Temos de ter em atenção aos “tempos diferentes de análise”, alertou José Gomes Ferreira que esteve hoje na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) perante uma plateia de alunos da licenciatura de Jornalismo. “O jornalismo económico tem muitos riscos”, considerou o jornalista da SIC que veio à ESCS para um colóquio sobre o seu livro O meu programa de Governo: análise e comentário, mas que acabou por dar uma palestra aos estudantes presentes. 

“A conjuntura é muito rica” a nível de informação, jornalismo e interesse, considerou José Gomes Ferreira esta tarde: “este período que resultou de muitas fraturas há de ficar escrito na nossa história”. Para o jornalista da SIC, “quando analisamos a realidade de hoje, analisamos muito pela luta partidária” o que nos limita a visão jornalística dos assuntos.

“O mundo em que vivemos é uma realidade muito complexa”, afirmou José Gomes Ferreira indicando que é preciso ter “critério de análise (…) porque os jornalistas são mediadores na maneira como chegam ao conteúdo”. O jornalista da SIC, que faz comentário regularmente e que entrevistou o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho recentemente, admitiu que a classe jornalística deve pensar mais “out of the box”, e o próprio disse sentir dificuldade nesse aspeto.

José Gomes FerreiraConselhos para os jovens jornalistas

Leiam a história!”, repetiu diversas vezes o jornalista da SIC ao longo da palestra. José Gomes Ferreira referiu que o mercado de comunicação, nesta altura, está muito recetivo a jornalistas de economia: “o jornalista económico é o que mais possibilidades de emprego e é o último a ser despedido”.

Outro dos conselhos é para que os alunos não se esqueçam da “vertente externa”, tanto a nível de tratamento jornalístico da economia como da própria situação financeira exterior. O jornalista relembrou um dos seus professores, o jornalista Adelino Gomes, que lhe costumava dizer: “não se preocupem em ganhar prémios”. “Bom senso e bom gosto” – foi este o conselho final, para qualquer situação, que José Gomes Ferreira dirigiu aos alunos.

Quem deu cabo disto? Estão a dar cabo disto?

Estas são as duas perguntas que José Gomes Ferreira mais ouve, mas responde-lhes com prontidão: “foi um somatório de decisões políticas”. O jornalista metaforizou que o atual governo é apenas um “administrador judicial”. Quando surgiu a questão sobre se o problema é económico ou político, o jornalista não teve dúvidas: “é sempre político [fruto] das opções”.

O jornalista disse até que acredita que Portugal tem políticos honestos nos partidos, mas que existem interesses obscuros que condicionam as decisões políticas e, principalmente, económicas.

Contudo, há uma realidade inevitável: “a financeirização da nossa vida”, rematou. Uma situação à qual não podemos fugir.