Sem hora marcada chegou o novo jornal digital português. Observador avisou por volta das 6h15 que já estava disponível. O trabalho na redação começou há meses e são prometidas transparência, independência e trabalho jornalístico de rigor. 

As palavras de ordem não são novas, contrariamente à equipa, maioritariamente constituída por nativos digitais e dirigida pelos pesos pesados Rudolf Gruner, David Dinis e José Manuel Fernandes. O objetivo, avançou Dinis à Agência Lusa, é que a publicação tenha qualidade “desde o primeiro minuto“, procurando “ângulos diferentes e informação que seja útil às pessoas“.

Fator diferenciador para o novo projeto jornalístico, e caraterizado por David Dinis como “o mais estruturante“, é o facto de este explicar as notícias. Vai existir um Explicador, “sempre cruzado e visível” nos temas essenciais, contextualizando os assuntos abordados. Outra das diferenças será a interatividade dos conteúdos produzidos. O leitor poderá dar pistas, dar a sua opinião, e o jornal procurará responder aos leitores, reforçando a noção de que “as notícias não morrem no momento em que são publicadas“.

José Manuel Fernandes, em declarações ao Diário Económico, garante que o novo jornal vai “procurar dar notícias de outra forma e recuperar alguns valores do jornalismo que, sobretudo no digital, parecem esquecidos. É a necessidade de explicar as notícias e não ficar pelo quem, quando e onde. Não somos muitos, por isso vamos tentar fugir daquilo que toda a gente faz. Não faz muito sentido perdermos tempo com o microfone estendido à espera de um soundbite“.

O jornal é gratuito e quer procurar reconhecimento, ao mesmo tempo que procura “um modelo de negócio que permita a sustentabilidade da empresa“. A concorrência no online aperta: no dia 6 chegou o Expresso Diário; o Público anunciou para breve o Público Semana.

No Bairro Alto, há gente nova a observar o mundo logo desde as 6 da manhã. E o jornalismo não pára, a notícia pode acontecer agora, daqui a bocadinho ou logo à noite. Sem hora marcada.