Três Mulheres Altas

Três Mulheres Altas: O olhar feminino de uma vida que passou

O ciclo da vida decorre à medida que temos seres humanos, de gerações mais antigas, a recordarem a vida que lhes fugiu pelas mãos e outros, extremamente novos e com muito para aprender, a questionarem-se sobre o futuro, a vida que querem ter e os ideais a seguir. Três Mulheres Altas, de Edward Albee e encenada por Manuel Coelho, oferece estes factos na perspetiva de três mulheres de diferentes gerações que são apenas uma. Permanece em cena, na Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, até 13 de julho.

Um cenário sublime. Algumas cadeiras e uma mesa, poltronas, uma cama e pouco mais. Catarina Avelar, uma personagem com 92 anos e com demasiados problemas físicos, Paula Mora, com metade da vida a permanecer no passado, e Inês Castel-Branco, com juventude a correr-lhe nas veias e demasiada ingenuidade no comportamento. Diferentes gerações que, no primeiro ato, estão divididas pelas histórias de vida.

Três Mulheres Altas

Temos a senhora mais velha, sentada na poltrona, com problemas fisiológicos – provenientes dos 92 anos de idade – a resmungar e a contar vários acontecimentos da sua vida. Memórias que vêm acompanhadas de alguma senilidade, disfarçada com a comédia. Esse lado cómico tão bem retratado por Catarina Avelar, a principal protagonista ao longo de toda a peça. A comicidade tão bem elaborada que alivia o dramatismo que Três Mulheres Altas podia ter do início ao fim.

A cuidar desta mulher mais velha temos a de 52, interpretada por Paula Moura, e a jovem de 26, por Inês Castel-Branco. Cada uma com o seu feitio e personalidades. Ouvem a senhora mais velha, que consegue arrancar bastantes gargalhadas do público. Arranca as gargalhadas de quem assiste mas e das mulheres que estão em palco? Coloca-as a pensar, a questionarem-se. Essas questões personificam-se em Paula como humor. Por vezes um humor negro, de uma mulher na casa dos 50. E em Inês Castel-Branco é a resmungice e demasiadas interrogações o que a caracteriza.

Três Mulheres Altas

Até as três mulheres serem uma só. Cada uma representa a mesma pessoa com idades diferentes. “Eu não me quero tornar naquela coisa!”, afirma Inês a apontar para a mulher mais velha e, neste momento, estendida na cama luxuosa. A partir deste momento é ver e ouvir reflexões sobre a condição e vida humana, de uma forma crua e sem medos. “Lá chegarás!”, dizem as outras.

Cada uma destas três atrizes tem o seu momento de glória. Catarina Avelar é quem oferece, na maioria da peça, os momentos cómicos. Quem tira um sorriso ou uma gargalhada de quem assiste, pelos acontecimentos que conta, pelas intervenções que faz quando as outras mulheres a questionam sobre a sua vida. Especialmente quando Inês Castel-Branco fica horrorizada com a vida que vai ter pela frente, longe de ser do conto de fadas que esperava. E que momento sublime. Não fosse esta mais uma prova do talento da Inês!

Três Mulheres Altas

Paula Mora representa, com qualidade, a mulher com alguma sabedoria. Sabedoria que coloca em humor negro, para fazer uma autocrítica, e com rancor pelo abandono do filho. Sentimentos que são despejados em cima do palco quando ele aparece depois do seu enfarte. Ao conversarem em palco, no segundo ato, estas mulheres são espíritos da mesma personagem. São a mesma pessoa. “Como é que cheguei a isto”, interrogam-se a cada minuto do espetáculo e interroga-se também o público.

Três Mulheres Altas oferece uma forte reflexão sobre a vida humana, sobre o papel das mulheres. As transformações do ser humano, nas diferentes gerações, nos comportamentos, no corpo, nos pensamentos estão bem colocados nesta peça de Edward Albee. Não admira que esta seja a sua peça mais pessoal, tal como se pode ler em qualquer comunicado.

Está em cena até 13 de julho no Teatro Nacional D. Maria II. Todas as quartas às 19h, quintas a sábados às 21h e todos os domingos às 16h. Podes consultar aqui o preço dos bilhetes. Podes ver, mais abaixo, o vídeo promocional da peça.

Fotografias cedidas pelo TNDMII

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