Ruína Azul: um thriller eficaz em tons azulados

Ruína Azul: um thriller eficaz em tons azulados

Estreia hoje nas nossas salas um thriller bastante interessante criado pela mão de um realizador ainda em início de carreira e constituído por um elenco sem grande experiência. Ruína Azul é o seu nome.

Partindo da clássica história de vingança, o filme gira à volta de Dwight (Macon Blair), um solitário que descobre que Wade, o assassino dos seus pais, foi libertado. Dwight não perde tempo em fazer justiça pelas suas próprias mãos e mata-o mas, como consequência, vê-se envolvido num jogo do gato e do rato com a família de Wade.

O que primeiro nos chama à atenção no filme é a sua fotografia. Jeremy Saulnier, que assina também a realização e argumento de Ruína Azul, fez um excelente trabalho a níveis estéticos ao dar principal evidência à cor do título. À semelhança de filmes como Veludo Azul ou Mulholland Drive de David Lynch, o azul foi uma personagem principal e deu um toque de beleza e melancolia visual a esta fita.

Saulnier teve igual cuidado na realização, o que culminou num thriller bastante eficaz. Com o auxílio de uma banda sonora muito bem construída, o realizador cria muita tensão à volta das cenas mais importantes do enredo e consegue assim fazer crescer um nervoso miudinho dentro do espectador. Salvo raras exceções, os desfechos destas situações de maior ânsia não desiludem, quase nunca são previsíveis e abrem sempre uma nova porta para mais um problema. E isso é de louvar numa época em que os thrillers vindos dos EUA têm cada vez menos criatividade.

Esta linha de competência por parte do realizador continua ao longo de toda a história. O realismo de Ruína Azul é um verdadeiro trunfo, pois faz com que o filme não caia nos clichés normais das histórias de vingança. A forma como Saulnier filma as suas cenas de maior violência é fantástica, não poupa no sangue e dá-nos um arrepio na espinha de vez em quando. Os diálogos são muito inteligentes pois, ao contrário do que se passa em tantas outros filmes, as personagens só falam quando é verdadeiramente necessário, não são objetos para expor o enredo (aliás, o primeiro terço desta longa-metragem não tem quase diálogos nenhuns) mas para o fazer avançar.

Mas Ruína Azul não está livre de defeitos. Por vezes a história fica muito lenta: durante largos minutos ali pelo meio do filme não há muito a acontecer, é-nos mostrado apenas Dwight a preparar o seu próximo passo ou então a relembrar parte do seu passado. A lentidão deste momento pode ser para criar aquele efeito tal blue, melancólico, mas a verdade é que as situações anteriormente passadas deixam água na boca para a conclusão da história, para vermos como é que o herói se vai safar e concluir a sua vingança, e estas paragens na narrativa são ligeiramente frustrantes.

No que toca ao elenco não há muito a dizer. Visto que o filme se fixa apenas numa personagem o único ator que ganha grande destaque no ecrã é Macon Blair, um verdadeiro desconhecido do público em geral. Mas, mesmo sem muitos títulos no currículo, Blair ofereceu uma excelente performance, comovente numa ou noutra situação e perturbadora nos momentos iniciais de Ruína Azul. Os restantes atores estiveram também bem, mas não tiveram muito tempo para se evidenciarem.

Ruína Azul é um muito bom thriller, com um excelente trabalho do quase estreante Jeremy Saulnier (ficaremos atentos aos seus próximos projetos) e uma grande interpretação de Macon Blair. Tem momentos mais desinteressantes a dada altura, mas o clímax a que chega em várias cenas acaba por compensar.

8/10

Ficha Técnica:

Título: Blue Ruin

Realizador: Jeremy Saulnier

Argumento: Jeremy Saulnier

Elenco: Macon Blair

Género: Thriller

Duração: 90 min