Quando se pensa nos museus de Nova Iorque, o que nos vem logo à cabeça são o MoMA ou o Museu de História Natural, entre tantos outros. Mas há um museu que, infelizmente, passa despercebido dos turistas mais distraídos mas que não deixa de ser um ponto essencial de visita na cidade que nunca dorme, especialmente para os amantes de cinema e televisão. Estamos a falar do Museum of the Moving Image, que o Espalha Factos teve a oportunidade de visitar.

Situado em Queens, o Museum of the Moving Image abriu em 1988, no local onde se localizavam os lendários Kaufman Astoria Studios, onde se filmaram alguns filmes dos irmãos Marx ou a primeira aventura sonora de Sherlock Holmes em 1929. Em 2008 o museu recebeu um investimento de 65 milhões de dólares para aumentar o espaço e construir uma sala de cinema dentro do edifício. Quando reabriu em 2011, mostrou-se ao público com uma nova imagem e um design mais moderno, o que ajudou a duplicar o número de visitantes.

Atualmente, podem-se ver no museu exposições temporárias e permanentes. Aquando da visita do Espalha Factos ao local, estavam em exibição três exposições temporárias: Lights, Camera, Astoria!, The Reaction GIFRhythms of Perception. A primeira mostra um conjunto de fotos ao estilo Behind the Scenes e algumas histórias e vídeos dos filmes rodados nos Kaufman Astoria Studios e a segunda ocupa uma parede inteira logo à entrada do museu, onde são mostradas, com GIFs de filmes ou séries, as reações mais comuns dos espetadores no cinema.

A terceira exposição é um intrigante jogo de luz e imagem criado por Jim Campbell. Uma das secções de Rhythms of Perception chama-se Last Day in the Beginning of March e narra as últimas horas de vida do irmão do artista antes de ter cometido suicídio. São retratadas com luzes LED acontecimentos simples como fumar um cigarro, onde a luz se mantém acesa normalmente, ou a chuva a bater no telhado de sua casa, momento em que uma das lâmpadas começa a apagar e a acender muito rapidamente enquanto altera a sua intensidade. Arrepiante e muito interessante.

O último andar do edifício é onde o verdadeiro museu, com todas as suas exposições permanentes, começa. Quando entramos na primeira grande divisão, vemos réplicas dos mais primários instrumentos de reprodução de movimento e ainda uma ou outra câmara das mais antigas. Há depois um espaço interativo onde cada visitante poderá fazer um pequeno vídeo em stop motion e enviá-lo por mail para os seus familiares e amigos.

E é mesmo a interatividade a rainha no Museum of the Moving Image. Depois de passada a primeira divisão, é dada a possibilidade ao visitante de se divertir com os aspetos mais técnicos do cinema, enquanto se aprende também a importância do som ou da música na criação dos nossos filmes favoritos. Há uma sala onde podemos ser Marilyn Monroe em Quanto Mais Quente Melhor ou ainda Judy Garland no clássico O Feiticeiro de Oz. Como? Dando as nossas vozes às imagens das atrizes, através de um exercício de dobragem que as próprias tiveram que realizar.

No seguimento desta atividade existem duas pequenas secções onde se pode ter em consideração o quão importante é a escolha dos efeitos sonoros e da banda sonora. Numa delas é possível refazer por completo uma das cenas de Exterminador Implacável 2 com os sons à escolha, desde um tiro de caçadeira até à explosão de um camião, e é percetível o quão difícil deverá ser para um técnico de som escolher os efeitos apropriados para um filme. Logo a seguir é dada a liberdade ao visitante para escolher um tema para meia dúzia de cenas de filmes, o que acaba por ser uma experiência divertida e não menos interessante.

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Após toda esta interactividade, chegam as principais atrações do museu. Fãs de filmes como Star Wars ou Os Marretas, por exemplo, ficarão certamente satisfeitos com a exposição de alguns dos artigos míticos desses filmes. A máscara de Chewbacca, as miniaturas de Os Marretas e até a boneca que serviu de ‘duplo’ de Linda Blair em O Exorcista, entre outros, são alguns dos preferidos do público.

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A televisão também está bem presente nesta primeira etapa de visita ao museu. Pode-se, por exemplo, observar como é feita uma transmissão de basebol: são-nos mostradas todas as câmaras que filmam o jogo e a sala de emissão, onde se decide qual das imagens chegará ao espectador. E, à saída do último andar, estão expostas vários televisores antigos, que farão os mais velhos recordar a sua infância e impressionar os mais jovens.

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A visita pelo Museum of the Moving Image continua no 1.º piso. Logo à entrada está uma réplica de uma sala de estar típica dos anos 60, com uns sofás muito felpudos e a série de desenho-animado O Fantástico Homem-Aranha a passar na TV. Uma das outras atrações são os jogos de arcada. Quem visitar o museu terá a oportunidade de jogar desde Donkey Kong até Space Invaders, tendo de pagar 50 cêntimos para tal, exceto no icónico Pac-Man, que é grátis.

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De seguida volta a ser o cinema a estar em destaque. São mostrados alguns dos moldes que serviram para fazer as máscaras de O Homem Elefante ou as pernas falsas que Natalie Portman utilizou em O Cisne Negro. Alguns dos fatos mais deslumbrantes do grande ecrã poderão também ser vistos e os fãs dos grandes argumentistas americanos têm a oportunidade de observar as cópias originais dos guiões, já um pouco rasgadas e cheias de riscos de realizadores e argumentistas, de um ou outro filme mais emblemático, como Taxi Driver.

Para além de tudo isto, há ainda uma panóplia de artigos dedicados à imprensa, rádio, brinquedos e bonecas antigas, todos ligados ao cinema ou à televisão. Uma série de bandas sonoras em vinil de filmes como 007 – Goldfinger ou A Hard Day’s Night pode também ser vista neste piso.

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Depois de visitados todos os pisos há ainda algumas coisas que se podem fazer dentro do museu. Há a possibilidade de ficar sentado a ver excertos dos mais famosos filmes e séries filmados nos Kaufman Astoria Studios ou então tomar um café e comer algo no bar do museu. Quem ficar interessado em levar alguma recordação para casa pode sempre passar pela gift shop, onde se encontram alguns itens personalizados do museu.

O Museum of the Moving Image é, como se pode ver, um belo sítio para se passar uma tarde. Recheado de atividades para todas as idades e com as mais variadas exposições. É um ponto de visita indispensável para quem quer aprender algo mais sobre cinema e televisão enquanto se diverte.

Texto: Sebastião Barata

Fotos: Sebastião Barata e Mónica Norte