tinha publicado a versão inglesa do meu primeiro livro com enorme sucesso.

Filipa Fonseca Silva© Vera Marmelo
 

EF: Como tem sido o feedback dos leitores que já leram esta tua história?

Filipa Fonseca Silva: Tem sido excelente! A maioria até gostou mais deste segundo livro, talvez porque o primeiro (Os 30 – Nada é como Sonhámos) se centrava nas aventuras de uma geração mais específica,  ou talvez por ser uma tema mais sério, com que as pessoas se identificam muito: a tal frustração com as rotinas do dia-a-dia e a tentativa (ou pelo menos o sonho) de dar uma volta de 180º.

EF: Achas que a publicação pela Bertrand Editora te vai fazer chegar a mais pessoas e a mais leitores?

Filipa Fonseca Silva: Sim, claro. E foi uma das razões que me levou a abdicar da liberdade que uma autopublicação proporciona. Os portugueses ainda preferem ler livros em papel e comprá-los numa livraria, do que fazê-lo numa loja online. Além disso, só uma grande editora como a Bertrand consegue promovê-lo e fazê-lo chegar a públicos que eu nunca conseguiria atingir sozinha.

EF: Seres a primeira escritora portuguesa a estar presente no Top 100 da Amazon abriu-te mais portas, deu-te mais oportunidades?

Filipa Fonseca Silva: Sim, para começar, deu-me a oportunidade de trabalhar com a Bertrand. Foi essa notícia que despertou a curiosidade do meu editor, Eduardo Boavida, e que nos acabou por juntar. Depois também me trouxe mais seguidores no blogue e nas redes sociais, pessoas que, de outra forma, dificilmente se iriam cruzar com um livro meu.

EF: Que conselhos podes dar a novos autores que querem publicar os seus livros mas não conseguem?

Filipa Fonseca Silva: A autopublicação, com as ferramentas que hoje existem, é uma opção excelente mas apenas se o autor já tiver uma audiência.  Porque promover um livro é tão difícil quanto escrevê-lo e torna-se ainda mais difícil sem a garantia de qualidade de uma editora ou de um trabalho anterior.

Se optarem pela autopublicação, o meu conselho é que peçam a alguém para fazer uma leitura crítica e a revisão do livro, para garantir um trabalho de qualidade, sem gralhas, sem erros, sem repetições.

O outro conselho é continuarem a escrever e a enviar o trabalho para editoras. Se for bom, alguma acabará por pegar nele. Mesmo que seja após dezenas de cartas de rejeição.

Filipa Fonseca Silva2© Luís Baltazar para a VIP
 

EF: Tens mais algum livro em mente, que eventualmente já estás a escrever?

Filipa Fonseca Silva: Neste momento estou a terminar a primeira revisão de um livro de crónicas que, se tudo correr bem,  deverá ser publicado no início do ano que vem. Quanto a romances, ainda estou em processo criativo, ou seja, ainda não cheguei à parte de me sentar para assentar ideias.

EF: Por último, gostava de te perguntar qual é o livro que estás a ler neste momento?

Filipa Fonseca Silva: Estou a começar O Ano da Morte de Ricardo Reis. Sou apaixonada pelo Saramago, mas ainda não consegui ler nem metade da sua obra. Há sempre tantas novidades nas livrarias e tantos clássicos à espera, que é impossível ler tudo o que gostava de ler. Por isso decidi ler um Saramago por ano. Este ano foi este o escolhido.

Poderás saber mais sobre o novo livro de Filipa Fonseca Silva aqui.