As cenas tristes podem aparecer em qualquer tipo de filme, em qualquer altura, mas as melhores são mesmo as que surgem de forma completamente inesperada.

A capacidade com que certas cenas – ou mesmo filmes inteiros – são capazes de nos abalar que nem uma bola demolidora é indiscutível. Mortes, relações dramáticas entre pais e filhos, despedidas inevitáveis e corações partidos são o tipo de cena que mais rapidamente nos deixa de lágrima no canto do olho e com o coração reduzido ao tamanho de uma ervilha.

Percorremos épocas cinéfilas, e fizemos a nossa escolha. Aqui está a nossa lista:

ATENÇÃO: Esta lista contém spoilers.

O Garoto de Charlot, 1921

Uma das lendas, talvez a maior delas todas do cinema mudo é Charlie Chaplin, que conseguiu emocionar muito quem assistisse aos seus filmes. O Garoto de Charlot é um dos seus títulos mais prestigiados e o mais sentimental. A cena em que o filho do The Tramp é levado pela polícia faz-nos querer gritar por justiça, e a reação de ambos faz-nos querer ir a correr buscar o pacote de lenços inteiro. Charlie Chaplin mostra-se capaz de nos pôr a fazer mais do que apenas rir:

O Homem Elefante, 1980

Deste filme poderíamos escolher não uma, mas várias cenas. A história de John Merrick (John Hurt) é um apelo aos valores morais da humanidade e ao olhar para lá da beleza – neste caso, da transfiguração. Esta personagem vive numa sociedade em que é considerada uma aberração de circo, e só com a ajuda do Dr. Treves (Anthony Hopkins) é que consegue viver minimamente feliz. A cena escolhida pelo EF é o momento em que John, depois de regressar a Londres de comboio, é cercado por várias pessoas. A reação de John deixa-nos sem palavras:

O Rei Leão, 1994

De entre os filmes de animação, a Disney foi a escolhida para representar a cena que nos deixa mais tristes – a morte de Mufasa. O Rei Leão é dos melhores filmes que a Disney alguma vez criou, e que é capaz de emocionar miúdos e graúdos. Simba, a personagem principal, encontra o pai morto, Mufasa. O desespero de Simba em tentar pedir ajuda para salvar o pai é desolador e uma das cenas mais marcantes para quem, tanto em criança como em adulto, continua a emocionar-se ao vê-la:

A Vida é Bela, 1997

A cena escolhida: o momento em que Guido é levado por um soldado, para o fim que já todos nós sabemos. Nós sabemos, mas o filho de Guido, Giosué, não faz ideia. Para quem já viu o filme sabe que desde que esta família é levada para um campo de concentração, Guido cria uma história para que o filho não se aperceba do que lhes está a acontecer. O que nos faz tremer de tristeza, é mesmo isso, a capacidade que Guido tem de levar até ao fim a fantasia criada para que o filho acredite que é tudo apenas um jogo, e que em breve estarão de volta a casa.
Mais que uma cena triste, este filme é um clássico capaz de nos levar do riso mais sincero ao choro mais emocionado:

As Serviçais, 2011

Mais um filme em que muitas cenas poderiam ser aqui mencionadas. Em As Serviçais, fala-se do preconceito racial dos anos 60 entre as famílias ricas brancas e as empregadas negras. Este é um dos filmes que melhor retrata este tipo de preconceito e que nos deixa emocionados do princípio ao fim. A cena escolhida foi a conversa entre Skeeter (Emma Stone) e Constantine (Cicely Tyson), em que as palavras da empregada negra são capazes de pôr um sorriso na cara de Skeeter e lágrimas a escorrer na dos espectadores:

Outras considerações: morte de Dumbledore (Harry Potter e o Príncipe Misterioso), morte de Léon (Léon, o Profissional), o final de Toy Story 3, a visualização dos “beijos” por Toto (Cinema Paraíso), a morte de Pina (Roma, Cidade Aberta), despedida de ET (E.T. – O Extra-Terrestre).

A rubrica “5” pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de 15 em 15 dias. Esta semana o Espalha-Factos escolheu as cinco cenas do cinema que considera mais tristes, ou pelo menos, as que afetam mais os nossos corações cinéfilos.