Este mês o Espalha-Factos apresenta-te a rubrica “Artistas Contemporâneos”. Desde o surrealismo à arte conceptual, passando pela arte multimédia e até pela land art, damos-te a conhecer artistas cujo trabalho te irá certamente fascinar.

Doug Aitken nasceu em 1968 na CalifórniaCélebre especialmente pela sua abordagem original da arte multimédia através de instalações, Aitken utiliza um grande espólio de abordagens a nível artístico e dos media para criar cenários onde imagem e som, tempo e espaço, memória e realidade virtual coexistem e são conceitos cujos significados se metamorfoseiam, diluídos num universo sem regras.

Em relação às suas influências artísticas, podemos distinguir dois pontos de referencia principais na sua obra. Primeiramente, a sua estética remete para o Expanded Cinema dos anos 60, com a tentativa de superar o sentido único do espaço cinematográfico  em termos visuais através de múltiplas projecções. Em segundo lugar, Doug possui influências das produções de Hollywood, bem como de videoclips musicais, alguns dos quais foram filmados pelo próprio para artistas como Iggy Pop e Fatboy Slim.

Estas fontes de inspiração traduzem-se nas suas instalações. Em sleepwalkers (2007), que teve lugar no MoMA, este transformou um bloco inteiro de Manhattan numa autêntica experiência cinematográfica, cobrindo as paredes exteriores do museu com projecções paralelas de acções de cinco indivíduos.

No caso de migration (2008), quatro projecções revelam quartos de hotéis e motéis, onde em vez de indivíduos conseguimos antever animais, criando assim um certo contraste.

Continuando agora com os seus projectos ao ar livre, Aitken apresentou uma instalação de cinema e arquitectura em grande escala em Isola Tiberina (Roma), intitulada Frontier, em 2009.

Já em Altered Earth, concebida em 2012, é explorada a paisagem em constante mudança de Arles (França), através de imagens em movimento.

SONG 1 ocorreu em 2012 e envolveu o Hirshhorn Museum (localizado em Washington DC) em panorâmicas projecções de vídeo de 360 ​​graus, transformando o seu exterior num espectáculo audiovisual. O hit vintage I Only Have Eyes For You, que se desdobrou e ecoou lentamente ao longo da gigante superfície circular do museu, foi continuamente reformulado e reinventado em SONG 1.

Já no ano de 2013, Aitken criou MIRROR no Seattle Art Museum. Foram utilizadas centenas de horas de imagens em tempo real e numa constante mudança, em resposta aos movimentos da vida do quotidiano ao seu redor, transformando o exterior do museu num caleidoscópio vivo.

Deste modo, o seu trabalho já teve destaque em inúmeras exposições individuais e colectivas por todo o mundo, em instituições conceituadas como o Whitney Museum of American Art. O seu trabalho já foi múltiplas vezes premiado, recebendo condecorações como o Prémio Internacional da Bienal de Veneza, em 1999, com a instalação electric earth e o Smithsonian American Magazine Ingenuity Award para Artes Visuais em 2013.

É realmente surpreendente o alcance mediático dos trabalhos artísticos de Doug Aitken. Este consegue expressar-se livremente através das novas tecnologias e utilizá-las para abordar fenómenos intemporais. Ao almejar uma ampliação da imagem através de projecções múltiplas, abandona o interior do museu e projecta sobre as suas fachadas, levando a arte às ruas por vezes caóticas de ambientes urbanos. Pretende assim chegar a um público mais vasto e desafiar os limites da expressão artística, encontrando-se, sem qualquer sombra de dúvidas, na linha da frente da comunicação do séc. XXI.

*Este artigo foi escrito, por opção da autora, segundo as normas do acordo ortográfico de 1945