Volvidos 10 anos depois das Confissões das Mulheres de 30Maria HenriqueFernanda Serrano e Ana Brito e Cunha voltam ao palco com 40 e então?, no Teatro Tivoli, em Lisboa. O Espalha-Factos esteve à conversa com Maria Henrique, a mais experiente das atrizes do espetáculo.

Espalha-Factos: Já passaram 10 anos. Foi rápido?

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MH: Sim, eu acho que nenhuma de nós deu pelos 10 anos passarem. E nós, a nível pessoal, temos muita empatia, somos muito amigas e também muito ocupadas profissionalmente. Portanto, não demos mesmo pela vida a passar. Uma coisa boa é estarmos juntas e estamos agora a fazer uma peça sobre os 40. Venham mais! Agora estamos focadas nos 40 e então? E temos muitas mensagens positivas para dar às pessoas.

EF: Como é estar no palco com pessoas com quem tem uma relação muito próxima?

MH: Nós conseguimos separar muito bem o trabalho do conhaque. É muito interessante, porque uma coisa é a nossa brincadeira lá fora, mas no palco estamos o mais profissionais possível. E não é por sermos amigas, mais próximas, que temos uma relação diferente em palco, nem pensar.

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EF: Amigos, amigos, negócios à parte?

MH: É. O bom que podemos tirar da amizade é a cumplicidade da contracena, porque conhecemos ainda melhor a maneira da outra pessoa representar, se precisa de ajuda ou se antes, pelo contrário, se está a fazer uma coisa engraçada a que podemos responder. Essa cumplicidade em palco existe.

 

EF: Em termos de personagens, há uma abrangência muito grande.

MH: Nós somos três atrizes a dar voz a todas as mulheres. SONY DSC E daí esta diversidade de textos, de autoras, de adereços e o facto de nos chamarmos todas, em cena, Maria. Um nome muito bonito, digo já. [risos] Estamos a dar voz às mulheres e a passar várias mensagens. O mais importante não é o que a nossa personagem pensa, mas podermos deixar mensagens completamente diferentes que mulheres que estejam no público sintam.

EF: Qual é a parte mais difícil de estar em cima de um palco?

MH: É tudo um desafio, porque não há uma parte mais difícil. Existe uma necessidade muito grande de disciplina e de concentração, porque há várias coisas que vão acontecendo ao longo do espetáculo. É acima de tudo disciplina e profissionalismo.

SONY DSCEF: Mas o que é que dá mais trabalho: o processo criativo ou os nervos?

MH: Isso é muito interessante, porque cada espetáculo dá nervos diferentes. Não é porque já nos estreámos que nos deixamos de preocupar. O público é diferente, nós estamos diferentes de dia para dia, portanto essa inevitabilidade é o fascínio do teatro. Cada espetáculo são os nervos e a responsabilidade de um público diferente e tentar manter o nosso melhor sempre.

 

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EF: Este é um espetáculo só para mulheres?

MH: Nas Confissões de Mulheres de 30 fizeram-nos essa pergunta e eu dizia o contrário, que se calhar é um espetáculo também muito para homens. Eu lembro-me que nós estávamos em cena e ouvíamos burburinho mais dos homens do que as mulheres. Pequenas coisas do género, ‘estás a ver?, estás a ver?’. Porque os homens geralmente costumam dizer que a mulher é um bicho estranho e um bocado complicado de perceber. E eu acho que eles vêm com muita curiosidade, com a desculpa de virem acompanhar a mulher, a namorada ou a mãe, mas com muita curiosidade de saber um bocadinho de pormenores sobre este bicho-mulher.

EF: Estão com esperança de sair com um manualzinho?

MH: Sim, com alguma esperança. Nunca vão perceber tudo, com certeza. Nem nós.

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EF: As mulheres também não se percebem.

MH: Pois não, mas isso é que é interessante. Estas mulheres aqui também estão à procura de muitas soluções.

EF: Dizem que cada uma de nós tem um caminho, mas nós às vezes não sabemos qual, vamos descobrindo e, portanto, é uma jornada?

MH: Por isso é que se diz “esta é a minha viagem”. Outras mulheres poderão fazer outra.

A peça estará em cena até dia um de junho, de quinta a sábado, às 21h30m, e aos domingos, às 16h30m. O preço do bilhete varia de 10€ a 18€.