É certo e sabido que a terceira semana de julho vai ser uma altura fervilhante para a Amadora no que nas artes performativas diz respeito. Isto porque o Teatro Passagem de Nível, em cooperação com a Câmara Municipal da Amadora e os Recreios da Amadora, está a organizar a segunda edição do DRAMA – Jornadas de Teatro Associativo da Amadora.

Os próximos dias 16, 17, 18, 19 e 20 de julho transformarão os Recreios da Amadora num palco para o debate, a reflexão e  apresentação de espetáculos de teatro associativo oriundo de todo o país. O Espalha Factos não poderia deixar este evento passar ao lado e, por isso, oferece uma antevisão detalhada sobre o que esperar do vasto e variado programa que compõe o cartaz do festival. Assim, nestas linhas poderão ler mais sobre as quatro ofertas ora dramáticas, ora cómicas e sempre unidas pela ambição comum de oferecer algo único à plateia. Comecemos:

17 de julho: Eu, a Mulher Macaco/Valdevinos Teatro de Marionetas | 21h30

mulher macaco

Julia Pastrana nasceu com hipertricose, doença que para sempre lhe atribuiu o estatuto de “mulher macaco“. Theodore Lent é seu marido e também um empresário artístico sem escrúpulos, algo que o leva a transformar Julia numa atração circense que marca o ambiente em que a plateia irá viver esta bizarra história, toda ela contada pela frágil mas talentosa senhora.

Eu, a Mulher Macaco é uma emocionante produção da Valdevinos. Com recurso a marionetas, aqui se cria um espetáculo intimista e com música ao vivo que irá percorrer este conto peculiar e intrigante baseado na história de uma personalidade real que muita gente encantou. Sem dúvida, uma das propostas mais aliciantes neste DRAMA com a sua junção de cores, materiais, sons e técnicas.

18 de julho: Rituais da Terra/Teatro Passagem de Nível e Associação Cultural dos Surdos da Amadora | 21h30

CARTAZ RITUAIS DA TERRA

No dia seguinte chega o espetáculo da organização anfitriã. O TPN, juntamente com a Associação Cultural de Surdos da Amadora traz-nos Rituais da Terra, um projeto que integra em sintonia surdos e ouvintes para a construção de um espetáculo dramático exclusivo.

Aqui existe a natureza, a harmonia, a cooperação, a linguagem do movimento e as mensagens criadas e apreendidas fruto da sintonia criada para um espetáculo que pretende envolver toda a sala. Os Rituais da Terra pretendem apurar-nos os sentidos e jogar com os quatro elementos da natureza, enquanto se reconstituem costumes e tradições milenares. Um projeto bucólico e especial que valerá a pena assistir.

19 de julho: A Noite/Plebeus Avintenses de V.N. de Gaia | 21h30

A Noite 6

Baseado no único registo de texto dramático escrito por José Saramago, este espetáculo é-nos trazido desde o Norte pelos Plebeus Avintenses. Oriundo de Vila Nova de Gaia, este grupo traz-nos a sua visão d’A Noite, peça de teatro que se passa na madrugada de 24 para 25 de abril de 1974.

Aqui poderemos testemunhar os eventos da revolução sob a perspetiva de uma sala de redação portuguesa bem como as variadas reações dos diferentes intervenientes todos eles distintos, ideologicamente e hierarquicamente. Uma dura reflexão sobre a ditadura, os jogos de poder que assolam uma instituição como um jornal e as relações de trabalho. Tudo isto banhado numa fina ironia que só o nosso escritor luso poderia produzir.

 

20 de julho: Foi na Loja do Mestre André/Teatro Independente de Loures |16h00

mestre andré

No último dia e em jeito de encerramento, o DRAMA abandona um pouco o carregado conteúdo semântico que lhe dá nome e decide acabar numa nota mais divertida e colorida. Foi na Loja do Mestre André é a oferta que o festival tem para fazer as delícias dos mais novos, sem descurar nunca os adultos.

Há uma festa e um anão e um gigante foram à Loja do Mestre André buscar novos fatos. O que irá ocorrer a seguir cabe a vocês descobrirem, no entanto, já nos foi dito que é algo certamente muito divertido. Depois de mulheres macaco, dos rituais vindos da terra e de noites cerradas à frente da máquina de escrever, é hora de injetar alguma azáfama vibrante e divertida com este projeto vindo de Loures.

É de relembrar ainda que a 16, dia inaugural do espetáculo, terá lugar uma mesa redonda com o intuito de debater o seguinte tema: Que evolução no Teatro do Município de Abril, 40 anos depois da Revolução? – Também esta atividade agendada para as 21h30.

Os preços por sessão são de 5€. As atividades do dia 16 são gratuitas.