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Crítica: A.K.A, de Jennifer Lopez

Jennifer Lopez, ou JLo, não lançava um disco de originais há três anos, mas parece que nunca parou no mundo da música pop. Depois do barulhento Love? – com especial destaque para o single On The Floor – lançou ainda um disco com os êxitos da carreira e vários telediscos. Dance Again, Goin’ In e Live It Up, apesar de estarem longe dos primeiros lugares das tabelas de vendas, perpetuaram a imagem de JLo como uma das cantoras mais ativas no cenário da pop. Lança hoje o mais recente A.K.A.

Apesar do mundo da música pop estar cada vez mais inundado com escândalos, línguas de fora, imagens sexuais exageradas e forçadas – lembremo-nos da “crescida” Miley Cyrus – com a eterna sexualização da mulher – personificada por cantoras como Kylie Minogue, Rihanna ou Katy Perry – ou com o romance até a roçar a violência, como acontece com este último disco de Lana del Rey, a latina Jennifer Lopez surge mais uma vez para animar e dar longa vida a quase todas estes ingredientes da música pop, desta vez com um disco surpreendentemente pessoal em alguns momentos. A.K.A, ao contrário do seu antecessor, é uma amostra moderna e eficaz de todos os estilos que elevaram JLo a uma estrela mundial.

Jennifer Lopez

Se antes foi a eficaz colagem da Lambada e a colaboração com Pitbull que abriu o disco, este A.K.A está longe de abrir com uma música elaborada para as pistas de dança. Na faixa-título ouvimos tantas vezes a frase “You don’t know me now / Oh, you don’t know me now” que quase chegamos a acreditar nisso. Como se ao fim de oito discos de originais e tantos papéis desempenhados em vários filmes – como em Encontro em Manhattan, Vamos Dançar? ou Uma Sogra de Fugir – já não a conhecêssemos ou tivéssemos uma imagem pré-elaborada desta estrela latina. São poucas as músicas amigáveis para uma pista de dança neste novo disco, unicamente First Love e Booty (com o habitual Pitbull) se adequam a esse género.

O último single, First Love, que conta com David Gandy no teledisco, é produzido por Max Martin e o típico cliché romântico da música pop. O desejo de um ser humano ser o primeiro amor, ao invés do terceiro, segundo ou quarto, quem sabe. Segue-se Never Satisfied, uma das baladas presentes no disco. Mais uma vez, Lopez canta sobre o desejo de ter mais amor. Mais e mais, sem estar satisfeita – e sabe-se, pelos meios de comunicação social, que terminou há pouco o seu relacionamento mais recente.

I Luh Ya Papi ouve-se mais do que uma vez pelo refrão repetitivo que fica, extraordinariamente, na mente de qualquer um e e vê-se pela presença do modelo português André Costa no teledisco da canção. Ainda antes de se entrar no território das três baladas de A.K.AEmotions, So Good e Let It BeActing Like That é uma das melhores surpresas do disco. Iggy Azealia, cada vez mais requisitada para colaborações, oferece a qualidade que é necessário existir numa música de hip-hop – território que está longe de deixar a voz de JLo à vontade.

Emotions, So Good e Let It Be estão exatamente no mesmo terreno: a mostrarem a qualidade vocal da cantora, num território demasiado emocional para uma performer que habituou o público, nos últimos singles lançados, unicamente a dançar – “on the floor/on the floor” ou “I wanna dance again” estão demasiado presentes no público ou mesmo nos que assistiram ao concerto no MEO Arena, ainda em 2012.

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Worry No More é uma das melhores surpresas do disco, no campo do hip hop. A sonoridade relembra, talvez, uma Jennifer Lopez na época do This Is Me…Then. Imaginamos uma latina recheada de luxo, a cantar o que há de melhor na vida e esquecida de todas as desilusões amorosas, a preparar-se para oferecer um encerramento de qualidade. É o que acontece com Booty, a última canção da edição normal de A.K.A.

Chama Pitbull para participar e encerra o disco em modo de festa, tal como fez com Hypnotico no Love?. “All the sexy girls in the party / Go grab a man and bring him to the dancefloor”, pode ouvir-se JLo a cantar. “Cresci no Bronx e fui habituada a ouvir coisas muito diferentes – pop, dance, R&B e hip hop – e eu estou numa fase da minha vida em que faço coisas que me parecem autênticas”, disse a cantora sobre A.K.A. Não podia estar mais correta. Todo o disco traz um pouco de todas as sonoridades enumeradas pela cantora, é uma roda recheada de opções para todos os gostos.

Apesar da desilusão amorosa que se pode ouvir até nas entranhas do álbum, existe um revestimento de luxo a começar na capa – no fundo vermelho, no vestido Versace usado de uma forma ousada e na quantidade de aperfeiçoamento que se pode notar no rosto e corpo de JLo. Há momentos sérios em A.K.A mas também há espaço para o luxo, para a perfeição plástica e a descontração. Não se podia pedir mais.

Nota final: 7,5/10

Podes ouvir e ver, mais abaixo, o teledisco de First Love:

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