Seis bandas, dois palcos e diversos géneros musicais. Foi assim que a primeira edição do Jam Fest preencheu a noite de sábado na cidade de Torres Vedras.

Entre punk rock, indie rock, reggae e hip-hop, houve música para todos os gostos, em concertos que pecaram por ser curtos, mas que trouxeram outro ambiente à noite torriense.

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Com os habituais atrasos deste tipo de eventos, ainda com luz do dia e com pouquíssima adesão, coube ao trio lisboeta O Quarto Fantasma abrir as hostilidades do Jam Fest. Os seus instrumentais de rock, ora mais calmo ora a piscar o olho ao punk, preencheram a primeira meia hora do festival na casa que o fez nascer (o Espaço Transforma).

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Com o devido intervalo para nos deslocarmos dois quarteirões à frente até ao Teatro-Cine, onde aconteceria o próximo concerto, perdemos a conta ao número de vezes que fizemos este percurso entre o Espaço Transforma e o Teatro-Cine, passando pelos já habituais bares e cafés da cidade, pudemos ainda desfrutar do lounge construído pela organização ver alguns dos músicos nervosos antes das atuações e preocupados com o atraso do início dos concertos, e ainda encontrar alguns amigos que se juntariam à festa.

Os Airplay foram então a segunda banda a atuar. Com o Teatro-Cine ainda muito pouco povoado, foi tempo para ouvir o novíssimo disco Perfeita Ilusão (editado no passado mês de abril) e o seu pop-rock cantado em português. Não foi possível ouvir todos os temas que compõem o disco, uma vez que os Airplay apenas puderam actuar meia hora, tal como as restantes bandas (à excepção de Dealema), ainda que contra a sua vontade.

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De regresso ao palco transforma, foi tempo para ver e ouvir os JUBA. A banda, que já havia passado pelo Espaço Transforma em novembro do ano passado, brindou-nos com alguns temas de Mynah, o seu primeiro longa-duração, e pôs-nos a dançar com o seu indie rock refrescante, provavelmente a banda sonora mais adequada para a noite quente de primavera que se fazia sentir. Foi com Mynah/Lull, tema que encerra o disco, que os Juba terminaram também o concerto.

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No Teatro-Cine mudava-se agora de registo com os Strugglaz. Uma fusão entre hip hop e reggae transportou-nos para outro universo, completamente distinto do que até então tinha sido ouvido pelo Jam Fest.

Com letras interventivas, o vocalista sempre à boca de cena a puxar pela plateia, agora já um bocadinho mais composta, uma backvocals feminina com uma voz absolutamente incrível e fora do vulgar, os Strugglaz puseram-nos a dançar, fosse timidamente nos lugares sentados ou de pé na frente de palco, para os mais corajosos.

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Hora de regressar ao Espaço Transforma para ouvir a penúltima banda da noite: os Moe’s Implosion. A banda do Montijo já apanhou o espaço mais preenchido que os seus antecessores e acompanhou-nos na reta final do Jam Fest com o seu rock a fazer lembrar Incubus ou até Red Hot Chilli Pepers nos seus tempos mais áureos.

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A noite seria fechada com chave de ouro pelos Dealema, os cabeças de cartaz deste mini-festival. Chegados ao Teatro-Cine, vimos a sala como nunca a tínhamos visto: poucos eram os torrienses sentados nas cadeiras da sala, mas muitos eram os que dançavam e cantavam de cor as letras de Dealema na frente de palco, como se estivéssemos numa sala completamente diferente do teatro.

Quem nasceu e cresceu nos anos 90 não pode deixar de reconhecer alguns dos êxitos de  dos mais antigos grupos do hip-hop nacional, como a emblemática Brilhantes Diamantes, quer queiramos quer não, todos sabemos o refrão de trás para a frente.

Os Dealema mostraram o seu potencial e o porquê da sua carreira já longa, mobilizando o público como só eles sabem. Foi com Nada Dura para Sempre que se deu a despedida do último concerto do Jam Fest, ainda que com um falso alarme de encore, que deixou grande parte do público a reclamar.

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Apesar da fraca adesão do público para o que era esperado (talvez pelos horários, pela concorrência das festas académicas e pelo elevado preço dos bilhetes – 10 euros antes do festival e 12 euros no próprio dia – para a oferta apresentada), o balanço desta primeira edição do Jam Fest é bastante positivo.

Este mini-festival trouxe a Torres Vedras um cartaz extremamente eclético, agradando a gregos e a troianos, e apoiou não só os mais consagrados, mas também os novos talentos da música portuguesa. Aplaudimos de pé esta iniciativa pelo dinamismo e pela boa onda que trouxe até nós.

 Nada dura para sempre, mas esperamos poder contar com uma próxima edição do Jam Fest no próximo ano. Até lá, vamos passando pelos concertos do Espaço Transforma, sendo o próximo já dia 7 de junho, com Capitão Galvão e The Bourbons.

Fotografias retiradas das páginas de Facebook das bandas e do Espaço Transforma.