Vive-se uma época de estagnação criativa no mundo do humor, especialmente no que diz respeito aos filmes. A esmagadora maioria das comédias que são lançadas limitam-se ao acompanhamento das tendências em vigor ou à imitação de sucessos passados, com pouca ou nenhuma inovação à vista. Neste aspecto, Má Vizinhança (Neighbors) não é nenhuma obra-prima: os seus empréstimos de obras anteriores são mais que claros. Mas ao utilizarem-se piadas, atuações e um argumento do mais alto nível, este filme revela-se um surpreendente sucesso.

O filme conta a história do casal Mac e Kelly Radner (Seth Rogen e Rose Byrne), que compram uma casa num bairro agradável, onde vivem felizes com a sua recém-nascida filha. Os problemas começam, no entanto, quando uma fraternidade da universidade local, encabeçada por Teddy (Zac Efron) e Pete (Dave Franco), muda-se para a casa ao lado, infernizando a vida do casal com as suas infindáveis festas. Um desentendimento entre família e fraternidade levá-los-á a uma acirrada disputa por território, fazendo cada um o máximo por afastar o outro da vizinhança.

De um ponto de vista puramente objetivo, Má Vizinhança parece destinado a fracassar: uma premissa bem congregada mas não muito apelativa e um elenco que, apesar de conhecido, não o é exatamente por uma excelência interpretativa, não inspirarão muita confiança ao possível espectador. É talvez por esta razão que tanto nos afeiçoamos ao filme – pouco a pouco, somos apresentados a uma qualidade pouco expectável, que nos rende às divertidas confusões de Mac e Kelly de forma assustadoramente eficiente.

Em termos de humor propriamente dito, as piadas aqui presentes são mais ou menos o que se poderia esperar de um filme do género: salvo raras exceções, o sexo e as drogas são os temas predominantes nesta longa-metragem tipicamente “stoner”. O grau de sucesso é com certeza variado, mas o filme compromete-se a arrancar risos da sua audiência, e não desaponta. A realização de Nicholas Stoller, ora expansiva, ora focada, ajuda bastante à consolidação destes momentos, e confere a Má Vizinhança uma beleza muito única, que raramente se vê em filmes deste género. O seu argumento passa muito pelo discreto, destacando-se pouco quer pela positiva quer pela negativa – o verdadeiro louvor vai sim para a produção e fotografia, que não poupa esforços neste filme de cenários extravagantes e impressões visuais deslumbrantes.

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Mas se há algo de verdadeiramente inesperado nesta longa-metragem, esse algo são as atuações. Não se pode dizer que Seth Rogen esteja melhor que em qualquer das outras comédias em que apareceu, mas os seus dotes de ator, limitados o quanto possam ser, são aqui empregues muito eficazmente, ficando qualquer outro ator mal colocado no papel de Mac. O mesmo pode ser dito da encantadora Rose Byrne ou de Dave Franco. O nome que, no entanto, mais promete surpreender os espectadores é o de Zac Efron: a sua interpretação de Teddy está longe de ser brilhante, mas o ator de 26 anos mostra aqui que é capaz de muito mais do que aquilo que ao seu nome tem sido associado no últimos anos.

Dissecando este filme, é possível encontrar alguns defeitos menores, como planos menos conseguidos ou uma ou outra fala fora de lugar. Mas encarando-o como um todo, torna-se impossível reduzir Má Vizinhança às suas pontuais imperfeições. O filme de Stoller constitui 97 minutos de drogas, sexo, obscenidades e principalmente muita diversão.

Nota Final: 8/10

Ficha Técnica:

Título: Neighbors

Realizador: Nicholas Stoller

Argumento: Andrew J. Cohen, Brendan O’Brien

Elenco: Seth Rogen, Rose Byrne, Zac Efron, Dave Franco, Christopher Mintz-Plasse

Género: Comédia

Duração: 97 min.