Gui Amabis - Casa Independente

Gui Amabis traz as suas palavras ‘carnívoras’ à Casa Independente

De carnívoro só se for o título do último disco de Gui Amabis, Trabalhos Carnívoros. As músicas, as palavras das canções deste músico brasileiro passearam pelos ouvidos de todos os presentes na Casa Independente. Um espaço acolhedor para um concerto intimista que contou com a cantora Rita Redshoes e o músico Tiago Maia a acompanhar Gui Amabis, na passada terça-feira.

Pouco depois das 22h30, atraso devido ao jogo do Mundial entre Brasil e Alemanha, o cantor sentou-se no palco e começou a apresentar as músicas da sua carreira com Pena Mais Que Perfeita, adivinhando-se já a poesia que iria estar assente em todos os temas que iria tocar. Não é qualquer um, desprendido de atenção na Casa Independente, que entende à primeira que “essa pena é mais que perfeita / Ela é estreitamente lenta/ E na pele moura ela ferve escorando a alma”, continuando por aí fora. Trabalhos Carnívoros é o segundo disco de Gui Amabis, depois de Memórias Luso/Africanas, e foi lançado em 2012 no Brasil. Chega unicamente dois anos depois ao nosso país, no momento em que o músico está a fazer uma estadia prolongada por Lisboa.

E tal como fez questão de dizer, mesmo antes de Rita Redshoes entrar em palco nas últimas músicas do concerto, foi por causa dela que decidiu vir conhecer as raízes. Ao produzir o último disco da cantora, Life Is a Second of Love, aproveitou para conhecer a origem materna. E por ser uma música da sua autoria cantaram, em conjunto, Curve Dance Dreams, numa mistura magnifica de duas vozes completamente distintas. À medida que a voz de Rita, nas mais de três músicas que interpretaram, abraçava a de Gui, vinha ao de cima a cumplicidade existente em cima do palco.

Gui Amabis e Rita Redshoes - Casa Independente

Mas ainda antes disso, foram apresentadas todas as canções do disco de Gui Amabis, num ambiente sereno e sem muitas luzes: Merece Quem Aceita – inspirada numa conversa do músico com o irmão – Tiro, Menino Horrível, Crepúsculo, Um Bom Filme e por aí fora, num desfilar majestoso do poder das palavras.

Apesar de cantar em língua portuguesa, não há simplicidade nestas letras. É necessária alguma atenção quando Gui Amabis liberta as palavras, de forma a devorarem os ouvidos, a encantarem os sentidos de todos os presentes: “Agora me vejo de fora/ Caminho e abandono a memória/ E saio num passo corrido/ No peito, um solfejo contido”. Tal como uma boa obra de arte, apesar do tom íntimo com que cantou todas músicas, também houve oportunidade para as pessoas associarem as letras às suas vivências pessoais. Não começassem, algumas pessoas, a sentarem-se à frente do palco pela serenidade transmitida pelo músico. Bastou uma para todos começarem a fazê-lo, de forma a desfrutar das palavras que eram libertadas.

Neste disco apresentado, o artista afirmou que “cada canção tem uma inspiração” com “duas coisas ou situações”, sendo um trabalho “de paisagens sonoras e imagéticas, retratos de certos momentos da sua vida”. E o mais impressionante é que para se entender estes Trabalhos Carnívoros é necessário ouvir mais do que uma vez todas as canções, mesmo depois de toda a atmosfera proporcionada pelo concerto na Casa Independente. Resta agora esperar por mais músicas de Gui Amabis no futuro, por mais um disco, por mais concertos em Portugal em salas maiores.

Gui Amabis - Casa Independente 1

©  Fotografias por Catarina Veiga

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