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NOS Primavera Sound, 5 de junho: Alternativa é a diversidade

O primeiro dia do NOS Primavera Sound arrancou ontem e trouxe o cartaz mais eclético dos festivais ao Parque da Cidade do Porto com música brasileira, algum rock e muito hip hop.

O concerto mais morno: Rodrigo Amarante, ex-membro de Los Hermanos e Little Joy apresentou ao por do sol os temas de Cavalo, lançado em 2013 e muito bem recebido pela crítica internacional. Ofereceu músicas melancólicas perfeitas para o fim de tarde no Parque da Cidade, em português, francês e inglês. Os temas de identidade, beleza e solidão marcam presença em cada uma delas. Um concerto doce, mas morno, que pede uma sala fechada só para si.

O regresso do dia: Os Spoon regressaram ao nosso país e apresentaram um novo tema, mas os pontos altos do concerto de ontem seriam com I Turn My Camera On, The Way We Get By ou You Got Yr. Cherry Bomb que algumas pessoas presentes na frente de palco cantarolaram. O som do Palco NOS não ajudou a que o concerto tenha chegado ao patamar de outros que já vimos mas ainda assim foi bom matar saudades dos americanos.

O concerto que não vimos: A organização do NOS Primavera Sound impede que os festivaleiros entrem com comida, fazendo com que à hora do jantar centenas de pessoas se acumulem nas infindáveis filas dos “restaurantes” do recinto. Estamos lá para ver música mas precisamos de nos alimentar e perdemos concertos. Sky Ferreira, a jovem rebelde lusodescendente, pode até ter dado o concerto do festival, mas não sabemos porque não nos deixam ter a nossa sandes e comê-la a ver o concerto.

A confirmação:Caetano foi do catano“, ouvimos. E é bem verdade. Caetano Veloso dispensa apresentações mas o seu espetáculo começou com o desfiar da ficha técnica dos vários intervenientes na apresentação de Abraçaço, o seu mais recente disco. Impecavelmente bem acompanhado pela Banda Cê, que o tem seguido nos últimos tempos, abriu com Bossa Nova é Foda e logo ali conquistou o bem composto anfiteatro do Parque da Cidade. Podia até ser o nome menos consensual para o festival de hipsters, mas a verdade é que Caetano encantou com o seu sorriso, letras doces e por vezes irónicas e os ritmos bem quentes da música brasileira. É um dos grandes.

A surpresa: As manas Haim não reúnem consensos, mas subiram ao Palco Super Bock para apresentar Days Are Gone com um girl power notável que nos fazem gostar delas. Rockaram com a fúria da revolta pós-adolescente com alguns coros orelhudos e uma plateia de fãs histéricos na primeira fila. Apresentaram ainda um novo tema, If I Could Change My Mind, novo single editado já este ano.

O hip hop está e volta: O Porto sempre foi uma cidade importante no campo do hip hop e do rap e não deixa de ser notável a vinda de um dos melhores nomes do panorama atual, o pequeno e jovem génio Kendrick Lamar. A estreia em Portugal e a vinda de um dos nomes grandes do hip hop ao nosso país, que é um acontecimento raro, misturou no Parque da Cidade as tias da Foz que foram ver Caetano Veloso e os dreads do cap que enrolaram charros uns atrás dos outros ao som dos temas de good kid, m.A.A.d city. Convidando à festa, Lamar incitou o público, dançou com ele, disse amar a plateia e contagiou-a com as suas energias, embalado por uma banda simplesmente brutal. Ele quer ser Rei e já é. Que dure muito no trono, mais do que este concerto, que durou apenas cerca de uma hora.

Esta noite, debaixo de alerta amarelo devido ao mau tempo, o Parque da Cidade recebe, entre outros, Midlake, Mogwai, Pixies e Darkside.

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Fotografia: Gonçalo Loureiro

 

 

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