O Diário de Anne Frank foi publicado em 1947 por Otto Frank, dois anos depois da mesma ter morrido. Agora, entrevistas feitas a Otto e a Miep Gies, sua empregada e quem ajudou a família a esconder-se, serão reunidas num livro chamado O que temos para fazer nunca vai acabar, que será publicado na coleção Conversas, como revelam fontes da editora andaluza Confluências.

O livro junta três entrevistas que foram publicadas entre os anos 60 e 90. A primeira foi lançada a em 1967, feita pelo jornalista italiano Arnaldo Foa a Otto, tendo sido transmitida pela RAI. Contudo, a pouca duração da entrevista não permitiu que Otto conseguisse expressar a dureza da sua experiência.

A segunda entrevista é do ano de 1977 e foi feita pelo norte-americano Arthur Unger a Otto e à sua segunda esposa. Por fim, a terceira entrevista foi feita a Miep Gies por Menno Metselaar, em 1998. Miep conta na entrevista que tanto ela como Otto sabiam que Anne Frank escrevia um diário, pois arranjavam-lhe papel para tal, embora se isolasse sempre que o fazia. Miep foi empregada de Otto antes da guerra e foi a mulher que ajudou a família a esconder-se e quem salvou o diário da adolescente.

No novo livro, Otto revela que sabia do sonho da sua filha em ser escritora, embora desconhecesse o conteúdo daquilo que escrevia no seu diário. Esse facto foi o que o levou a publicar os textos da adolescente. O livro revela também a única palavra que Otto censurou, assim como refere momentos da convivência, medos e sofrimentos e as consequências felizes da publicação do diário.