No próximo dia 17 de maio decorre em Torres Vedras a primeira edição do JAM FEST. O cartaz é composto por Dealema, Moe’s Implosion, Strugglaz Project, Juba, Airplay e O Quarto Fantasma. Este evento surge como resultado de uma série de concertos levados a cabo, nos últimos meses, pela TRANSFORMA, uma associação cultural que tem vindo a dar cartas na dinamização quer da cidade, quer da região. O Espalha-Factos foi saber mais sobre este projeto e esteve à conversa com Ricardo Dias, um dos responsáveis pelo festival.

Comecemos pelo princípio. Para que as pessoas se possam situar, fala-nos um pouco sobre a TRANSFORMA e do seu papel como incubadora das artes.

A TRANSFORMA é uma associação cultural fundada em 2000 que opera no âmbito da cultura como um laboratório para as práticas artísticas contemporâneas.

Investiga novos territórios para o desenvolvimento das artes contemporâneas e da sociedade, em parceria com diversas organizações locais, nacionais e internacionais, acreditando na possibilidade de uma revitalização pessoal e comunitária – visionária, poética, espiritual, significante e mobilizadora!

Facilita a jovens, a criadores de diversas áreas, a profissionais da cultura e a diferentes grupos da comunidade, o desenvolvimento de novos conhecimentos, de novas competências, de capacidade crítica e de sensibilização para a mudança.

O que é que levou à criação do TRANSFORMA JAMMIN’? 

Utilizando o espaço da TRANSFORMA na Praça do Município e a sua localização privilegiada no centro histórico da cidade de Torres Vedras, decidimos apresentar um ciclo de concertos de um evento mensal, que pretende contribuir para a revitalização do centro urbano e para trazer dinamismo à sua área envolvente, com o intuito de criar uma agenda de referência na cidade, facilmente memorizada pela comunidade local.

Com uma programação eclética e, em concordância com a linha orientadora da TRANSFORMA, pretendemos dar exposição a valores emergentes que representem tanto local como nacionalmente uma nova vertente de músicos e artistas, com uma disposição para criar e inovar no campo das artes musicais.

Sentimos que existia a necessidade de criar um laço com a comunidade e de conseguir oferecer à mesma uma linha programática com nomes bons e que criassem uma maior mobilização e atenção da comunidade ao que se faz no nosso país em termos de valores musicais. Com a música e com este ciclo, tentamos também combater o “abandono” do centro histórico torriense e fazer com que a população local utilize mais esta área de interesse da cidade.

Como é que tem sido a recetividade do público face a um projeto assim inédito na região?

O trabalho que tem sido realizado tem sido recompensador pelas criticas positivas que temos recebido. No entanto, é um trabalho árduo em criar a habituação local para este tipo de eventos. Já tivemos espetáculos com pouca gente, assim como já houve uma série de concertos em que a afluência de público foi considerável.

É uma questão de se tentar fazer uma programação forte e tentar fazer uma comunicação ainda maior para que a mesma chegue a todas as pessoas. Obviamente que é um trabalho constante de angariação de público, mas notamos que o projeto já se tornou uma referência na zona e, cada vez mais, temos recebido um feedback positivo.

Temos tido a sorte de trabalhar com alguns nomes que nos trouxeram muita gente, tais como Capitão Fausto, Filho da Mãe ou mesmo The Quartet Of Woah e Juba. Tentamos fazer uma linha de programação eclética e que consiga chegar a todos os que gostam de música e que gostam de assistir a concertos num ambiente mais intimista e descontraído, sem a formalidade de espaços mais institucionais ou espaços “impessoais” de grandes dimensões.

A aposta é claramente feita em artistas nacionais, sejam eles novos talentos ou projetos com o seu valor já firmado. Pode-se dizer que o objetivo do JAMMIN’ passa por pôr Torres Vedras no mapa de passagens obrigatórias para os músicos portugueses?

A ideia principal é mesmo criar dinamismo na cidade, mas obviamente que tendo as condições que temos e a possibilidade de acolher artistas que se encontram em tour e necessitam de um espaço para tocar também é aliciante e é do interesse da associação. A localização da cidade de Torres Vedras pode ser também considerada como uma vantagem, tendo em conta que um artista que se desloque de Norte para Sul, pode efectuar uma paragem na cidade para um espetáculo e continuar a sua tour. Colocar Torres Vedras no roteiro das tours de artistas é um processo que está a ser desenvolvido, seja através de uma rede de contactos com várias agências ou músicos que se representem a si mesmos. O intuito é facultar as condições para que os músicos se sintam bem e consigam ter uma montra para chegar a novos públicos.

A série de concertos dos últimos meses culmina agora no JAM FEST, que se vai realizar no próximo dia 17 de maio. O cartaz é pautado pela diversidade dos artistas e dos géneros musicais. Conta-nos mais sobre este evento…

O JAM FEST representa exatamente o que falei anteriormente. Termos de ter um cartaz eclético e com uma abrangência musical que vais desde o Post Rock até ao Hip Hop.

Temos como um dos objetivos utilizar a Cultura, e a música em si, como impulsionadora da Cidade. Assim sendo, este é um evento inovador em Torres Vedras, tornando acessível a todos o que de melhor é feito musicalmente em Portugal. Acreditamos que a música portuguesa deveria ter mais espaço para ser ouvida e após o sucesso dos vários concertos inseridos no ciclo JAMMIN, com artistas dos mais variados quadrantes do meio musical nacional, chega a altura de juntar mais um palco e triplicar a oferta musical: entre Hip Hop, Reggae, Punk Rock, Rock Alternativo, Psychadelic Pop e Post Rock/Experimental, há música para todos os estilos e gostos.

Dinamismo é a palavra-chave deste evento, realizado em colaboração com o Teatro-Cine de Torres Vedras, onde dois palcos irão conviver sem nunca se cruzarem ou se sobreporem em programação. Também salientamos que iremos ter uma área Lounge, onde irá ser colocada uma rampa de skate/bmx para quem quiser usufruir, assim como antes da primeira banda pisar o palco, será apresentado de forma informal um novo Programa de Juventude e Voluntariado que a TRANSFORMA está neste momento a desenvolver. A apresentação desse programa é gratuita, e as primeiras 30 pessoas a participar na apresentação conseguem entradas a preço reduzido para o festival. Estão convidados a conhecer melhor no que consiste este novo programa da TRANSFORMA.

Quais são os objetivos para o futuro, quer para o JAMMIN’, quer para o JAM FEST?

Neste momento o nosso objetivo é concluir a primeira edição do JAM FEST, assim como a última data do JAMMIN’, que será dia 7 de junho com Capitão Galvão e The Bourbons. Depois, a ideia é passar este projeto para Santa Cruz durante os meses de verão, pois a cidade de Torres Vedras migra para a zona costeira e tendo em conta que Santa Cruz acolhe todos os anos por essa altura muitas pessoas, esta é uma boa maneira de manter o ciclo vivo e continuar em fazer uma programação eclética e chegar ainda a mais pessoas.

Para já não temos nada definido, mas as próximas sessões JAMMIN’ serão possivelmente compreendidas entre julho e agosto. Em relação a uma nova edição do JAM FEST, não deixamos de parte essa ideia, mas também é um assunto que deve ser debatido internamente e depois de fazer um rescaldo desta primeira edição, que nos parece ter um cartaz bastante bom em termos qualitativos e que promete ser arrebatador.