O IndieLisboa acabou este domingo, já dia de consagração dos vencedores. Foram 11 dias do 11º festival de cinema independente em Lisboa, dedicado aos 40 anos da revolução de Abril e revitalizado pelo importante regresso da secção Herói Independente, que trouxe Claire Simon e o seu cinema a Lisboa.

Passaram pela competição internacional do festival alguns dos melhores, mais inovadores e surpreendentes filmes do último ano, superiores a uma muito significativa porção do que povoa o circuito comercial.

O cinema independente está profundamente ancorado às ideias do seu realizador, é dele que emergem novas técnicas, novas formas de olhar para o cinema. Muitos dos seus filmes são rotulados como excessivamente experimentais e incompatíveis com uma distribuição em maior escala.

Neste IndieLisboa, filmes como Quand je serai un dictateur, Belleville Baby ou Je M’Apelle Hmmm…, citando injustamente apenas alguns, são prova de que o cinema independente conta histórias profundamente humanas, que nos tocam a todos, sejam elas homenagens enternecedoras a amigos desaparecidos, ou histórias do sofrimento humano e da sua capacidade de superação. As salas do IndieLisboa mostraram-nos que existe público para uma parte importante deste cinema.

O conservadorismo e mercantilismo da indústria de distribuição, juntamente com o seu monopólio das salas de cinema, impede filmes como estes de chegarem ao grande público, prejudicando o cinema como um todo e tornando-nos mais pobres.

É indispensável que a indústria de distribuição reconheça o papel importante e o potencial que tem o cinema independente, dando-lhe oportunidades de difusão. Para isso é preciso coragem e capacidade para apostar em algo novo e cujo retorno não está absolutamente garantido.

Caso tal não aconteça, a inovação cinematográfica será cada vez mais empurrada para um nicho de festivais com pouca projeção e difusão, levando à estagnação do cinema, e tornando-o por ventura cada vez mais num reduto de grandes produções e avanços tecnológicos, que apenas servem para maquilhar a pobreza de ideias que se instalou na indústria.

Premiados – Longas-metragens:

Grande Prémio Cidade de Lisboa: Matar a un HombreAlejandro Fernández Almendras

Melhor Longa Portuguesa: Alentejo, AlentejoSérgio Tréfaut

Prémio de Distribuição: Les ApachesThierry de Peretti

Prémio do Público: Bambi Sébastian Lifshitz

Prémio Amnistia Internacional: Death Row IIWerner Herzog

Premiados – Curtas-metragens:

Grande Prémio: Mille SoleilsMati Diop

Melhor Curta Portuguesa: As Figuras Gravadas na Faca com a Seiva das BananeirasJoana Pimenta

Prémio do Público: Our CurseTomasz Sliwinski

Para a lista completa dos vencedores, carregue aqui.