Dois meses depois da sua estreia, chegou recentemente ao fim aquela que foi a temporada de confirmação da série que é, neste momento, um dos principais destaques do canal HistoryVikings, criada por Michael Hirst.

Depois de uma primeira temporada que, apesar da inegável qualidade, foi algo atribulada no que ao ritmo e organização da sua narrativa concerniu, este novo capítulo de Vikings trouxe consigo melhorias significativas.

O modo como a história nos foi contada foi mais fluido e, consequentemente, mais simples de acompanhar. Além disso, o aumento do número de enredos acabou por ser bastante benéfico para a série, conferindo-lhe um maior grau de complexidade que, por conseguinte, a tornou ainda mais interessante. Tudo isto – aliado à clara evolução nas performances do elenco e ao alargamento dos horizontes do povo nórdico (assaltos às terras inglesas) – contribuiu para o sucesso desta segunda temporada de Vikings que, de um modo geral, impressionou. De facto, é seguro dizer que nenhum dos dez episódios desiludiu ou destoou dos restantes.

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O episódio que me fez ter orgulho de seguir a série: 02 x 10 – The Lord’s Prayer

A season finale merece esta distinção sobretudo pelo modo surpreendente como nos conduziu pelo desenrolar e culminar da traição que o Rei Horik (Donal Logue) vinha orquestrando há já vários episódios. O envolvimento de Floki (Gustaf Skarsgård) e Siggy (Jessalyn Gilsig) no plano do Rei deixava no ar a ideia de que Ragnar (Travis Fimmel) poderia vir mesmo a ter sérios problemas; contudo, num twist surpreendente, foi Horik quem acabou por sair traído e derrotado.

Horik

Melhor personagem: Lagertha (Katheryn Winnick)

O percurso de Lagertha (Katheryn Winnick) nesta temporada foi notável. Para além da forma impressionante como lidou com o fim do seu casamento com Ragnar, conseguiu ainda tornar-se Earl da nova população onde se inseriu, assassinando o seu novo marido para o efeito. Adicionalmente, foi capaz de voltar a construir uma relação saudável com Ragnar e o povo de Kattegat, participando ativamente nos novos assaltos às terras inglesas.

lagertha

Pior personagem: Siggy (Jessalyn Gilsig)

A constante incerteza associada a Siggy e às suas lealdades começa a ser desgastante. No último episódio da temporada, acabou por revelar que permanece do lado de Ragnar. Mas quem pode garantir que isso não voltará a mudar? Esperemos que o futuro reserve enredos mais interessantes para a viúva de Earl Haraldson.

siggy

Melhor enredo: a história de Athelstan (George Blagden)

Athelstan (George Blagden) é, indubitavelmente, das personagens mais interessantes de Vikings; isto é eficazmente comprovado pelo seu trajeto na série. Senão vejamos: começou por ser um simples monge cristão; foi capturado por Ragnar e levado para a Escandinávia, tendo acabado por ser aceite pelo povo viking, assimilado as suas tradições e aceite os seus deuses; numa das novas incursões às terras inglesas, foi novamente capturado e, desta vez, crucificado; foi poupado à morte pelo Rei Ecbert (Linus Roache), com quem acabou por estabelecer uma relação de confiança e amizade; e finalmente, quando pôde escolher por si próprio o seu destino, decidiu voltar para o seio dos nórdicos, mantendo-se, porém, crente a ambas as religiões com que contactou. Fascinante, no mínimo.

athelstan

Maior surpresa da temporada: o papel de Floki (Gustaf Skarsgård)

Durante a primeira temporada da série, a lealdade de Floki a Ragnar parecia ser inabalável, e a grande amizade que os ligava era evidente. Precisamente por isso é que a personagem interpretada por Gustaf Skarsgård foi a grande surpresa deste segundo capítulo de Vikings. A participação de Floki na história foi bem mais ativa do que no passado, o que nos permitiu ficar a conhecê-lo melhor.

Vimo-lo a constituir família com Helga (Maude Hirst) e, mais importante, percebemos que é de fortes convicções e extremamente crente nos seus deuses nórdicos. Contudo, aquilo que o tornou na maior surpresa da temporada foi a sua súbita aproximação ao Rei Horik, com o qual estava aparentemente a planear a queda de Ragnar. Felizmente, como se pôde ver no já referido twist final, a lealdade de Floki continua a estar com quem sempre esteve.

floki

Momento mais impressionante: a morte de Jarl Borg (Thorbjørn Harr)

Jarl Borg (Thorbjørn Harr) foi mais um dos inimigos dos quais Ragnar se teve de livrar no decorrer da temporada. À semelhança do que fez depois Horik, também Borg decidiu que era boa ideia fazer frente a Ragnar, conspirando contra ele e, em última instância, traindo-o. Ocupou Kattegat, obrigando Rollo (Clive Standen) e Aslaug (Alyssa Sutherland), bem como os seus filhos, a fugir para se manterem a salvo.

borg

Como seria de esperar, a vingança de Ragnar não tardou e a morte de Jarl Borg foi das cenas mais impressionantes de toda a série. Isto porque o método usado para o executar – Blood Eagle – consistiu, resumidamente, em abri-lo pelas costas, puxando-lhe os pulmões por cima dos ombros. Os índices de brutalidade aumentaram consideravelmente.

Vikings foi já oficialmente renovada para uma terceira temporada, que irá para o ar no próximo ano. Os prognósticos para o futuro da série são bastante positivos, dado o sucesso desta segunda temporada. Sendo a história baseada em acontecimentos reais, esperam-se mais investidas de Ragnar a novos destinos europeus, como as terras francesas, por exemplo.

bjorn

Será também interessante ver como lidará o herói nórdico com os Reis ingleses Aelle (Ivan Kaye) e Ecbert e com a promíscua Princesa Kwenthrith (Amy Bailey), agora que ambos os povos forjaram uma ténue aliança. Finalmente, adivinha-se um papel cada vez mais importante para Bjorn (Alexander Ludwig), que já demonstrou que o jeito para o combate é claramente de família.

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Nota final: 8.5/10