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Receitas na TV é para durar? As respostas das Filipas

O boom da cozinha na televisão é uma realidade já desde 2010 e 2011 com um forte impacto que perdura até ao pequeno ecrã de hoje. O Espalha-Factos teve a oportunidade de estar perante duas gerações de cozinheiras da televisão nacional, e fez-lhe as mesmas perguntas. O resultado é este que pode ser lido agora.

“Eu acho que comer é uma coisa muito primária. Desde o momento em que nascemos que nos alimentamos. E, mais tarde, acabamos por ter nós de cozinhar. É uma coisa que toda a gente – melhor ou pior – sabe fazer”, considera Filipa Gomes, a mais nova do programa À Boleia da Filipa, do 24Kitchen. Tem 50 anos de diferença da chef veterana que a acompanha no programa – Filipa Vacondeus – mas não é por isso que têm opiniões diferentes: “eu acho que vai sempre existir porque é um básico do ser humano”, disse Vacondeus ao Espalha-Factos sobre a durabilidade do boom da cozinha na televisão portuguesa.

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Filipa Gomes defende o mesmo, e afirma até que “a partir do momento em que tens um programa de culinária, as pessoas identificam-se com isso” por causa do quão primitivo é comer para o ser humano. E Filipa Vacondeus acrescenta: “como eu acho que a gastronomia não é estática, evolui, e pode evoluir mais para um lado como para o outro…”, sendo esta a salvação para a permanência que estes conteúdos pretendem ter na TV.

Toda a gente, melhor ou pior, cozinha. Acho que essa é a razão de, de repente, haver este boom e de as pessoas estarem tão ligadas à culinária”, conclui Filipa Gomes.

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O EXTERIOR…

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Contudo, este boom veio de algum lado. “Eu acho isto veio um bocadinho lá de fora. Começou a existir muitos programas estrangeiros e, portanto, nós também gostamos de responder com as nossas receitas que são muito boas”, refere a veterana.

Foi lá de fora, e, para Filipa Gomes, tem um nome: “eu acho que houve uma pessoa que teve muita importância nisto: foi o Jamie Oliver. Eu acho que sem o Jamie Oliver não existia um Prato do Dia [programa diário da Filipa Gomes no 24Kitchen], não existia o À Boleia da Filipa… porque ele conseguiu juntar um chef, que é o que ele é, a um grande comunicador. Ele conseguiu juntar estas duas coisas ao mesmo tempo. Ele fez com que ver um programa de culinária não fosse uma coisa chata. (…) Ver um programa de culinária é uma coisa divertida, e as pessoas identificam-se.”

A COZINHA PORTUGUESA REIVENTOU-SE

Vacondeus, com mais experiência, disse ao Espalha-Factos que “a cozinha evolui sempre. Tem vindo a evoluir ao longo dos tempos. Muita coisa que se fazia na cozinha antigamente…”

E até exemplifica: existia, antigamente, o caçarola, um cozinheiro que aproveitava as cascas das cebolas e deixava-as queimar para o arroz. “Agora não se faz (…) eram refogados fortíssimos que davam cabo da saúde”, explica. “Consegue-se, com as novas tecnologias, chegar-se aos sabores de antigamente”, e de forma saudável, remata.

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SER COZINHEIRA…

Vacondeus revela-nos também que, para ela, “há coisas que nascem connosco e nós não sabemos porquê”. “Isto de ser cozinheiro nasce connosco. Não vai ser pela receitinha que se lê no livro”, alerta.

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Por outro lado, a história de Filipa Gomes  é bem diferente. Poderá ter nascido com o dom para a cozinha, mas estava longe de estar em frente ao fogão até ao dia em que entrou na 24Kitchen. “A minha vida mudou de forma inesperada. Eu trabalhava numa área que não tem nada a ver com isto; eu era publicitária. Quer dizer, se isto de repente não der, bora fazer copy’s para agências!”, diz-nos com um sorriso.