O movimento punk e os fenómenos associados vão ser o tema central do congresso Keep It Simple, Make It Fast que tem lugar na Casa da Música, no Porto, a partir do dia 8 de julho.

Segundo a socióloga Paula Guerra, da Universidade do Porto, na conferência internacional “ vão ser apresentadas as conclusões de uma série de investigações desenvolvidas nas ciências sociais, mas também nas artes, no design e na música” que permitem concluir que três décadas após o movimento punk as “formas de vida” alternativas estão cada vez mais presentes na sociedade atual.

Questões como a luta e a resistência ao sistema político, a participação social e política, apesar de apartidária mas interventiva, são dos temas principais transportados para a atualidade, dentro do conceito DIY (Do It Yourself) – “pessoas que querem fazer a diferença e não querem ser uma ovelha no rebanho” – afirmou à Lusa Paula Guerra sublinhando as características originais do punk.

A socióloga explicou ainda que “há casos de pessoas que têm empregos. Trabalham das ‘nove às cinco’ e paralelamente desenvolvem projetos em que reúnem amigos, gravam música em casa, fazem as capas dos discos e das cassetes e que são movidas por uma paixão. Acreditam em fazer coisas diferentes e sobretudo é muito interessante que estas coisas se verifiquem numa sociedade como a atual em que há uma banalização enorme das coisas, inclusivamente da participação cívica e da participação política”.

A investigação da socióloga baseou-se em entrevistas de quase 200 pessoas sobre o punk em Portugal onde assume também a importância do envelhecimento bem como do papel das mulheres nos movimentos alternativos em Portugal a partir dos anos 1980.

No congresso vão ser também apresentados os trabalhos do investigador australiano Andy Benett, do canadiano Will Straw e do sociólogo Augusto Santos Silva. “Temos 160 pessoas de 30 países e que vêm de propósito para o congresso. São investigadores destas áreas e não só da parte do punk mas também investigadores de Heavy Metal, Hip Hop, Rap e da música eletrónica”, sublinhou Paula Guerra.

Keep It Simple, Make It Fast – Underground Music Scenes and DIY Cultures, sem precedentes em Portugal, vai decorrer entre os dias 8 e 11 de julho na Casa da Música, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e em outros espaços da cidade como a  Matéria Prima, a Dama Aflita e o PlanoB onde vão ser organizados exposições e concertos.